Livro Histria do Paran

Ruy Christovam Wachowicz

Disciplina: Histria do Paran

Aos Colegas do Magistrio
O presente trabalho  um livro didtico. Destina-se a orientar os estudantes em sua aprendizagem de Histria do Paran, apresentada em seus temas principais e de
forma a proporcionar uma viso de conjunto sobre os fatos que o Estado viveu, desde suas origens at a poca em que foi desenvolvido o vertiginoso progresso em que
se encontra.
Do ponto de vista pedaggico, o mtodo procura seguir os ditames da didtica atual, que recomenda o mximo de atividade intelectual do aluno, na compreenso do assunto.
Para tanto, o tpico "Leituras e Documentos pode ser explorado pela tcnica do estudo dirigido. O valor didtico da documentao , assim, levar o aluno a induzir
os acontecimentos histricos, que no esto simplesmente no texto. As exposies entretanto, foram organizadas de tal forma que o prprio aluno, pela leitura, pode
dominar sua compreenso.
Do ponto de vista histrico, o mtodo se afasta da linha meramente descrita, procurando interpretar os fatos num contexto social e econmico.
A oportunidade do surgimento de tal livro justifica-se pelo fato de ainda ser raro o material com que contam professores e alunos de Histria do Paran. Acredita
o autor lanar assim uma contribuio necessria, embora modesta, ao estudo da referida matria e, como tal, oferece-o ao ensino paranaense.
Fevereiro de 1982.

UNIDADE 1
Pr-Histria e colonizao
1
O indgena Paranaense
Para se estudar o indgena paranaense, logo de incio surge um grave problema, qual seja, o de classificar as populaes pr - colombianas na Amrica e no Brasil.
Classificar o amerndio baseado nas fronteiras polticas dos atuais Estados Americanos  um grave erro, pois os ndios no conheciam estas fronteiras, criadas pelos 
europeus ou seus descendentes.
O melhor mtodo encontrado pelos antroplogos*, para resolver este problema, foi o das reas culturais. Consiste este em agrupar os ndios de acordo com o seu gnero 
de vida e tcnicas utilizadas no domnio da natureza.
Baseada neste mtodo  a tentativa de J. H. Steward, o qual, aps estudar outras classificaes, dividiu o indgena sul-americano em quatro reas de cultura, fundamentando 
esta diviso em fatos ecolgicos* e geogrficos:
1  ANDINA  Compreende os ndios que j possuam metalurgia desenvolvida e arquitetura, possuindo portanto uma civilizao bem desenvolvida. Ex.: os incas.
2  CIRCUM CARIBE  Compreendendo as tribos localizadas ao norte da Amrica do Sul, nas costas do mar das Antilhas. Ex.: os caribes.
3  FLORESTA TROPICAL  So os que j conheciam a navegao fluvial, a cermica, 
Pg. 01
a rde e a agricultura. Ex.: no Brasil os tupis-guaranis, nu-aruaques, panos, tucano etc..
4  MARGINAL  Este grupo  composto por tribos que desconheciam o uso da rde, possuindo, na melhor das hipteses, uma cermica e agricultura muito rudimentares. 
Estes viviam principalmente da coleta de alimentos silvestres e da caa e pesca. No Brasil, este  o caso dos js, tambm denominados de tapuias.

OS AMERNDIOS NO PARAN
Os ndios do Paran pertenciam a duas destas grandes reas culturais: a da floresta tropical e a marginal. No primeiro grupo est a grande famlia tupi-guarani, 
com suas inmeras tribos e no segundo a famlia dos js.
Segundo Kurt Nimuendaj, as principais tribos dessas duas reas culturais, estavam assim distribudas em territrio paranaense:                     ,
pg. 02
Os tupis predominavam no litoral e a noroeste e oeste do Estado. Foram estes ndios os primeiros a entrarem em contacto com os portugueses.                      
Armadilha de caa inventada pelos ndios Xets, segundo original existente no Museu de Arqueologia e Artes Populares de Paranagu. 
Na Escarpa dos Dourados, a noroeste do Estado, encontravam-se os ndios Xets, remanescentes desta grande famlia indgena que outrora povoou o Estado do Paran.
Dos js, destacaram-se os kaingangues e os xoklng (botocudos). Esta rea cultural no chegou a ser bem estudada pelos etngrafos no Paran, o que deixa uma lacuna 
no estudo da pr-histria paranaense. Alm deste fato, o estudo dos indgenas torna-se bastante complicado, devido s frequentes correrias pelo serto, o que leva 
muitas vezes a grandes dificuldades para a localizao de uma tribo, e mesmo a confundir as tribos entre si.

DIFERENAS ENTRE TUPIS E JS
Os portugueses, em seus contactos com os nativos, entendiam-se melhor com os tupis-guarania do que com os js. Deve-se isso ao fato de serem os tupis-guaranis em 
geral os mais adiantados do que os js. As tcnicas utilizadas pelos primeiros, na confeco de seus utenslios, eram muito mais adiantadas do que as dos js.  
verdade que as duas naes encontravam-se ainda no estgio da pedra polida*, mas, incontestavelmente, os tupis eram os mais adiantados. Tinham sua subsistncia assegurada
pela agricultura. Plantavam o milho, mandioca, algodo e fumo. No conheciam o arado, mas plantavam em covas, abertas no cho com paus pontudos.
pg. 03
Suas roas duravam de 5 a 6 anos num determinado lugar, at esgotarem a caa ao redor, mudando-se ento para outras paragens mais propcias.
Sua alimentao era completada com os produtos de coleta, quais sejam: frutas, razes, larvas, mel, erva-mate, jeriv etc.
Desenvolveram os tupis-guaranis uma cermica bastante adiantada, confeccionando abundante quantidade de recipientes e vasilhas de barro cozido. Fabricavam ainda 
cestas e peas variadas, com fibras e taquaras*, utilizavam-se do algodo nativo para fazerem fio, com o qual realizavam magnficos trabalhos de tecelagem, dos quais 
destacam-se a rede de embalar (eni) e tecidos bastante aperfeioados. Suas ocas (cabanas) eram feitas de estacas cobertas com folhas de palmeira ou buti*.
Entretanto, uma das maiores conquistas dos tupis-guaranis foi o domnio da tcnica da eliminao do cido dihidrociandrico, muito venenoso, existente na raiz da 
mandioca. A utilizao de tal tcnica possibilitou a fabricao de farta quantidade de farinha da mesma, facilitando enormemente a alimentao.

DIVISO DO TRABALHO
Na sociedade tribal do ndio paranaense, um dos elementos que mais chama a ateno do homem branco civilizado,  a diviso do trabalho entre o homem e a mulher.
Era a mulher quem realizava todo trabalho domstico. Preparava a comida, cuidava das crianas, confeccionava as peas de cermica, fazia a farinha de mandioca, tranava 
a rede e cuidava da plantao. O homem, por sua vez, dedicava-se em geral a seus interesses. Eram suas obrigaes a caa, a pesca, a derrubada do mato para as mulheres 
plantarem, a fabricao de armas, a construo das ocas e das pirogas; eram tambm, os responsveis pela segurana da tribo.

O QUE DEVEMOS AO NOSSO INDGENA
 imensa a influncia que o paranaense recebeu do indgena, quer em sua atividade diria, ou em seus usos e costumes:
1  influncia tnica. Os milhares de ndios que habitavam o Paran foram eliminados definitivamente ou incorporados  sociedade, pela miscigenao*.
Pg. 04
Cultivao  Ralamento - Expresso
Fases principais na obteno da farinha de mandioca:   
1  Cultivao: as ndias plantam e cultivam a mandioca.
2  Ralamento: com o auxlio de um pedao de madeira, com orifcios nos quais introduzem-se ossos ou dentes pontiagudos de animais, sobre os quais ralavam a raiz 
da mandioca. 
3  Expresso: utilizando-se do tipeti, traado habilmente com fibras, espreme-se a massa ralada, quando j uma boa parte do veneno era eliminada.
4  Secamente: seca-se a mandioca ralada e espremida em pedras chatas aquecidas ao fogo, at torr-la um pouco, o que provocava a completa evaporao do cido dihidrocianidrico. 
A mandioca assim preparada era armazenada em vasilhas feitas de barro, para pocas de escassez de alimentao.
2  no vocabulrio. No linguajar dirio,  usado um grande nmero de termos de origem tupi-guarani, como por exemplo: Paran, Curitiba, canjica, Paranagu, Iguau, 
buti, vossoroca, Paranapanema, Marumbi etc. Sua contribuio lingustica ocorre sobretudo nos nomes de acidentes geogrficos, como rios, serras, picos etc.
3  A Eni (rede): de uso generalizado no meio paranaense. O ndio usava a rede para dormir em sua oca, porque no conhecia a cama.
4  A farinha de mandioca: seu uso  muito difundido entre a populao. A importncia desta farinha estava para o ndio como o uso da farinha de trigo para o homem 
branco civilizado. A eliminao do cido venenoso que a mandioca possui, proporcionou
pg. 05
uma grande fonte de alimento para os ndios. Seu uso  hoje conhecido em todas as camadas sociais.
5  A erva-mate: foram os ndios da famlia tupi-guarani que ensinaramao homem europeu o uso desta erva. Hoje, seu uso  definitivo nas tradies sulinas sob a  
forma de ch quente, gelado ou do tradicional chimarro.
6  O fumo: o europeu no conhecia  o fumo. Veio conhec-lo na Amrica. Os ndios utilizavam-se de vegetal, fumando cachimbos de barro. Hoje, usado universalmente 
sob a  forma de cigarro ou charuto.
7  O costume do banho dirio do cabelo cheio de loo, so elementos caractersticos do brasileiro mdio.
8  O gosto pela cor vermelha, to usada pelos ndios em seus ornatos. Hoje, este gosto manifesa-se nos trajes dos sertanejos, e  na prefernci ntida da populao, 
urbana inclusive, pelos times de futebol que defendem as cores rubras e negras, no s nas principais cidades do Paran como em outros centros, como Rio de Janeiro, 
Salvador, recfe, etc.
9  Na arte culinria: como o mingau, a canjica, paoca, etc.
Uma casa sertaneja. Nela ministram-se elementos indigenas e portugueses. A forma de habitao, as janelas retangulares e o telhado de uas guas so elementos europeus, 
porm a cobertura de palha, as paredes formadas por galhos entrelaados, recoberta de barro e o assoalho de barro batido, so elementos indgenas.

SAMBAQUIS
No Paran, os principais vestgios deixados pelos indgenas so os sambaquis, encontrados no litoral. So montes de conchas, ostras, ossos de animais sobretudo marinhos 
e carapaas, amontoados irregularmente, nos quais encontra-se farto e abundante material arqueolgico, de pedra, osso ou cermica.
Discutiu-se muito a respeito da origem desses sambaquis. Uns defendiam a tese da origem natural, segundo a qual as guas marinhas teriam acumulado este volumoso 
material. Hoje em dia,  ponto pacfico sua origem artificial. Os sambaquis seriam "restos de cozinha" indgena, acumulados em vrios milnios de anos.
Sambaqui de Saquarema, localizado no litoral, explorado por Jos W. Rauth.
Pg.07

Predominam, nestas jazidas arqueolgicas, evidncias de pedra, osso e cermica, trabalhados pela mo indgena. Estas amostras, no litoral, permitem formar uma idia 
de como vivia o homem pr-histrico paranaense. As peas indgenas ali encontradas que mais impressionam, so os zoolitos, figuras de pedra, reproduzindo geralmente 
aves, animais ou peixes, de uma escultura rudimentar.                   ,             ^

DATAO
Importante  ressaltar a datao das principais jazidas arqueolgicas at agora estudadas pelos especialistas; revela a antiguidade da presena do homem pr-histrico 
em solo paranaense:
Stio arqueolgico de Jos Vieira, nas
margens do rio Iva - 7.000 anos
Sambaqui do Saquarema - 4.200 anos
Sambaqui do Guaragua - 4.000 anos
Sambaqui do Macedo - 3.600 anos
Sambaqui da ilha dos Ratos - 1.500 anos

SNTESE
1  Baseados nos estudos do ndio sul-americano, realizados por Steward, classificados os ndios do Paran em duas reas culturais: a da floresta tropical e a marginal.
20 grupo da floresta tropical  formado aqui no Paran pela grande famlia tupi-guarani e o grupo marginal pela famlia j ou tapuia.
3  Os tupis guaranis eram os mais adiantados: praticavam a agricultura, a cermica, sabiam obter a farinha de mandioca e possuam muitas outras tcnicas que os 
js no conheciam. Os nicos elementos comuns eram: o arco e a flecha, a lana e a esteira.
4  Influncia indgena: tnica, no vocabulrio, o uso da rede de embalar, a farinha de mandioca, erva mate etc.
5  Os principais vestgios arqueolgicos deixados pelosndios so os sambaquis.
6  Dos stios arqueolgicos, os mais antigos so: de Jos Vieira, nas margens do rio Iva. com 7.000 anos, o sambaqui do Saquarema, no litoral, com 4.200 anos, 
o do Guaragua tambm no litoral, com 4.000 anos.
Pg. 08
VOCABULRIO
Antropologia - cincia que se ocupa do homem e tem por objetivo o estudo e a classificao dos caracteres dos grupos humanos.
Ecologia - estudo das relaes entre os seres vivos e o ambiente fsico e biolgico em que vivem.
Pedra polida - ou perodo neoltico.  o perodo da civilizao em que o homem passa a polir a pedra, domestica animais, utiliza-se da agricultura, da tecelagem, 
cermica etc.
Taquara - planta tropical, oca, muito utilizada pelos ndios.
Buti - um tipo de palmeira.
Miscigenao - cruzamento de indivduos de raas diferentes.

LEITURAS E DOCUMENTOS
Os 470 anos decorridos desde a descoberta da Amrica, constituem pequenas fraes na histria dos povos indgenas deste continente. O homem tem vivido aqui durante 
vrios milhares de anos. Deste longo perodo histrico durante o qual o homem ocupou progressivamente o continente e desenvolveu mltiplas formas de cultura, do 
testemunhas os esqueletos e artefatos deixados nos stios (jazidas), onde viveram aqueles antepassados dos ndios.
Predominam, entre as evidncias de vida do homem pr-hstrico, os objetos de pedra de osso, e de barro cozido, que resistiram melhor  ao do tempo. A descoberta 
e o estudo sistemtico desses testemunhos de antigas culturas a que se dedicam os arquelogos, permitem formar idia de que foi a vida em tempos pr-histricos. 
H mtodos cientficos, que permitem datar os achados dando a poca aproximada em que viveram os povos que os deixaram  vai-se aos poucos reconstituindo o passado 
dos ndios americanos.
Inscrio extrada do Museu Arqueolgico e Artes Populares de Paranagu. 
Pg. 09

A importncia da cermica
A descoberta da cermica constituiu um dos fatores mais importantes na evoluo humana. A fabricao de vasilhas de barro resistentes ao fogo permitiu ao homem primitivo 
cozer o alimento, transformando o seu sistema nutritivo, bem como lhe proporcionar um recipiente resistente para conter e conservar frescos os alimentos e os lquidos.
No estudo da cermica arqueolgica h a considerar, entre outras coisas, a pasta, a tcnica de confeco, as formas e a decorao das peas. A pasta  geralmente 
grosseira. A adio dos antiplsticos como gros de quartzo, argila queimada, carvo etc., facilita a sua queima e coeso. As vasilhas foram modeladas  mo. O oleiro 
partia de um pedao informe de argila, ou enrolava em aspirais ou crculos sucessivos um longo cilindro de argila previamente moldado, e que depois se unia, ficando 
ento os bordos em contacto [... ] Os motivos de decorao por pintura so os mais diversos, predominando os geomtricos. So frequentes as corrugaes, pontos, 
linhas sinuosas, denticulaes, linhas paralelas, zigue-zagues, tringulos,crculos, nas mais variadas combinaes. Algumas vezes eram adicionados aos vasos enfeites 
etc.

Texto extrado do Museu Arqueolgico e de Artes Populares
de Paranagu.

Os Zoltos dos sambaquis

Nos sambaquis dos estados meridionais aparecem com relativa hegemonia figuras de pedra, reproduzindo geralmente figuras de animais: peixes,aves e cetceos que so 
conhecidos na arqueologia brasileira por zolitos.
Revela um conhecimento seguro de morfologia dos animais, como tambm uma sensibilidade especial para a escolha dos elementos. Um observador regional facilmente identificaria 
estas figuras com os animais representados.
Isto prova o conhecimento do meio e a explorao regular e sistemtica dos seus recursos. As figuras apresentam notvel equilbrio das massas, sobretudo quando h 
asas abertas, o que sugere tambm movimento. Elas revelam um universo de conhecimentos empricos, um domnio do saber no verbalizado, mas expressa plstica e tecnicamente 
de um modo no menos vigoroso e compreensivo.

L. de Castro Faria in "A Arte animalista dos paleo amerndios
do litoral do Brasil".

Diviso do trabalho na sociedade indgena

Aparentemente era a mulher inggena que trabalhava mais do que o homem: cuidava dos servios domsticos e da comida, trabalhava na cermica, fazia a farinha de mandioca, 
a rede, e ainda, quando uma famlia
pg. 10
deslocava-se na floresta, era a mulher que carregava os apetrechos necessrios, a rede e a criana, enquanto que o homem apenas portava, atentamente, suas armas. 
Isto no se deve  boa vida do ndio, mas ao fatode haver necessidade de o homem proporcionar a segurana  sua famlia,defendendo-a dos animais, ou de possveis 
inimigos. Respondia o homem pela obteno da caa, coleta de frutos silvestres, derrubada do mato para a agricultura, fabricao de armas, botes, ocas e, ainda, 
pela segurana da tribo.

Em 1820, Saint Hilaire colheu alguns dados referentes a nossos ndios:

"Tinha o capito-mor (de Curitiba) em sua casa uma jovem de Guarapuava, pertencente a uma dessas tribos de ndios que costumam fazer uma pequena tonsura no meio 
da cabea e que, por essa razo, os portugueses apelidaram de Coroados. Ditou-me ela algumas palavras de sua lngua; em seguida, eu as li a outra mulher da mesma 
nao e retifiquei as inexatides que me haviam escapado. Era esse o mtodo seguido por mim em casos semelhantes, todas as vezes que isso era possvel.

Eis as palavras que me foram transmitidas pelas duas mulheres coroadas:

Terra .................................. Nga                                Nariz .............  Inhin
Fogo ...................................Pim                                 Boca  ............. Inhantu
Chuva ................................ Ta                                   Dentes ............ Inh
Me .................................... Nan                                Pinho   ........... Fangue
Pai  .....................................I                                    Farinha    ......... Manenfu
Irmo  ................................ Aranguer                       Doente ............ Canga
Danar  . ........................... Grangraia                        Co ...................Ogog

"Em fevereiro do corrente ano (1854), uma poro de ndios selvagens,dos que percorrem o nosso imenso serto, assaltaram a fazenda do alferes Domingos Floriano Machado, 
matando-o, bem como a oito pessoas de sua famlia e ferindo gravemente mais cinco. Levaram consigo o que encontraram na casa, devastando sua propriedade, o que levou-os 
 runa. Costumam os selvagens aparecer de vez em quando nas fazendas dos brancos, onde recebem provas de amizade dos fazendeiros que lhe oferecem presentes. No 
caso referido o alferes, ao perceber a aproximao dos ndios, saiu-lhes ao encontro para receb-los, sem tomar nenhuma cautela, visto serem os ndios seus conhecidos. 
Mas foi logo ferido mortalmente e sua famlia exterminada prematuramente".

Relatrio Zacarias de Ges e Vasconcelos  1854.
pg. 11


UNIDADE l
Pr-Histria e colonizao

2 As Relaes Indu-cristos no Guair

A grande obra civilizadora realizada pelos espanhis em territrio hoje paranaense, teve incio na segunda metade do sculo XVI, quando o governador ,do Paraguai, 
Irala,resolveu fundar vilas em territrio hoje paranaense, as quais tinham por objetivo:
1-Subordinar o grande nmero de indgenas ali en*centrados/ pertencentes sobretudo  grande famlia tupi-guarani. Calculava-se o seu nmero em 200.000, aproximadamente.
2 - Deter as contnuaspenetraes para oeste da linha de Tordesilhas.
3 - Conseguir um porto martimo para Assuncion, no Atlntico, aparecendo a baa de Paranagu como o local mais indicado para tanto.


CIUDAD REAL E VILA RICA
Com esses objetivos, os espanhis fundam, no sculo XVI (1554) a vila de Ontiveros, abaixo das Sete Quedas,no rio Paran. O capito Rui Dias Malgarejo transferiu 
a populao, dois anos aps, para a foz do rio Piquiri, fundando a Ciudad Real de Guara. Anos mais tarde (1579), o mesmo capito funda, nas margens do rio Iva, 
na confluncia com o Corumbata, a Vila Rica do Esprito Santo.
Pg. 12
Naquela poca, os espanhis usavam um malfadado sistema de colonizao, com relao ao indgena. Eram os:

ADELANTADOS E ENCOMIENDAS

As autoridades espanholas encarregavam indivduos, que possuam alguns bens e capacidade, de conquistarem as terras ocupadas pelos ndios. Estes conquistadores eram 
os adelantados,como o foram por exemplo Balba, Pizarro, Pedro de Mendoza, Pero Alvarez Nunez Cabeza de Vaca e muitos outros. Segundo as determinaes da coroa 
espanhola, a populao indgena deveria ser catequizada, defendida contra os inimigos e iniciada num ofcio pelos adelantados. Em troca disto, os ndios pagariam 
uma taxa, ou prestariam servios. Chamava-se "encomiendas" a esse sistema o qual logo degenerou, devido  cobia dos espanhis, passando o ndio  condio de escravo.

H uma gravura representando o: Primeiro mapa da regio do Guara, levantado pelo Governador do Paraguai, Lus de Cspedes Xeria.

Esse sistema era tambm praticado aqui no Paran, na Ciudad Real e Vila Rica. Como o governador do Paraguai, Hernando rias Saavedra, encontrasse forte resistncia 
dos ndios na aplicao de tal sistema no Guara, inclusive com frequentes levantes,sugeriu ao governo espanhol que confiasse a pacificao e a converso do indgena 
da regio aos padres da Companhia de Jesus,o que foi imediatamente aceito.

Aqui h uma gravura representando:
Telhas de Vila Rica do Esprito Santo, encontradas por O. Blasi em suas escavaes na regio.
Pg. 13

 OS JESUTAS
 Nesta poca, andavam os padres da companhia preocupados com a falta de eficincia do mtodo catequtico at ento empregado, o qual consistia em contnuas peregrinaes 
entre as aldeias indgenas, onde pregavam e batizavam. Este sistema entretanto era pouco eficiente, visto que a falta do sacerdote numa aldeia acarretava o desleixo 
e o desinteresse dos indgenas no-convertidos pela religio crist, voltando facilmente  prtica das antigas supersties. Guara vai ser a primeira regio que 
experimentar o novo sistema adtado pelos jesutas: as redues.
Consiste este em atrair o maior nmero possvel de indgenas para uma povoao, chamada reduo. Ali, teriam uma habitao para sua famlia; o missionrio tambm 
ali fixava residncia, no precisando deslocar-se freqentemente para outras regies. Procuravam os jesutas, desta maneira, conseguir alguma coisa durvel no seu 
trabalho missionrio. Pensavam eles que no bastava lanar a palavra de Deus ao acaso, como faziam outrora, mas era preciso vigi-la at dar frutos.
No foram os jesutas bem recebidos pelas duas povoaes da regio, isto porque, acostumados que estavam os espanhis na explorao dos ndios pelo sistema das "encomiendas", 
no viam com bons olhos a presena ali dos maiores defensores dos direitos indgenas; os ndios de suas encomiendas fugiam em grande nmero e refugiavam-se nas redues 
jesuticas. A situao nos dois centros espanhis tornou-se to grave por falta de mo de obra,que o nmero de seus ndios era insuficiente para o trabalho da lavoura 
e o cultivo da erva-mate. Os povoados entraram numa fase de ntida decadncia, at sua destruio final, pelos bandeirantes paulistas.

AS REDUES
Aps os primeiros desentendimentos entre os jesutas e a populao espanhola no Guara, fundaram os missionrios as duas primeiras redues, a de Sto. Incio Mini 
e Nossa Senhora de Loreto, ambas na margem esquerda do Paranapanema, sendo a de Loreto na foz do rio Pirap. Esta prosperou rapidamente, tonando-se a capital das 
redues, onde residia o padre superior da misso.
Pg.14
A destemida coragem, a f inquebrantvel e um dinamismo nvulgar dos padres, rapidamente semearam, no vasto territrio das redues, grande nmero destes aldeamentos, 
os quais chegaram  soma de treze, situados nas margens dos principais rios,como o Piquiri, Iva, Paranapanema, Tibagi e Iguau.
Esta maravilhosa obra de catequese e de civilizao dos padres da Companhia no tem paralelo de comparao com qualquer outra obra em prol da civilizao tal  o 
vulto e a amplitude desta. Em poucos anos, conseguiram estes intrpidos missionrios, aldear mais de 100.000 ndios; e o mais importante  que os jesutas conseguiram 
fazer penetrar no nimo dos indgenas os sentimentos de trabalho sistemtico e disciplinado, o que at ento ningum havia realizado.                            

ORGANIZAO
Cada uma destas redues era dirigida por um missionrio a quem os ndios chamavam de "pai-tuya" (pai-velho) este era auxiliado por um assistente coadjutor, o "pai-mini" 
(pai-novo).

Indiscutivelmente, a suprema autoridade de uma reduo era o "pai-tuya". Os jesutas no quebravam a hierarquia* da vida tribal com a qual os ndios estavam acostumados; 
adaptaram os cargos administrativos usuais das vilas espanholas aos chefes dos ndios aldeados. Assim, os ndios ocupavam o cargo de capito,alcaide (espcie de 
oficial de justia que podia punir os transgressores), alferes (correspondente mais ou menos ao cargo de sargento), regedor (cuidava da adimistrao da reduo) 
etc.
Cada indivduo, no dia do casamento, recebia um terreno, o qual era obrigado a cultivar. Alm desta propriedade particular,havia as coletivas, que eram cuidadas 
e plantadas em fumos pelos ndios, que chamavam de "tup-mbe" (propriedade de Deus).
A criao de cavalos, gado bovino, galinhas etc., tambm era coletiva. O produto deste trabalho era armazenado em depsitos pblicos, donde cada famlia recebia 
o necessrio para seu sustento. Esta distribuio de gneros, limitada a cada famlia, era para que no se malbaratassem os gneros alimentcios e para que as donas 
de casa indgenas no se acostumassem a gastar demasiadamente.
pg. 15
Destes depsitos comuns, retirava-se tambm o necessrio para o culto e os impostos, que eram religiosamente pagos  coroa espanhola.
H uma gravura de um padre de meia idade,de barbas,usando batina de poca,parecido com as dos monges do sculo XVII,tendo uma espcie de gola saindo do pescoo que 
desce sobre os ombros at os cotovelos.Levando algo amarrado na cintura.Carrega uma cruz na mo esquerda, e na mo direita um objeto lomgo,parecendo ser um cajado,mas 
da espessura que ao fechar a mo ao segul-lo,pode-se encontrar os dedos com o polegar.

Um missionrio jesuta da poca. Foram os padres desta ordem religiosa que iniciaram em territrio hoje paranaense um novo mtodo catequtico: o das redues.
Os missionrios espanhis no introduziram o uso da moeda entre os ndios, para no despertarem a cobia, at ento inexistente. Porm, anualmente, desciam os ndios 
das redues at Santa F ou Buenos Aires, chefiados por um missionrio, que era o procurador das misses, para realizarem a venda de seus produtose adquirirem as 
mercadorias de que tinham necessidade. A presena de um procurador missionrio era para defender os ndios dos vexames que os colonos poderiam inflingir-lhes, bem 
como evitar que fossem fraudados ou roubados.

ENSINO, URBANISMO E JUSTIA

O edifcio principal numa reduo era a igreja, tradicionalmente localizada na praa principal, tal como acontecia entre os portugueses aqui no Brasil. As casas 
eram alinhadas de maneira a formarem quadras. Possuam geralmente uma espcie de rea coberta e contnua, ligando as casas entre si, por onde transitavam
pg. 16
os pedestres protegidos do sol e da chuva, tal como aparece nas cidades de "far-west".                        
O povo reunia-se todas as manhs na igreja, sobretudo as crianas, para oraes e missa; em seguida, dirigiam-se os adultos para o trabalho e as crianas, tanto 
meninos como meninas, para a escola. Ali aprendiam a ler, escrever, contar, na lngua materna.
As penas aos infratores na comunidade eram aplicadas pelo"pai-tuya". Estas variavam desde a confisso pblica da falta,aoite, priso ou expulso da comunidade. 
 de se frisar que os crimes nas redues eram rarssimos e a presena de brancos no era tolerada, com exceo,  claro, dos missionrios e das autoridades espanholas.
Os prprios missionrios ensinavam aos ndios todas as profisses necessrias. Assim, havia ndios teceles, carpinteiros, ferreiros, lavradores, cada um com sua 
profisso especializada.
 tarde, os ndios voltavam a reunir-se na Igreja para as oraes, antes de se recolherem s suas casas. sada e  entrada,na igreja, realizavam-se cnticos, bem 
como no incio do trabalho dirio.
Aos domingos e dias santos os ndios realizavam festas e folquedos na praa central com grande colorido, msica e pompa. A festa mais bem preparada pelos ndios 
e, em consequncia, a mais esperada e animada, era a do santo padroeiro.

A DESTRUIO

O sucesso absoluto das redues levantou temores dos luso-brasileiros de So Paulo. A reao violenta dos paulistas contra as redues explica-se pela conjuntura 
poltica e  da poca.

Podem ser sintetizados em trs os motivos que levaram os luso-brasileiros a destrurem as redues:
             1  Temor da expanso espanhola para leste.
2  Preao de ndios.
3  Desejo de atingir as minas de Potosi.

Sempre foi inteno dos portugueses dar, como limite meridional do Brasil, o Rio da Prata.Os espanhis, por sua vez, desejavam que este limite corresse pelo rio 
Paranapanema at Cana-
pg. 17
nia,ou na,pior das hipteses, at a baa de Paranagu. Desta forma o territrio compreendido entre o Rio da Prata e o Paranapanema foi disputado por portugueses 
e espanhis. Ambos queriam a posse deste territrio.
A expanso das redues espanholas, que j atingiam o rio Tibag, provocou o temor dos paulistas. Tomaram estes a firme deliberao de impedir esta expanso. Por 
este motivo, atacaram antes de serem atacados. Assim, a guerra de destruio foi considerada justa pelos portugueses, apesar da terrvel obra destruidora que se 
propuseram a realizar.

PREAO DE NDIOS

Necessitando a lavoura de So Paulo de braos para o trabalho, iniciou-se a formao de bandeiras, que percorriam o interior  cata de ndios. Estes eram presos 
e levados para So Paulo, onde eram vendidos. O preo por "pea", como ento chamavam os escravos, era compensador: 100$000. Este comrcio ilcito era normal, apesar 
dos protestos dos missionrios portugueses.
Pg. 18
Nada mais atraente e compensador do que atacar as redues,onde se encontravam milhares de ndios j aldeados e com certo conhecimento de algum ofcio, o que melhoraria 
o preo de sua venda. Eram ainda os bandeirantes atrados na direo oeste pelas minas de prata do Potosoi, as quais ficavam prximas do Paraguai,na Cordilheira 
dos Andes.
Estas expedies destruidoras foram comandadas principalmente por Manoel Preto, Antnio Raposo Tavares e Ferno Dias Paes. 
Em 1682, apareceu na regio Antnio Raposo Tavares, com 3.000 homens dos quais 2.000 eram ndios. Durante meses, permaneceu nas margens do Tibagi, capturando os 
ndios que encontrasse e esperando algum pretexto para atacar as redues, ataque esse que era o real objetivo de sua presena ali.
Este pretexto surgiu quando o ndio Tataurana, que fora aprisionado, conseguiu fugir e refugiar-se na reduo de Santo Antnio. Os jesutas negaram-se a entreg-lo, 
justificando que se tratava de um ex-cacique, cristo e homem livre. Foi o suficiente para o incio do ataque.
Foram diversas as expedies que se fizeram: somente Manuel Preto realizou cinco dessas viagens, levando milhares de ndios como escravos para So Paulo, Rio, Bahia 
e at Pernambuco.Atesta Romrio Martins que pereceram 15.000 nidos nas lutas com portugueses, e cerca de 60.000 foram levados como escravos. Devido ao grande nmero 
de escravos lanados no mercado, seu preo baixou de 100$OOO para 20$OOO, por pea.
To grande era o amor e a dedicao dos padres jesutas a seus ndios, que chegaram a protestar junto ao governo do Rio de Janeiro; alm disso, pediram socorro a 
Assuncion e fizeram apelos desesperados  corte de Madrid, para que se tentasse impedir esta barbrie praticada pelos bandeirantes paulistas. Chegaram alguns jesutas 
a acompanharem seus ndios at o Brasil a fim de conseguirem sua libertao. Tudo em vo.
Das treze redues, destruram os mamelucos onze, restando somente as duas ltimas. Loreto e Santo Incio Mini, isto porque, quando l chegaram, encontraram as mesmas 
desertas. Os missionrios, obedecendo a ordens superiores, resolveram abandonar Guara com os 12.000 ndios que ainda lhes restavam, dos 100.000 que tinham conseguido 
aldear. Resolveram transladar-se
Pg.19
para o sul,  margem esquerda do Rio Uruguai, no atual territrio do Rio Grande do Sul. A epopia* deste extraordinrio xodo, qual seja a descida do rio Paran 
enfrentando as Sete Quedas, a fome, as doenas e o imprevisto, nos vem narrada pelo prprio padre Antnio Montoya. Apesar destes sofrimentos, os bandeirantes no 
deixaram os jesutas sossegados, nem no Rio Grande do Sul,em Tapes, como passaram a ser chamadas esta redues. Foram estas, mais tarde, tambm destrudas pelos 
bandeirantes paulistas.

CONSEQNCIAS

1-Falhou a primeira tentativa de colonizao do Paran,realizada pelos jesutas espanhis. Hoje, os nicos vestgios desta colonizao so algumas runas das redues,em 
territrio paranaense.

2- Todo este territrio que compreederamas redues no foi colonizado pelos portugueses,veio a ser incorporado ao Brasil  pelos tratados de limites de Madrid e 
de Sto. Ildefonso.
3  As redues incentivaram o desenvolvimento das bandeiras em So Paulo, desejos que estavam os bandeirantes de prearem ndios e deterem a  colonizao espanhola 
para leste.
4   Voltado ao abandono de toda um avasta regio que j estava incorporada  civilizao.
Pg. 20

SNTESE
1 No  fim do sculo XVI, o governo paraguaio funda duas vilas em territrio hoje paranaense, com a finalidade de subordinar o elemento indgena ali existente e 
deter a expanso dos mamelucos paulistas. Surgem ento Ciudad Real de Guara e Vila Rica do Esprito Santo.
2  Os jesutas aplicaram no Guara um novo mtodo de catequese, qual seja, o das redues. Como protegessem o indgena entraram em choque com os espanhis de Vila 
Rica e Ciudad Real cujos habitantes desejavam escravizar o gentio.
3  Sabiamente os jesutas no quebraram a hierarquia dos ndios nas suas redues. Adaptaram os chefes indgenas aos cargos existentes numa vila espanhola. Porm, 
nunca deixaram de ter a supremacia. Exerceram portanto uma ao paternal sobre o indgena aldeado.
4  Os luso-brasileiros de So Paulo, temendo a expanso dos espanhis para leste, e desejosos ainda de prear os ndios j civilizados pelos jesutas, organizaram 
expedies que destruram a notvel obra civilizadora.

5  Consequncias:

1  Foi detida a expanso espanhola para leste.
2  O territrio de Guara voltou a despovoar-se.
3  As bandeiras paulistas foram incentivadas.

VOCABUL RIO
Catequese .......... ensino sistematizado sobre religio; ensino da doutrina crist.
Hierarquia ......... graduao, categoria existente no governo, exrcito, igreja ou na ordem social.
Epopia ............ poema, ou uma srie de aes hericas.
Pg. 21

LEITURAS E DOCUMENTOS

A retirada do que restava das redues
"Os padres Montoya, Dias Tanho e Simo Maceta, foram os incumbidos de dirigir o xodo, auxiliados por mais quatro padres?
Trs figuras formidveis, que a histria do cristianismo projetou, como um claro nos sertes meridionais do Novo Mundo, que o destino escolhera, ainda uma vez, 
para a misso quase sobrehumana de pr a salvo 12.000 criaturas perseguidas por toda a espcie de perigos, atravs da imensidade das distncias, da inclemncia dos 
inimigos, das precrias condies do xodo [...] . Em pouco tempo, 700 jangadas e numerosas canoas estiveram prontas  margem do Paranapanema, desde a foz do Pirap 
 de Santo Incio e foram lanadas ao grande rio ponteado de cachoeiras, e 12.000 ndios, guiados por sete padres, se confiaram quelas guas em rpido declive para 
o Rio Mar.
"Parecia um dia do juzo", diz Montoya, "aquele em que fizemos a mudana".  
Romro Martins in "Histria do Paran" 3. edio, pg. 79.

Trecho do texto do Pe. Antnio Montoya sobre a retirada:
" nossa retaguarda deixamos os de So Paulo, inimigos de nossos filhos; em nossa frente, do lado para onde havemos de ir, temos os de Guara, outros inimigos. De 
que maneira portanto nos haveremos? Se nos demorarmos muito, talvez que nos alcancem os portugueses, que vm em nosso encalo, se porm formos para diante estaremos 
nas mos dos brancos que nos esperam. Certamente, se aqui ficarmos, em todo caso, as jangadas faremos estragarem-se, e no ser mais possvel irmos por gua e passarmos 
aquela cachoeira terrvel". Dizamos assim conversando entre ns. Depois disso fui adiante em canoa e procurei os brancos onde eles se achavam; entrei no arraial 
deles, declarei-lhes a condio pacfica de nossa gente, e mostrei-lhes tambm que eles, brancos, eram maus. No quiseram ouvir-me em verdade, sacaram cinco espadas 
e dirigiram-nas para meu peito, querendo agarrar-me, debalde porm, no me deixei vencer por eles, safei-me por entre meio de suas espadas, para junto de meus companheiros 
voltando ento.
Contei a eles onde  que estavam os brancos, onde queriam cair sobre os nossos filhos. Mandamos outra vez dois padres para pedirem que nos dessem caminho porm os 
tais do mesmo modo nem um pouco quiseram ouvir nossas falas. Fomos conversar com eles ainda mais vezes repetindo os nossos pedidos para que nos dessem caminho; como 
porm eles no dessem f de nada, ento sim eu me abalancei a falar-lhes forte, dizendo-lhes: "J por trs vezes nos humilhamos bastante para vos pedir que nos dsseis 
caminho, debalde, vs no quiserdes ouvir-nos de todo por este caminho que aqui est, contudo havemos ns de passar e vs acautelai-vos.
Pg.22
Se fizerdes mal aos nossos filhos, se vs os assoberbardes e os matardes, sereis malditos; ns j nos declaramos bem a vs;" e vendo eu uma mulher no meio deles, 
"arredai a esta mulher para que no se ache neste dia um cadver de mulher no meio de cadveres de homens", disse eu. Depois de dizer-lhes isto retirei-me simplesmente, 
voltando para o lado dos meus companheiros [...]. "A gente que veio junto com os Padres  muitssima deveras, e ns aqui somos apenas alguns", disseram eles consigo, 
ficando-se com os coraes murchos.
Pe. Antnio Montoya
A regio de Guara
A regio de Guara  comumente aceita como situada entre os rios Paranapanema, Paran, Iguau e a indeterminada linha demarcatria que dividia as terras portuguesas 
e espanholas, impostas pelo Tratado de Tordesilha.
Os numerosos ndios as penetraes paulistas, a necessidade de se obter passagem mais rpida e fcil para o Atlntico, foram entre outros, provavelmente, os fatores 
que levaram o Governador Irala a ordenar a fundao de vilarejos no territrio guairenho. Este procedimento foi ligeiramente antecedido por outro, de real importncia 
para a histria da conquista espanhola da regio, qual seja, o da introduo do sistema de encomendas. Poderamos dizer que os dois acontecimentos marcam a passagem 
da fase de explorao para a da colonizao".
O. Blasi in
"Anais do II Simpsio dos Professores Universitrios de Histria       1962"
Pg.23
UNIDADE l
Pr-Histria e Colonizao
3
Povoamento do Litoral
DAS CAPITANIAS HEREDITRIAS

Dividido que foi o Brasil em capitanias hereditrias por D. Joo III, o litoral paranaense ficou pertencendo a dois donatrios: Martim Afonso de Souza e Pero Lopes 
de Souza, dois irmos, a quem couberam, respectivamente, as capitanias de So Vicente e Sant'Anna.
Os territrios ao norte da baa de Paranagu pertenciam  Capitania de So Vicente, e os do sul, at Laguna, em Santa Catarina, a Pero Lopes de Souza. Estas capitanias 
eram limitadas a oeste pela linha de Tordesilhas.
Nenhum dos dois irmos interessou-se seriamente pelo progresso de suas capitanias. Marfim Afonso de Souza, no relatrio dos servios prestados  Coroa por sua pessoa, 
nem mencionou a Capitania de So Vicente. Pero Lopes de Souza morreu no Oriente, sem nunca haver retomado ao Brasil, desde a expedio de 1530.
Aps a morte destes dois donatrios, surgiu um srio problema de herana. O conflito se deu entre os herdeiros de Marfim Afonso de Souza, pois a descendncia de 
Pero Lopes se havia extinguido. De um lado, colocou-se D. Mariana de Souza, Condessa da Ilha do Prncipe; de outro, o Conde de
Pg. 24
Monsanto. tambm intitulado Marqus de Cascais sob cujo titulo  mais conhecido. O caso foi levado  justia e esta deu ganho de causa ao Marqus de Cascais. O Conde 
da Ilha do Prncipe, inconformado, desejando fazer valer os direitos de sua esposa, transferiu a sede da capitania para Itanham, no litoral paulista. Ambas as faces 
continuaram disputando a posse das terras que constituem hoje o litoral do Paran.

ORIGEM E FUNO DE PARANAGU
Era o nosso litoral, nestes tempos, percorrido por indivduos, isoladamente, e por algumas bandeiras preadoras de ndios carijs. Aps uma destas bandeiras na regio 
de Paranagu, Diogo de Unhate, participante da mesma, requereu e obteve, em 1614, uma sesmaria em terras paranaenses, na regio de Superagi, situada ao norte da 
baa.
Esta regio j era bastante frequentada desde 1554 por elementos vindos de So Vicente, Santos e de outros lugares, que mantinham certo comrcio com os ndios. Trocavam 
ferramentas,
          Pg. 25
anzis, fazendas etc., por algodo, que era plantado e colhido por estes. O cronista Antnio Vieira dos Santos calcula que a regio do litoral contava ento com 
seis a oito mil ndios. No foram, entretanto, estes comerciantes ou preadores de ndios que iniciaram o povoamento permanente no litoral. As atividades, at ento 
ali exercidas, eram tipicamente nmades*, e foi somente com a notcia do descobrimento de ouro nos ribeires da baa de Paranagu, que para a se dirigiu grande 
nmero de habitantes vindos de Santos, So Vicente, Canania, So Paulo e at do Rio de Janeiro, atrados pelo alvoroo levantado com o descobrimento de ouro na 
baa de Paranagu, em meados do sculo XVII.
Estes faiscadores e mineradores, temerosos do grande numero de ndios carijs, seus inimigos existentes na regio, e temendo alguma traio por parte dos aborgenes*, 
estabeleceram-se primeiramente na ilha da Cotnga, onde estavam mais seguros, levantando inclusive algumas habitaes.
Este foi o primeiro ncleo de Paranagu,  Domingos Peneda foi seu fundador.            
Com o correr do tempo, viram os colonos que havia um esprito fraternal com o gentio e animaram se portanto a passarem suas habitaes para terra firme, localizando-se 
s margens do rio Taquar, hoje Itiber, local este hoje ocupado pela cidade de Paranagu. J ento, o homem mais prestigioso da vila era Gabriel de Lara, valente 
e acatado por todos; foi escolhido para Capito Mor* da vila recebendo ordens em nome d'el Rei para realizar a elevao da localidade  categoria de vila. O pelourinho 
foi inaugurado em 1646, e a 26 de dezembro de 1648 foram realizadas as eleies para a escolha das autoridades da vila, convocadas pelo prpio Gabriel de Lara.
Imagem: do atual museu de Arqueologia e Artes Populares de Paranagu organizado no prdio onde funcionou o antigo Colgio dos Jesutas, construdo no sculo XVIII.
Nesta altura dos acontecimentos, estava acirrada a disputa entre o Conde da Ilha do Prncipe e o Marqus de Cascais, pela posse da regio.
Pg. 26
O Conde da Ilha do Prncipe tomou conta, em 1653, da pequena vila de Paranagu, que passou a ser administrada por Capites Mores, com sede em Itanhaem, num flagrante 
desprestgio para com os moradores da vila. Foram ento, seus Capites Mores, Diogo de Escobar e Simo Dias de Moura.
Entretanto,  outra parte, o Marqus de Cascais tambm usando de seus direitos criou a Capitania de Nossa Senhora do Rosrio de Paranagu e nomeou para seu Lugar 
tenente* a pessoa mais prestigiosa do lugar: Gabriel de Lara. Com este gesto, o Marqus de Cascais conquistou definitivamente as simpatias dos moradores da vila.
O governador do Rio de Janeiro, Salvador Corra de S e Benevides, em viagem de inspeo, decidiu que Gabriel de Lara administrasse a vila em nome del'Rei, vencendo 
desta forma o Marqus de Cascais sua contenda com o Conde da Ilha do Prncipe.
Gabriel de Lara, homem enrgico e ativo, usava com toda a pompa seus ttulos, com os quais governou a capitania de Paranagu por 36 anos. Sua autoridade e prestgio 
eram incontestveis, erigindo tambm o pelourinho em So Francisco em 1660, e em 1668 em Curitiba.

ANTONINA
Tal qual Paranagu, os primeiros desbravadores da regio de Antonina situada nos fundos da baa de Paranagu, foram faiscadores de ouro, vindos de Paranagu. Em 
meados do sculo XVII, foram concedidas trs sesmarias na regio a Antnio de Leo, Pedro de Uzeda e Manuel Duarte, respectivamente. Entretanto, a fundao da povoao 
somente veio a ocorrer a 12 de setembro de 1714, e, em 1797, a elevao  categoria de vila. 
Desde sua origem tornou-se tradio a realizao de festas religiosas na capela da localidade, sob a invocao de Nossa Senhora do Pilar, no dia 15 de agosto.

MORRETES
Localiza-se esta cidade s margens do rio Nhundiaquara, antigo Cubato, que desagua na baa de Paranagu.
Nos fins do sculo XVII e incio do XVIII, a regio era percorrida por aventureiros e faiscadores de ouro, Joo de Almeida,
Pg. 27
chefe de uma numerosa famlia patriarcal, estabeleceu-se com ela s margens do rio Cubato, entre 1725 a 1730.
Imagem: Porto de Antonina no sculo XIX. Sempre foi concorrente ao de Paranagu. (Litografia de Leshcaud).
Alguns anos aps, vem residir na localidade Antnio Rodrigues de Carvalho, com sua esposa. Estes constroem uma igrejinha, cuja falta j se fazia sentir, inaugurando-a 
em 1769. O progresso da vila foi lento, recebendo porm grande impulso com o desenvolvimento do comrcio entre Curitiba e litoral.
Imagem: Primitivo engenho de acar do litoral paranaense;  uma tradicional atividade econmica da regio.
Morretes era o ponto final do caminho de Itupava. Os tropeiros aproveitavam a estrada no litoral e reabasteciam na vila. Os moradores de Morretes, aproveitando-se 
de sua posio geogrfica, realizavam grande comrcio, ao mesmo tempo em que se dedicavam  minerao do ouro.
Pg. 28
Em 1783, j contava a vila com dezoito pequenas casas de madeira, sendo algumas cobertas com palha, ocupadas por seus moradores nos fins de semana ou em dias de 
festa, pois muitas famlias viviam em suas propriedades do interior.

SNTESE
1  O litoral paranaense foi primeiramente dividido entre as capitanias de S. Vicente e Sant'Ana, sendo respectivamente seus donatrios Martim Afonso de Sousa e 
Pero Lopes de Souza.
2  Nenhum dos dois irmos interessou-se efetivamente por estes dois pedaos de terra. Seus herdeiros  que passaram a disputar a posse da mesma. De um lado ficou 
a Condessa de Vimieiro e de outro o Marqus de Cascais. Este ltimo, por ser o mais hbil, acabou ganhando a questo.
3  A fixao definitiva do elemento humano, na baa de Paranagu, s ocorreu aps a descoberta de ouro nos ribeires que desaguam na baa. Surge ento Paranagu, 
a qual foi elevada  categoria de Vila em 1648, pelo seu Capito Mor Gabriel de Lara.
4  ntonina e Morretes tambm surgiram da cata ao ouro. Grande foi a rivalidade entre estes dois ncleos populacionais, devido aos caminhos que ligavam o litoral 
ao planalto de Curitiba. Antonina era ponto terminal do caminho da Graciosa, e Morretes do Itupava.

VOCABULRIO
Sesmaria ........... terra que o governo antigamente doava a quem requeresse, contanto que fosse pessoa casada e de certos bens.
Nmada ........... tribo ou indivduo errante, que no tem habitao fixa.
Aborgene .......... habitante primitivo de uma regio indgena.
Capito Mor ........ ttulo que recebia a principal autoridade de uma vila ou cidade no Brasil colonial.
Lugar Tenente ...... aquele que representa e desempenha as funes de outrem.
Pg. 29
LEITURAS E DOCUMENTOS 
Termo de ajuntamento que o Capito Gabriel de Lara fez e o mais povo:

"Aos 26 dias do mz de Dezembro na era de 1648 mandou o Capito Gabriel de Lara tocr caixa na sua porta, aonde acudiro todos, e logo mandou buscar nua Proviso 
do Syndicante, em que manda se fasa justia nesta povoao onde mais largamente consta na copia, que nesta vai ao todo, e depois de lida perguntou geralmente a todos 
se tinho alguns Embargos que alegar sobre o provimento, onde todos a hua voz diero que no  ms antes me Requerio como Capito deste povo, fizese Eleio, porquanto 
no podio estar sem justia e perecio  falta dela; e visto o requerimento do povo: ordenou logo como ao adiante se v e mandou a mim Escrivo este termo onde 
todos assignaro com este: junto comigo Escrivo  Gabriel de Lara, Joo Gonalves Martins, Joo Gonalves Penedo etc."

Pauta da Eleio  Termo de Eleio que o Capito Gabriel de Lara com o povo Junto em 26 de Dezembro de 1648.
"Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jezus Christo o qual termo fis eu Antnio Vianna Escrivo do pblico para onde fui mandado, e logo o dito Capito as ntar por 
haver Eleitos, como abaixo se v aonde se assignou comigo Escrivo  Gabriel de Lara, Domingos Pinto deu Bto (voto) para Eleitor a quem o dito Capito deu o Juramento 
dos Santos Evangelhos que bem, e verdadeiramente desse bto, em seis homens que lhe parecesse de s conscincia pera Eleitor, nomeou por seu juramento.
O Capito Joo Gonalves Penda .............. 16 btos (votos)
O Capito Joo Maciel Bzan com ................ 17  btos (votos)
Estevam Difonte com ............................ 15  btos (votos)
O Capito Grysstomo Alves com ................ 15  btos (votos)
Joo Gonalves Martins ..........................   5   btos (votos)
Domingos Pereira com ........................... 15  btos (votos)
Pedro de Uzda com ............................ 15  btos (votos)
Pedro Andr com ................................   2 btos (votos)
Pg. 30
Sahiro por Eleitor como parece  o Capito Grysstomo Alvares, o Capito Joo Maciel Bso, Estevam Difontes, Domingos Pereira, Pedro de Uzda e o Capito Joo 
Peneda".

Hans Staden em suas "Viagens e Cativeiro entre os ndios do Brasil", assim descreveu o acidente que o levaria ao litoral paranaense:
"Certo dia, 18 de novembro (1549), verificou o nosso piloto a altura do sol e viu que estvamos a 28 graus de latitude [...]. Nisto sobreveio um temporal violento, 
que nos ameaava lanar contra as rochas. Tornou-se to grave o perigo, que a cautela nos levou a juntar vrios barris vazios amarrando-os uns aos outros e pondo 
dentro plvora e armas; assim, se naufragssemos, poderiam os sobreviventes ganhar a terra e defender-se dos ndios, pois as ondas levariam  praia os barris encastoados. 
Cresceu de vulto a tempestade e por fim foi nossa nau levada para umas rochas submersas a quatro braas de fundo. Diante do perigo inevitvel, aproamos  terra para 
encalhar. Quis Deus, entretanto, que, ao chegarmos perto das rochas, avistssemos um porto e nele pudssemos entrar. Estava l um pequeno navio, que logo se ocultou 
por detrs de uma ilha; no pudemos saber que navio era, nem o seguimos. Deitamos ncora, agradecendo a Deus o precioso socorro que nos enviara e, em seguida tratamos 
de enxugar nossas roupas.
Imagem: HANS STADEN  Artilheiro alemo que naufragou na baa de Paranagu em 1549, foi um dos primeiros a legar um escrito referente s terras do litoral paranaense, 
bem como um pequeno esboo referente  Baa de Paranagu.
Duas horas da tarde seriam. Logo depois apareceu uma canoa de selvagens com mostras de nos querer falar. Permitimos que se aproximassem; nenhum de ns, porm, entendia 
a lngua dos selvagens e o mais que fizemos foi dar-lhes facas e anzis, com o que nos deixaram e voltaram para terra.  noite veio outro barco de indgenas, desta 
vez trazendo consigo
Pg. 31
dois portugueses. Perguntaram-nos de onde vnhamos e muito se admiraram da percia do nosso piloto, porque apesar de conhecedores daquela angra, nenhum deles se 
atreveria a entrar com uma tempestade tamanha.
Imagem: Mapa de Hans Staden, mostrando a Baa de Paranagu, existente no livro "Viagens e Cativeiro Entre os ndios do Brasil", editado em Malburg em 1557.
Contamos nossa aventura, atribuindo a Deus o salvamento depois de muito se espantarem com o feito, disseram-nos os portugueses que estvamos EM SUPERAGUI, A DEZOITO 
LGUAS DA ILHA DE S. VICENTE, que pertencia a Portugal. L moravam eles, e tambm os do navio pequeno que fugira de ns, certos de que ramos franceses.
Perguntamos a que distncia ficava a ilha de Santa Catarina, para onde queramos ir, o soubemos que a 30 milhas para o sul, mas que l havia uma tribo de selvagens 
carijs da qual devamos acautelar-nos. J dos indgenas do porto de Superagui, nada devamos temer. Tambm indagamos da latitude do lugar. Responderam-nos que era 
o grau 28, o que ia certo com as nossas observaes".
Pg. 32

UNIDADE I
Pr-Histria e Colonizao
4
A Explorao do Ouro
O grande desejo que tinha Portugal de encontrar ouro, na sua colnia da Amrica do Sul, no se satisfez no sculo XVI. Os indcios desse precioso metal eram raros. 
As primeiras descobertas de ouro, em quantidades razoveis, foram feitas no sul do Brasil. Em 1646, Gabriel de Lara, Capito Povoador* de Paranagu, comunicava s 
autoridades da Capitania, em So Paulo, a existncia do precioso metal nos riachos que desaguam na baa de Paranagu. Na mesma poca, ocorrem idnticas, descobertas 
em Canania, Iguape e no vale do rio Ribeira. Com esses achados, inicia-se o ciclo da minerao no Paran e no Brasil.
O desejo das autoridades portuguesas de encontrar ouro em sua colnia, em grande quantidade, era to forte, que antes mesmo de se verificar se as minas encontradas 
em Paranagu eram realmente produtivas e explorveis, j o Governador Geral do Rio de Janeiro nomeava, para dirigir e orientar o desenvolvimento das minas, um Administrador 
Geral e um Provedor* em Paranagu.

AS PRIMEIRAS AUTORIDADES
Eleodoro bano Pereira, "General das Canoas de Guerra das Costas do Sul", foi nomeado para Administrador Gerela das Minas das Capitanias
Pg. 33
do sul, e Mateus de Leo como Provedor das mesmas. Eleodoro bano Pereira organizou s minas descobertas, reunindo os garimpeiros em arraiais, que so aldeamentos 
improvisados como os do Atuba, Assungui, Arraial Grande, Arraial Queimado etc. Imps a ordem nos mesmos e estabeleceu em Paranagu uma Casa de Fundio, para a cobrana 
do quinto. Chama-se quinto o pesado imposto que a Coroa impunha aos mineradores e exploradores, e consistia na entrega da 5 parte de todo o ouro encontrado pelos 
mesmos. Os homens do garimpo frequentemente procuravam furtar-se a to oneroso imposto, ocultando e desviando o produto de seu trabalho. A Casa da Fundio, em Paranagu, 
tinha a funo de transformar todo o ouro, encontrado nos nossos garimpos, em barras, nas quais ia estampado o carimbo real, e de cobrar nesta ocasio o 5.. A circulao 
do ouro, em p ou em pepitas, era ilegal. Estas barras aurferas eram posteriormente remetidas  Casa da Moeda do Rio de Janeiro, que as amoedava.

PENETRAO NO SERTO
A contnua e progressiva atividade dos mineradores fez os mesmos subirem o leito dos rios que desaguam na Baa de Paranagu, sempre  procura de files de ouro. 
Desta maneira, transpuseram a Escarpa do Mar e foram faiscar no Planalto, ainda no sculo XVII.
Pg. 34
As rotas mais usadas para a penetrao no plantio foram duas:
1  Pelo rio Nhundiaquara, antigo Cubato, onde, j em 1653, Eleodoro bano Pereira assinalava 11 minas.
2  Pelo vale do rio Ribeira do Iguape, o qual nasce no planalto, atravessa a Escarpa do Mar e vai desaguar no litoral paulista.

As picadas abertas na travessia da Escarpa do Mar, utilizando-se dos rios faiscados, vo dar origem aos primeiros caminhos que ligaram o litoral com o planalto, 
como o da Graciosa, do Itupava e do Arraial. Por outro lado, o vale do Ribeira j era o usado pelo tradicional caminho do Peabiru*.

LOCALIZAO DAS MINAS
As minas do litoral encontravam-se, de preferncia, a oeste e ao norte da baa de Paranagu. Exploravam os mineradores o cascalho dos rios, utilizando-se da chamada 
bateia, que  uma espcie de peneira de madeira com fundo cncavo, onde se lava a areia e o cascalho que contm as partculas de ouro.
As mais famosas minas do litoral eram as do Pantanal e Panajias, esta uma das mais produtivas, explorando-se o ouro em cascalho azul. Era seu proprietrio o sargento 
Domingos Cardoso Lima. Sua residncia era adornada com tapetes de Damasco e baixelas de prata; possua uma banda de msica que seus escravos tocavam quando o senhor 
ia a Paranagu, fazendo uma entrada farolesca na vila.
Outras minas importantes: Limoeiro, Marumb, Uvaparanduva, Tagaaba, Serra Negra etc.
No planalto, a explorao das minas atingiu maiores propores. Explorava-se na regio de Curitiba, Assungui, Tibagi etc. No planalto de Curitiba, ficavam as famosas 
minas do Arraial Grande, que deram origem  cidade de So Jos dos Pinhais. Vultuosos foram os trabalhos de pesquisa no leito do rio Arraial, localizado naquele 
municpio. Existiam ainda as minas do Arraial Queimado, atual Bocaiuva do Sul, a Botiatuva, Purun, Atuba, Vilinha, Canguiri etc.
No vale do rio Ribeira, distinguiram-se as minas localizadas nos rios Assungui e Ribeirinha, sendo as mais produtivas as do itambe, Furnas etc.
Pg. 35
Penosa e difcil era a vida dos mineradores. Verdadeiros pioneiros enfrentavam destemidamente o serto bravio estimulados pelo desejo de enriquecimento rpido. Agrupavam 
seu acampamento, formando um arraial, onde moravam em toscas cabanas de pau, cobertas com folhas de palmeira ou capim. Com frequncia, esses rudes mineradores contraam 
casamento com ndias da regio, o que vai causar um elevado ndice de miscigenao, entre o homem branco e a mulher ndia.
A alimentao era deficiente, porque poucos se dedicavam  agricultura e  pecuria. A maior parte das mercadorias vinha de longe, o que causava um alto custo de 
vida. No Arraial Grande, maior ncleo de minerao no planalto, eram prsperos os armazns de secos e molhados, de ferragens e fazendas.
A descoberta de riqussimos veios aurferos, em Minas Gerais, vai provocar um verdadeiro xodo da populao dos garimpos  para aquela regio, tentando melhor sorte, 
que aqui lhes era adversa.

DECADNCIA DAS MINAS
Como a produo das minas no estava satisfazendo a cobia das autoridades portuguesas, o prprio Governador do Rio de Janeiro, Salvador Corra de S e Benevides, 
veio pessoalmente a Paranagu, em 1660, para inspecionar e incentivar o trabalho, porque lhe impressionava o pouco resultado deste.
Imagem: Salvador Correia de S e Benevides.
Pg. 36
Apesar das esperanas e das vrias inspees que foram realizadas, diminua cada ano a quantidade de ouro extrado. Isto acontecia por uma razo muito simples: as 
minas estavam esgotadas. No entanto, assim no pensava o governo portugus. Achava o mesmo que a sonegao do imposto do 5. era a responsvel pela queda da produo. 
A sonegao existia, mas inegavelmente as minas estavam exaustas. Recorrem, ento, as autoridades portuguesas, a um novo tipo de imposto, para manter sua arrecadao: 
a capitao.
Este sistema, que vai se tornar odioso, consistia em que cada senhor de escravos pagaria 4 1/2 oitavas* de ouro por escravo ao ano, enquanto que:

Casas comerciais grandes .............. 16 oitavas anuais 
Casas comerciais mdias, tendas, tavernas e aougues ........................ 12 oitavas anuais 
Mascates e pequenos estabelecimentos ...   8  oitavas anuais 

Tal sistema, no Brasil, foi um desastre, principalmente no sul. A situao tornou-se gravssima quando surgiu mais um imposto, o chamado "donativo dos chapins da 
Rainha", que tinha por finalidade angariar fundos para o casamento dos prncipes portugueses.
De qualquer forma, em 1784, as oficinas de fundio de ouro em Paranagu foram fechadas, porque sua manuteno era mais onerosa do que o lucro que proporcionava.

CONSEQUNCIAS DO CICLO DA MINERAO
A minerao do ouro foi o primeiro ciclo econmico paranaense. Deixou atrs de si uma srie de efeitos:
1  Povoamento do litoral por mineradores vindos de vrios pontos do Brasil.
2  Surgimento de Paranagu, e povoamento do litoral por homens atrados pela cobia do ouro.
3  Desbravamento e colonizao do primeiro planalto, at ento praticamente desconhecido.
4  Fundao de Curitiba, hoje capital do Estado, que se originou dos antigos arraiais aurferos.
5  Abertura de picadas que ligaram o planalto curitibano ao litoral, transpondo a Escarpa do Mar, vias de comunicao vitais para o desenvolvimento da regio.
Pg. 37

SNTESE
1  Em meados do sculo XVII, foi descoberto o ouro e iniciada a sua explorao na baa de Paranagu, Canania, Iguape e vale do rio Ribeira.
2  Os faiscadores de ouro, subindo os riachos e picadas da Escarpa do Mar, formaram arraiais no planalto, os quais deram posteriormente origem  cidade de Curitiba.
3  A vida nestes arraiais era difcil, havendo falta de vveres, pois todos dedicavam-se  explorao do ouro, no havendo quem se dedicasse  agricultura.
4  A minerao foi praticamente abandonada quando se descobriram os ricos files aurferos nas Minas Gerais, deslocando-se ento muitos dos faiscadores que aqui 
se encontravam para o planalto central brasileiro, ficando a regio em estado de abandono.    
5  O ciclo do ouro no Paran  o responsvel pelo incio do povoamento do litoral e do planalto curitibano.

VOCABULRIO
Capito Povoador ... pessoa encarregada, nos tempos coloniais, de povoar uma regio.
Provedor ........... pessoa encarregada de prover, dirigir.
Peabiru ............ caminho pr-colombiano que ligava o litoral brasileiro at o Oceano Pacfico, no Peru.
Baixelas  ........... vasos, talheres e pratos de mesa.
xodo  ............. emigrao de um povo, ou sada em massa por parte de uma populao.
Oitava  ............. medida antiga, que corresponde  oitava parte da ona.
1 ona = 28,691 gr.
Pg. 38

LEITURAS E DOCUMENTOS
Prego, (edital falado para se dar conhecimento ao pblico), que o Governador e Capito da Capitania de So Paulo, Antnio da Silva Caldeira Pimentel mandou publicar 
na vila de Paranagu.

"Por evitar os descaminhos que poder ter os Reaes quintos, me parece o conveniente mandar publicar este Bando, a toque de caixas na Vila de Paranagu para que venha 
a notcia de todos aqueles moradores, e dos mais de toda aquela Comarca, que Sua Magestade que Deos guarde, foi servido ordenar por Lei publicada em 13 de Fevereiro 
de 1719, que toda pessoa de qualquer condio que seja, que dezemcaminhar os Reaes quintos, e levar Ouro em p ou fundido sem o ser na casa da Fundio, ou fora 
dos districtos dellas, haja de perder todo o Ouro; ou seja seu ou alheio e se lhes confiscaro todos os seos bens moveis e de raiz para a Fazenda Real; e ser degradado 
dez annos para o Estado da ndia dando-se a metade de todo o Ouro que se confiscar  pessoa que o declarar, cuja declarao ou denuncia se poder tomar em segredo, 
para que nunca se venha a saber a pessoa que o denunciou..."

Santos, 10 de Maio de 1792. Antnio Silva Caldeira Pimentel.

Decadncia da minerao
"Nas ltimas dcadas do sculo XVII j estava em desagregao a economia fundada em Paranagu sobre a cata do ouro de lavagem.
A comunidade, que no conseguira enriquecer durante o perodo anterior ao da abertura das Minas Gerais, cair ento em estado de penria vivendo de pequenas plantaes 
de gneros como o arroz e a mandioca, que permutava com tecidos de algodo e sal, trazidos do Rio e de Santos, por pequenos navios de revendedores; os principais 
moradores tinham apenas "quatro ou cinco escravos, com que lavram seus mantimentos e vo s minas".
Brasil P. Machado  1963

A Gnese da Comunidade Paranaense:  
"Nos sculos XVI e XVII reas cada vez mais amplas no sul foram alcanadas por grupos paulistas empenhados no apresamento de autctones [...] Ao mesmo tempo, onde 
pudessem encontrar ouro, prata ou pedras preciosas [...] Vasculharam terras e rios nessa esperana. Na rea parnanguara
Pg. 39
da Capitania de Santo Amaro, bem como no planalto adjacente, foram encontradas, em pocas sucessivas, faisqueiras promissoras. Especialmente na marinha, onde as 
encontraram j em meados do sculo XVI, as lavras mais ricas [...] Os mineradores subidos de Paranagu, quando esta j mantinha sua produo em ritmo estacionrio 
ou decadente, no tiveram o mesmo sucesso. No planalto, as faisqueiras foram de escassa produo, exigindo muita lida para pouco ouro".
Octavio lanni in "As metamorfoses do escravo"

Carta Rgia de 14 de abril de 1673 escrita pelo prncipe D. Afonso  cmara de Paranagu de teor seguinte:
"Eu Prncipe vos envio saudar [...] e por ser tanto em benefcio de minha fazenda, e augmento de meus vassallos me pareeo ordenar-vos como o faso ao Provedor da 
Fazenda do Rio de Janeiro, e aos Capites e Cmaras dessa Capitania [... ] que vendo todos a mesma proposta e ouvindo os povos, asentem o melhor modo que parecesse 
para que a fabrica do ouro da lavagem se continue e v em augmento...
O Prncipe

Trecho de Romrio Martins sobre as primeiras minas de Paranagu.
Com as minas descobertas no litoral paranaense, "ia eficientemente comear o ciclo da minerao no Paran e at mesmo da Colnia. Antes que a explorao se iniciasse 
regularmente porm, j o governo da metrpole, pelo seu delegado, o Governador Geral do Rio de Janeiro, nomeava Administrador e Provedor para o seu desenvolvimento, 
pesquisas de novas jazidas e defesa fiscal dos quintos reais.
Foi para esse fim que, em 1645-47, o Governador Geral do Sul do Brasil Duarte Corra Vasqueannes, expediu a Eleodoro Ebano Pereira como Entabolador e Administrador 
nos Distritos do Sul e o Provedor da Fazenda Real Pedro de Souza Pereira, a Mateus de Leo para seu delegado em Paranagu, onde mal se tinham descoberto as primeiras 
minas e nem se sabia ainda se seriam produtivas.
Mas o prprio fato da presena de autoridades oficiais nas regies das minas ento descobertas, contribuiu para despertar o interesse por esse novo gnero da atividade 
sertansta e em breve Iguape e Paranagu se tornam "as Povoaes mais florescentes da costa, enquanto no foram descobertos os ricos aluvies de Minas Gerais".
R. Martins in "Histria do Paran", 3a ed., pg. 181
Pg. 40

UNIDADE l
Pr-Histria e Colonizao
5
Origem e Fundao de Curitiba

PRIMRDIOS
Existia no sculo XVII, no primeiro planalto, chamado atualmente de curitibano, uma srie de ncleos de garimpeiros, provisoriamente instalados, sem nenhuma construo 
de pedra, com sua populao habitando choas cobertas com folhas de buti. Esta populao esparsa vasculhava os cascalhos dos riachos,  procura de pequenas pepitas* 
de ouro, to avaramente cobiadas.
Ao mesmo tempo, neste serto bravio, como o era ento a regio onde hoje situa-se a cidade de Curitiba, tambm habitavam ndios e alguns mamelucos*. Os faiscadores 
de ouro, vindos sobretudo do litoral, de Canania, Iguape, So Paulo e at do Rio de Janeiro, foram organizados e mantidos em ordem por Eleodoro bano Pereira, administrador 
das minas de ouro nos distritos do sul. Era, na poca, a nica autoridade que representava o Governo Geral instalado no Rio de Janeiro. Como representante do Governo, 
era Eleodoro o coordenador da minerao na regio. Mas nunca foi um povoador; por isto  duvidoso atribuir-lhe qualquer participao na fundao da vila de Curitiba.
Conta uma tradio antiga que Soares do Valle, membro de uma conhecida famlia de So Paulo, desentendeu-se com o governador da Capitania
Pg. 41
e teve que fugir, devido  perseguio que lhe movia o dito governador. Embrenhou-se ento pelos sertes incultos, vindo a encontrar-se nos Campos Gerais paranaenses; 
chegou s campinas de Curitiba, donde avistou a Escarpa do Mar e foi at Paranagu. Escreveu ento ao sogro, a fim de que viesse e lhe trouxesse a mulher e os filhos. 
Isto de fato ocorreu, e juntamente com sogro veio tambm Loureno Rodrigues de Andrade com sua famlia, estabelecendo-se os mesmos nos campos de Curitiba, na pequena 
povoao de nome Vilinha, localizada no Atuba de hoje.
Imagem: Fundao de Curitiba, segundo a lenda, na concepo do renomado artista paranaense Teodoro De Bona. Quadro existente no salo nobre do Colgio Estadual do 
Paran.
Entre os muitos arraiais aqui existentes, existia um, s margens do rio Atuba, com a denominao j citada. No se sabe exatamente por que razes, resolveram seus 
moradores mudar de regio. Conta uma lenda que todas as manhs a imagem de Nossa Senhora da Luz, que ali se venerava, estava com o olhar voltado para o lado onde 
queria que se erigisse sua igreja definitiva. Isto  fruto, naturalmente, da imaginao de seus habitantes. Mas a verdade  que os moradores realmente resolveram 
mudar a sede de sua povoao. A lenda continua narrando que para ter sempre uma boa amizade com os indgenas, os povoadores convidaram o cacique da tribo dos tingis, 
que habitavam a regio, para indicar-lhes o local apropriado. Este acede ao convite e, depois de procurar demoradamente um bom lugar, fincou uma vara no cho,
Pg. 42
dizendo: "Cor-etuba" i.., "muito pinho", "aqui". Da expresso do cacique tingiu ao encontrar o lugar apropriado, proviria o nome da capital paranaense.
Esta vara do cacique tingi, fincada no cho, teria brotado e crescido, tornando-se uma rvore frondosa.
 verdade que no se encontram documentos histricos que comprovem a veracidade destas afirmaes; entretanto, como  uma tradio que no se contradiz, ao contrrio, 
completa-se com os fatos reais ocorridos com a fundao de Curitiba, deve ser reconhecida como verdadeira.
A participao dos ndios no surgimento de Curitiba deve ser real, porque  o nico argumento que explica as boas relaes que sempre existiram entre os brancos 
portugueses e os indgenas, na regio de Curitiba. O fato explica a harmonia existente entre os colonos e faiscadores de ouro com o gentio*, antes e depois de sua 
fundao.
A harmonia entre esses dois grupos humanos no existiu, por exemplo em So Paulo, vila esta que foi atacada vrias vezes pelo indgena hostil.
Com o correr do tempo, vrias outras famlias vieram juntar-se a este incipiente ncleo de populao. Sabe-se que, em 1661, Baltazar Carrasco dos Reis e Mateus Leme 
j residiam com suas famlias no vale do rio Barigi. A estas e outras famlias, agregaram-se outras, mais modestas, que forneciam a mo-de-obra para a lavoura e 
a pecuria, juntamente com os escravos e os ndios j civilizados.
Imagem: Em cima, um aspecto de Curitiba do sculo XIX. vendo-se a rua das Flores, atual XV de Novembro.
Pg. 43
Neste lugar, erigiu-se ento, para o culto religioso, uma capela sob a invocao de Nossa Senhora da Luz e Bom Jesus dos Pinhais, no local onde ergue-se hoje a Catedral 
Metropolitana,  praa Tiradentes.

EREO DO PELOURINHO* E ELEIO DAS PRIMEIRAS AUTORIDADES
Aos 4 de novembro de 1668, estando o agrupamento de casas em torno de uma tosca capelinha ainda em situao irregular, pois surgiu sem o conhecimento das autoridades 
superiores, os moradores desta pequena vila reuniram-se para sua regularizao.
Solicitaram a Gabriel de Lara, cuja autoridades e prestgio moral era indiscutvel como capito-mor de Paranagu, a ereo do pelourinho, smbolo de posse por "El-Rey". 
Gabriel de Lara, achando justa a pretenso dos moradores, deferiu o pedido. O pelourinho foi levantado e lavrada a ata desse acontecimento, sendo assinada por 18 
moradores.
Por razes ainda desconhecidas, Gabriel de Lara no procedeu  eleio das autoridades, como era necessrio. De forma que, em 1668, a situao de Curitiba no foi 
regularizada perante as autoridades de Paranagu e de So Paulo, nem mesmo foi eleita a cmara municipal.
Imagem: Curitiba em 1855, segundo um desenho feito por J. H. Elliot.
Devido ao isolamento em que vivia esta modesta povoao, separada do litoral por ngremes penedos da Escarpa do Mar, distante de So Paulo 110 lguas, os moradores 
no eram incentivados a constiturem autoridades, porque viviam sossegada e pacatamente.
Pg. 44
Gabriel de Lara j havia falecido, quando os moradores de Curitiba, assustados pela onda de roubos e crimes que aqui passaram a ocorrer, solicitaram essa constituio 
ao homem mais respeitvel da Vila, que era Mateus Martins Leme, um verdadeiro patriarca* da regio. Percebendo este que a populao estava realmente inquieta com 
a falta de justia e que a ordem pblica era constantemente perturbada por forasteiros, obrigando-se a andar armada, tomou as providncias que julgou necessrias.

FUNDAO DEFINITIVA
Juntou-se o povo no dia 29 de maro de 1693 na pequena capela de Nossa Senhora da Luz e Bom Jesus dos Pinhais, para eleger suas autoridades.                     
Assim, 25 anos depois do surgimento do Pelourinho, organizou-se politicamente a vila de Curitiba.
Mateus Leme solicitara ao Capito-Mor de Paranagu, Francisco da Silva Magalhes, a legalizao daquele ato, em vista das requisies populares. Magalhes, sabendo 
que em 1668 Lara j havia autorizado esse ato, concordou com a vontade e as necessidades dos curitibanos.                                    ;
Foi ento, neste dia 29 de maro de 1693, que, de acordo com as leis vigentes, os "homens bons" da vila escolheram seus eleitores. Estes eleitores  que indicavam 
os componentes da cmara municipal (vereadores), os juizes ordinrios, o procurador da cmara e o escrivo.
Imagem: Marco de pedra ainda existente na praa Tiradentes, vendo-se nitidamente a Cruz de Malta, "arma" do governo portugus.
Pg. 45
A Cmara Municipal de Curitiba, antes de construir sua sede prpria, realizava suas sesses na igreja, a qual fora cedida para esta finalidade, no passando ento 
de uma choa de pau a pque, coberta de palha.
Imagem: Marco Zero de Curitiba, donde so medidas e contadas todas as distncias. Situa-se  praa Tiradentes, no local da fundao da cidade.
A populao da vila recm instalada vivia em stios prximos ao ncleo central. Suas casas eram construdas de pau a pique, preenchido com barro: no possuam soalho, 
sendo o cho de barro batido; porm, quase todas as residncias estavam bem cuidadas. O mobilirio era muito simples: uma mesa, em torno da qual sempre havia bancos 
corridos e as arcas, que ao mesmo tempo serviam de assento, nas quais eram guardados os cereais ou roupas. Nos dormitrios, havia camas toscamente feitas, e nada 
mais. Por volta de 1721, sua populao, segundo o Ouvidor Rafael Pires Pardinho, atingia 1.400 pessoas.

O MEIO GEOGRFICO DE CURITIBA
O isolamento em que viviam os curitibanos era negativo ao seu desenvolvimento. Seu clima favorvel, bem como o local, cercado de bosques e campos, era propcio  
pecuria e  agricultura. Entretanto, a benignidade de seu clima no conseguia anular os fatores negativos: a Escarpa do Mar, de difcil transposio, encoberta 
pela mata atlntica que  cerrada, muito intrincada por cips, dificultava ao curitibano a venda de sua produo agrcola e pastoril. Acostumara-se a plantar e criar 
quase somente aquilo de que necessitava para seu prprio consumo. O pouco que sobrava de arroz, feijo, milho, congonha (mate) ou carne seca, era transportado com 
grande dificuldade ao litoral e ali trocado por sal, farinha, algodo, ferragens etc.
Por muito tempo, este transporte era feito por homens a p, sobretudo por escravos. S bem mais tarde, o transporte passou a ser feito no lombo de animais. A ligao 
de Curitiba com o
Pg. 46
Imagem: Panorama da cidade nos fins do sculo XIX, vendo-se o famoso bondinho puxado a burros, na esquina da rua XV de Novembro com a Baro do Rio Branco.

litoral, atravs de veculos rodovirios, somente foi possvel no sculo passado, com a abertura da estrada da Graciosa, e posteriormente pela estrada de ferro.
Imagem: "Vista area" de Curitiba de 1875; nada mais  que a maquete existente no Museu Paranaense, fotografada de cima.

Apesar de todas estas adversidades, em 1818, sua populao, juntamente com a das fazendas prximas, era a seguinte:
populao branca .................. 6.140
mulatos livres ..................... 3.036
negros livres ...... . ..............   251
escravos .......................... 1.587
Total.....................................11.014
Pg. 47

SNTESE
1  Originou-se Curitiba dos pequenos garimpos existentes no planalto, cujos faiscadores procediam preferencialmente de Canania, Iguape, S. Paulo e at do Rio de 
Janeiro.
2  Conta uma tradio que foi Soares do Vale um dos seus habitantes mais ilustres, o qual teria fugido de S. Paulo para o planalto curitibano.
3  Secundo a lenda, foram os habitantes de um pequeno arraial chamado "Vilinha" que, com o auxlio de um cacique tingu, escolheram o local da nova povoao que 
resolveram fundar.
4  O pelourinho foi erigido em 1668 por Gabriel de Lara, mas as autoridades somente foram eleitas em 1693, sob a direo de Mateus Martins Leme.
5  O meio geogrfico curitibano, nos primeiros sculos, foi adverso ao seu maior desenvolvimento.

VOCABULRIO
Pepita..............gro de ouro, muito irregular, que se encontra nos cascalhos e nas areias dos rios aurferos.
Mameluco.................... termo que define o indivduo nascido do cruzamento entre pessoas da raa branca e ndia.
Gentio .......................ndio, pago, indivduo que no  civilizado.
Pelourinho.................coluna, geralmente de pedra, colocada na praa central de uma vila ou cidade, representando o poder legalmente constitudo. Era na praa 
do pelourinho que se expunham e se castigavam os escravos no Brasil colonial.
Patriarca....................chefe de uma famlia numerosa, entre os antigos.
Pg. 48
LEITURAS E  DOCUMENTOS
FUNDAO DA VILA DE CURYTIBA       
ACTA DE LEVANTAMENTO DO PELOURINHO       

"Saibo quantos esta publico instromento de poce e levantamento de Pelourinho virem em como aos quatro dias do mez de Novembro de mil seissentos e sesenta e oyto, 
nesta Vila Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, estando o cappam mr Gabriel de Lara nesta dita vila, em presena de mim Tabelio fizero os moradores desta dita vila 
requerimento perante elle dizendo todos  hu voz que estavo povoando estes campos de Coritiba em terras e lemites da demarcao do Sr. Marquez de Cascais, e assim 
lhe requerio como Capam-mr e Procurador bastante do dito Snr. mandasse levantar Pelourinho em seu nome, por convir assim o servio d'el-Rei e acrescentamento do 
donatrio; e visto o requerimento dos moradores ser justo mandou logo levantar Pelourinho com todas as solemnidades necessrias, em paragem e lugar desente nesta 
Praa de que mandou pasar este termo por mim Tabelio onde todos se asignaro commigo Antonio Martins Leme que o escrevi , (assinado) Gabriel de Lara, Matheus Leme, 
Gaspar Carrasco dos Reis, Luiz de Ges, Ignocencio Fernandes, Andr Fernandes dos Reis, Amaro Pereira Mateus Martins o moo, Joo Martins Leme, Francisco da Gama 
Pais, Thomaz de Castanheda, Joo da Gama, Manoel Cardoso, Domingos Rodrigues da Cunha, Domingos Andrade, Manoel Martins Leme, Angelo Nunes Camacho".

Requerimento para a criao das justias
Sr. Cappan Povoador. Os moradores todos asistentes nesta povoao de Nossa Senhora da Luz e Bon Jisus dos Pinhais que atendendo ao servio de Deos e o de Sua Magestade, 
que Deos guarde paz quietaso e ben comum deste povo, e por ser j oje mui crecido por pasarem de noventa homens, e quanto mais cresce a gente se vo fazendo mores 
desaforos, e ben se vio esta festa andarmos todos com as armas na mo. e apoleirou-se dos outros mais e outros ensultos de roubos, como he notrio e constante pelos 
casos que tem susidido e daqui em diante ser pior, o que tudo causa o esta este dito povo to desenparado do governo e desiplina da justia. E atendendo ns, que 
ao dyante ser pior por no aver a dita justia e por ser j decrepito e no lhe obedeserem, seja servido promitir a que aja jutsisa nesta vila, nela a gente bastante 
para eyxerser os cargos da dita justisa que faz nomero de trs povos, e pela ordenaso ordena Sua Magestade que avendo 30 homens se eleja justia, e demsis de que 
consta Vmc. por duas vezes procurou aos Cappitais mres das capitanias debayxo lhe viessem criar justia na dita povoao, sendo que no era necessrio por ter avido 
j aqui justisa em algum tempo criada pelo defunto Capp am-ms Gabriel de Lara,
Pg. 49
Imagens: Dois aspectos antigos da Curitiba moderna: um bebedouro para animais, dos poucos ainda conservados pela Prefeitura. A Igreja da Ordem e um tradicional sobra 
do curitibano.

que levantou Pelourinho en nome do donatrio o Sr. Marquez de Cascais ; Pello que requeremos a Vm. da parte de Deos e d'el-Rei que visto o que alegamos e o nosso 
pedir ser justo e bem comum de todo este povo, mande ajuntar e fazer alejso e criar justisa na camara formada para que asim aja temor de Deos e d'el-Rei e por as 
coisas en caminho. E receber Merc.

Despacho:
Junte-se o povo. Referireis o que ao que pedem.
Pinhais 24 de Maro de 1693.  Leme.
Pg. 50
Assim o sbio francs Saint Hilaire viu Curitiba, em 1820:
"Tem ela a forma mais ou menos circular, e compe-se de duzentas e vinte casas de pequenas dimenses e cobertas de telhas, quase todas de um s pavimento, sendo 
muitas, porm, construdas de pedra. Cada casa
Imagem: Antigo Mercado Municipal, o qual cedeu lugar para a construo do artstico edifcio da Prefeitura Municipal. Hoje Museu Paranaense.

Possua o seu quintal, onde no se vem bananeiras nem mamoeiros e cafeeiros; so macieiras, pessegueiros e outras rvores frutferas europias, que ali constumam 
plantar.
As ruas so largas e bem traadas; umas foram inteiramente caladas, e outras, apenas defronte das casas. A praa pblica  quadrada, espaosa e coberta de grama. 
A igreja principal, a de Nossa Senhora da Luz foi construda na praa publica, mas fora do centro do referido logradouro, o que redundou em prejuzo da simetria". 
S. Hilaire (adaptado)
Pg. 51
O ouvidor Rafael Pardinho esteve na vila de Curitiba em 1705, do qual advieram notveis decises e julgamentos.

Provimento n. 35: "Que no matto groso que fica junto desta villa para a parte do norte que em 22 dias do mez de Setembro de 1705 se tomou della hua legoa para rocio 
ser livre a todos os moradores hirem cortar e lavrar" madeira para fabricar casas, e assim tirar tacoara e barro para arrear, e pedra, e nenh vezinho que pra a 
dita parte ficar lho poder impedir nem o tirar pedra onde ouver e conduzir tudo para donde mais conveniente lhe for para fazer casa e edifcios na villa e no rocio 
della. E lhe adverte que deixem hir cortando-se os matos perto da villa, com que pelo tempo em diante seja custoso dos moradores, e conduzirem de longe a lenha para 
o gasto cotidiano de suas casas sobre o que faro suas posturas e acordos."
Pg. 52

UNIDADE l
Pr-Histria e Colonizao
6
Ocupao do Oeste do Paran
A Espanha reconheceu com relutncia o domnio portugus sobre as terras situadas a oeste da linha de Tordesilhas, terras estas que ficaram em completo abandono desde 
a destruio das redues jesuticas pelos bandeirantes paulistas. Este reconhecimento s veio a ocorrer em 1750, com o tratado de Madri, ou seja, aproximadamente 
120 anos aps a destruio das redues. Durante todo este espao de tempo, a regio ficou como terra de ningum, entregue ao gentio. Com o tratado de Madri, aqui 
no Paran a fronteira recuou da linha de Tordesilhas at o rio Paran, tal qual se encontra em nossos dias. Porm em 1761, em virtude de contingncias polticas 
europias, Portugal e Espanha entraram em guerra, o que veio a anular o Tratado de Limites. Voltou, pois, a reinar a confuso, e recrudesceram as antigas lutas nas 
fronteiras meridionais do Brasil.
O espanhol Pedro de Cebalos apoderou-se da Colnia do Sacramento*, invadiu o Rio Grande do Sul e chegou a ocupar a ilha de Santa Catarina. O perigo de invaso  
Capitania de So Paulo,  qual pertencia o Paran, era eminente, em sua parte meridional. Governava-a, ento, D. Lus Antnio Botelho Mouro o Morgado* de Mateus. 
Este obedecia s ordens do famoso Marqus de Pombal, poderoso ministro de D. Jos I. Chegou, o
Pg. 53
Morgado de Mateus, a So Paulo, em 1765. Trouxe planos j preparados em Portugal para defender a Capitania da ameaa espanhola e ocupar os sertes existentes a Oeste 
da linha de Tordesilhas.

DEFESA DO LITORAL
O fiel executor das ordens e da poltica do Morgado de Mateus, em territrio paranaense, foi seu sobrinho, Afonso Botelho Sampaio e Souza. Sua misso no litoral 
era fortalec-lo, prevenindo-se contra um provvel ataque espanhol. Suas principais providncias foram:
a  Construir a Fortaleza da Barra de Paranagu, na ilha do Mel.
b  Fundar a vila de Guaratuba e de So Jos de Arapiraca.

FORTALEZA DA ILHA DO MEL
A construo da conhecida fortaleza do litoral iniciou-se em 1767 e foi concluda dois anos aps. A populao de Paranagu negou-se inicialmente a colaborar em dinheiro 
e escravos para sua construo, como determinara o governador da Capitania de So Paulo.
Alegavam os parnanguaras o miservel estado da terra e de seus moradores. De fato, com a decadncia da minerao do ouro, as vilas entraram em declnio e a misria 
apossou-se da maioria da populao. Em Paranagu, encontravam-se, por ocasio da vinda de Afonso Botelho, apenas 67 homens que possuam alguma propriedade; os demais 
eram "gente de p descalo". Porm, apesar de sua pobreza, os habitantes acabaram contribuindo com dinheiro e escravos para a construo. A vila de Paranagu tambm 
foi fortificada, cavando-se trincheiras e executando-se obras de defesa em lugares estratgicos.

FUNDAO DE GUARATUBA
Como todo o litoral entre Paranagu e So Francisco, onde se localiza a Baa de Guaratuba, estivesse desguarnecido, apesar de ali viverem alguns moradores, achava-se 
a baa completamente sem defesa.
Pg. 54
Afonso Botelho, dando cumprimento s determinaes de D. Lus, convocou todos os moradores da regio, para se reunirem na pequena povoao j existente na entrada 
da baa.
Imagem: Igreja de Guaratuba, construda nos meados do sculo XVIII.  uma das poucas obras da arquitetura brasileira deste sculo, existente no Paran.
Em 29 de abril de 1771, erigiu-se a o pelourinho, com a presena do Tenente Coronel Afonso Botelho, do ouvidor geral da comarca de Paranagu, Loureno Maciel Azamor 
e das demais autoridades, tomando a pequena vila o nome de Vila de So Lus de Guaratuba. Fundou tambm, Afonso Botelho, a vila de So Jos de Ararapira, posto de 
vigia situado na foz do rio Ribeira.

DESBRAVAMENTO DO SERTO
Aps a revogao do Tratado de Madrid (1750), Portugal alterou sua poltica de fronteiras. Inicialmente, fundou fortes militares, o que significava uma poltica 
irritante para com os espanhis. D. Lus e o Marqus de Pombal alteraram ardilosamente sua poltica, no sentido de substituir os fortes militares por povoaes civis, 
o que lhes daria mais direito de posse. Assim, em 1766, D. Lus expediu ordem ao sertanista Capito Antnio Correia Pinto, para dirigir a fundao de uma vila nos 
sertes do sul da Capitania de So Paulo. Surgir, desta maneira, Lages, hoje em territrio de Santa Catarina.
Pg. 55
Porm, a ambio poltica do Morgado de Mateus, escudado pelo poderoso Marqus de Pombal, no conhecia limites. Visavam eles:
a  Fazer o levantamento dos nossos sertes, conhecendo os vales do Tibagi, Grande do Registro (Iguau), Iva etc.
b  Estabelecer bases para uma futura invaso dos domnios castelhanos*.

Planos grandiosos, sem dvida, mas de difcil soluo, pela grande falta de recursos do governo portugus, pela imensido dos sertes e pelo fato de se enfrentar 
uma nao mui poderosa e vigilante: a Espanha.

BANDEIRAS DE AFONSO BOTELHO
De 1768 a 1774, no curto espao de 6 anos, Afonso Botelho realizara no planalto paranaense uma obra valiosa:
a  Reanimou e desenvolveu as vilas do Registro (Lapa) e Sant'Anna do lap (Castro).
b  Empreendeu 13 expedies (bandeiras)  nossa hinterlndia*.
c  Descobriu e fez o reconhecimento dos Campos de Guarapuava.

Das diversas bandeiras empreendidas por Botelho, podemos destacar as seguintes:
a  Do Tenente Domingos Lopes Cascais, que desceu e explorou o rio do Registro (Iguau). Voltou decepcionado, por comprovar a inavegabilidade deste rio, em virtude 
do grande nmero de saltos e corredeiras encontradas.
b  Do Capito Estvo Baio, que descobriu o rio Iva, ao qual deu o nome de D. Lus, em homenagem ao Morgado de Mateus, governador da Capitania. Parte dessa expedio 
chegou at as Sete Quedas, no Rio Paran, e ao rio Piquiri.
C  A expedio de Bruno Figueiras, explorando os rios Iguau e Potinga.
Pg. 56
d  Do Capito Silveira Peixoto, que explorou o rio Paran, encontrando a uma fora castelhana que o aprisionou, passando, os seus componentes, sete longos anos 
nas prises de Buenos Aires.
e  A  expedio do Tenente Cndido Xavier, que aps infrutferas buscas  procura dos homens de Silveira Peixoto, descobriu os afamados campos de Guarapuava. Corria 
o ano de 1770.

OS CAMPOS DE GUARAPUAVA
Afonso Botelho, que tudo dirigia, com grande jbilo comunicou a descoberta a D. Lus; porm Cndido Xavier, que ocupava os campos descobertos, no recebendo reforos 
como pedira,  obrigado a voltar por escassez de alimentos, armas e a constante ameaa indgena. D. Lus. enfurecido, chegou a ameaar Cndido Xavier com a priso 
perptua, intimando-o a restabelecer o domnio sobre os campos de Guarapuava. Para D. Lus, no existia o perigo indgena, que lhe parecia ilusrio.
Em virtude da reao violenta do Governador da Capitania, Afonso Botelho resolveu ir em pessoa efetivar a conquista de Guarapuava. Como compartilhasse com D. Lus 
da opinio de que os indgenas no eram srio obstculo a qualquer expedio, no se preparou devidamente, levando apenas uma pea de artilharia, "para ter com que 
realizar salvas de tiro nos dias de festas religiosas".
A expedio realizou incurses, exploraes e caadas, nos campos de Guarapuava. Os indgenas receberam-nos muito bem sendo cumulados de presentes. Tudo parecia 
correr maravilhosamente, existindo grande familiaridade entre brancos e ndios.
Afonso Botelho chegou a escolher o local para a construo definitiva de uma fortaleza. Porm, certo dia, os ndios, muito sorridentes convidaram os soldados para 
os seguirem. Foram a p e o capito Francisco Carneiro Lobo acompanhava-os a cavalo. Caminharam o suficiente para desaparecerem atrs de uma colina. Era uma emboscada. 
O Capito Carneiro, de cima do cavalo, pode divisar o martrio de seus soldados. Conseguiu fugir e alertar o acampamento, graas  sua montaria.
Havia necessidade de grande fora militar para submeter o indgena, que era muito numeroso; Afonso Botelho no estava preparado e optou pela retirada, para salvar 
a vida de seus comandados. Toda esta expedio foi intil, porque mais parecia
Pg. 57

uma excurso do que uma expedio. Afonso Botelho estava armado para caadas, possuindo apenas um canho e poucos homens. O nico resultado positivo foi a verificao 
de que os espanhis no possuam postos avanados naqueles sertes inspitos.
Em obedincia a novas instrues do governo portugus, que no queria choques com os espanhis, para preparar  paz entre as duas naes, os paranaenses abandonaram 
estes sertes por quase quarenta anos. O enorme territrio ficou aberto  cobia dos espanhis, que, se no o ocuparam, foi por falta de iniciativa.
Todas as expedies enviadas para o oeste paranaense foram infrutferas, apesar dos ingentes sacrifcios para realiz-las. Felizmente para o Brasil e tambm para 
o Paran, o tratado de limites, assinado em 1777 (Sto. Ildefonso), entre as duas potncias ibricas*, confirmou a posse portuguesa desse territrio.
Durante as dezenas de anos em que o territrio ficou completamente abandonado, os ndios no cessaram de atacar fazendas e sertanejos no interior do Paran.
Um acontecimento decisivo para a conquista definitiva da regio foi a vinda para o Brasil da famlia real portuguesa, em 1808. O prncipe D. Joo, desejando ocupar 
definitivamente os sertes do sul, dirigiu-se ao governador de So Paulo:
1  Autorizando a concesso de sesmarias nos sertes paranaenses.
2  Legalizando a caa ao ndio e sua escravido, porque, segundo ele, todos os meios humanitrios, utilizados para reduzi-los, falharam.

O Presidente de So Paulo, Franco e Horta, conseguiu junto  corte a criao de uma "Junta da Real Expedio e Conquista de Guarapuava", a qual eliminou a inumana 
lei do extermnio do gentio. O financiamento desta expedio seria obtido por um novo imposto, lanado no registro de Sorocaba, sobre o gado que transitasse pelo 
caminho do Viamo.

DIOGO PINTO DE AZEVEDO PORTUGAL
Foi o homem escolhido para chefiar a expedio, que visava no somente a conquista, mas tambm o povoamento dos campos. Para tanto, foram recrutados em Curitiba 
200 soldados, o que era um nmero extraordinrio, face  pequenez da povoao. A expedio no era somente militar: compunha-se de homens, mulheres
Pg. 58
e crianas, todos desejosos de obterem terras gratuitamente, como fora prometido.
Grande foi a viso de Diogo Pinto, no incorrendo no erro de Afonso Botelho, o qual no mandou abrir uma estrada que desse acesso  regio. Diogo Pinto sabia o valor 
de uma via de comunicao permanente, para o sucesso da empresa que dirigia. Achava-a indispensvel para o novo ncleo.
Imagem: Diogo Pinto de Azevedo Portugal, segundo desenho de Theodoro De Bona.
Usando dos poderes que possua e para no ver fracassada sua misso, Diogo Pinto recrutou os homens de que precisava para a abertura da estrada na vila de Castro 
e arredores, onde, devido  recusa de muitos de seus habitantes, teve de recorrer a seus poderes para conseguir,  fora, a concretizao de seus objetivos.
O territrio paranaense nesta poca, estava em franca decadncia. A economia regional, que inicialmente se havia baseado na cata ao ouro, havia desaparecido. As 
populaes viviam de uma lavoura de subsistncia*, plantando arroz, feijo, milho etc. A nica atividade que ainda proporcionava algum lucro era a pecuria, cuja 
produo era absorvida por So Paulo e Minas Gerais, atravs do caminho que se dirigia para Sorocaba, pelo serto.
Apesar de tudo, a estrada foi aberta.
Chegados  regio dos campos de Guarapuava, o comandante organizou a construo de uma fortaleza, que recebeu o nome de Atalaia. Esta foi construda de madeira, 
numa elevao, em forma quadrangular, e defendida por fossas e paliadas.
Pg. 59

Pe. FRANCISCO CHAGAS LIMA
Foi, este extraordinrio sacerdote curitibano, escolhido para chefiar o trabalho de catequese do indgena da regio. Sua obra civilizadora em Guarapuava foi notvel. 
No seu trabalho junto ao gentio, no conhecia descanso. "Combateu os instinto maus dos brancos e praticou atos de abnegao que o tornaram um dos mais dignos exemplos 
de vida sacerdotal de seu tempo. A este levita do Senhor se deve o fato de no ter sido intil a empresa da frrea vontade de Diogo Pinto".
Em sua tarefa, foi o Pe. Chagas imensamente auxiliado por um notvel cacique chamado Pahy, o qual, demonstrando enorme dedicao  civilizao e ao cristianismo, 
contribuiu para atrair e pacificar o gentio.
Imagem: Mapa, organizado pelo padre Francisco Chagas Lima, dos Campos de Guarapuava, mostrando a diviso da regio em propriedades.
Porm, uma profunda divergncia iria ocorrer entre o comandante Diogo Pinto e o Pe. Chagas. Este ltimo era favorvel  separao entre brancos e ndios, ao passo 
que o comandante com isto no concordou, misturando os soldados com os ndios. Os temores do padre se concretizaram, pois sendo o ndio completamente
Pg. 60
mente ingnuo, a convivncia com os soldados facilitou sua corrupo. Esta e outras divergncias fizeram com que a povoao no prosperasse. A "Junta da Real Expedio 
e Conquista de Guarapuava", cometera um grave erro ao ordenar a retirada da tropa ali estacionada, ficando o padre Chagas desamparado e sem auxlio. Nestas circunstncias, 
no fora o denodo e o devotamento do notvel sacerdote, os campos de Guarapuava teriam sido novamente abandonados.
Felizmente, a "Junta", percebendo o erro que havia praticado, e aps ouvir as queixas do padre Chagas, ordenou a volta da tropa a Guarapuava, agora sob o comando 
do Tenente Antnio Rocha Loures.
Em virtude de Atalaia situar-se em lugar considerado imprprio, o catequista e o comandante escolheram um novo local para a povoao, recebendo este o nome de Nossa 
Senhora de Belm, que deu origem  atual cidade de Guarapuava.

SNTESE
1  Devido  revogao do Tratado de Madrid e o estado de guerra entre Portugal e Espanha, o governo portugus resolveu fortificar o sul do Brasil, que era cobiado 
pelos espanhis.
2  De tal surpresa, foi encarregado Afonso Botelho Sampaio e Souza.

a  ordenou a construo da fortaleza da barra de Paranagu.
b  fundou a vila de Guaratuba e S. Jos de Ararapira.
c  ordenou a fundao de Lages .
d  enviou 13 expedies de reconhecimento ao interior.
3  A expedio de Tenente Cndido Xavier descobriu os afamados Campos de Guarapuava.
4  Afonso Botelho foi pessoalmente conquist-los, porm no conseguiu pacificar o gentio e resolveu retirar-se.
5  A conquista definitiva ocorreu graas  vontade frrea de Diogo Pinto de Azevedo Portugal e a abnegao sem limites do padre Francisco Chagas Lima.
Pg. 61
VOCABULRIO
Colnia do Sacramento fundada por portugueses  margem esquerda do rio da Prata em 1680; Portugal ambicionava dar o rio da Prata como limite meridional  sua colnia 
americana.
Morgado.....................filho primognito que herda bens, que no podem ser vendidos nem divididos.
Subsistncia............manuteno da vida.
Comarca ...............diviso judicial de um Estado sob a responsabilidade de um juiz de direito.
Castelhano.............de Castela, significando hoje espanhol, ou lngua espanhola.
Hinterlndia ..........interior, regio situada no interior.
Potncias Ibricas ........pases que compem a Pennsula Ibrica: Portugal e Espanha.

LEITURAS E DOCUMENTOS
Os vereadores da cmara de Paranagu, em 28/1/1766, apreciando a determinao de D. Lus Afonso Botelho, ordenando o auxlio para a construo da fortaleza da barra, 
deliberaram:
"Que atendendo ao mizeravel estado da terra e seus moradores, lhes no convinha contribuir com couza algua para a mesma obra pois que limitada que fosse a julgavo 
violenta. Que esta Villa era, a mais numerosa do povo que tinha a marinha; com alguas faisqueiras de Ouro, e abundncia de mantimentos, s seenta ou setenta com 
algum tratamento, o mais tudo gente de p descalo"...
Antnio V. dos Santos

Fundos para a expedio de Diogo Pinto
Para o financiamento da expedio aos campos de Guarapuava o governo de D. Joo viu-se forado a lanar mo de um novo imposto sobre as tropas que transitassem pelo 
caminho de Sorocaba e Viamo, j que este comportava uma sobrecarga especial de imposto, destinada ao provimento de tais despesas, legislou a Carta Rgia que o novo 
imposto seria cobrado "pelo espao de 10 anos, no Registro de Sorocaba, de um novo
Pg. 62
tributo de 200 ris sobre toda a cabea de gado vacum e cavalar que passar pelo mesmo registro [... ] nos primeiros 5 anos e findo este primeiro prazo, ficaria o 
dito tributo reduzido  metade nos ltimos 5 anos, e seu produto seria aplicado pura e simplesmente ao servio da nova expedio".

Artur Martins Franco in "Diogo Pinto e a Conquista de Guarapuava"  1943  pg. 60.

De que tipo de pessoas era composta a expedio?
"De perto e de longe famlias abastadas, algumas grandes, outras pequenas, se apresentavam a cavalo, com seus camaradas e seus escravos e com suas tropas carregadas 
de bagagem, aderindo  Expedio [... ] e famlias operrias para trabalhar na expedio e fazer jus aos prometidos lotes de terras [... ] e famlias de aventureiros, 
mineradores fanticos, l se vo a cata de ouro [... ] A expedio  constituda de considervel multido: homens, mulheres, moos, velhos, crianas [...]  vo para 
um mundo desconhecido.

F. R. Azevedo Macedo in "Conquista Pacfica de Guarapuava"  1951  pg. 113.

O conhecido cronista Saint Hilaire assim se referiu  expedio de Diogo Pinto:
"Quando, alguns anos atrs, comearam a construir a estrada para Guarapuava, sob as ordens de Diogo Pinto, foraram os habitantes da regio a trabalhar sem lhes 
pagarem devidamente, alm de os tratarem com excesso de rigor. Mais de mil pessoas abandonaram o distrito, indo refugiar-se na Provncia do Rio Grande do Sul. Da 
a razo por que fui encontrar em Castro tantas casas abandonadas e em runas [... ] Quando se propalou esta notcia, todas as famlias ficaram aflitas, tendo a maioria 
dos habitantes preferido fugir e embrenhar-se novamente no serto infestado de ndios a trabalhar quase de graa, longe de suas mulheres e de seus filhos".
Saint Hilaire, in "Viagem  Comarca de Curitiba"  1820.
Pg. 63

Ocupao dos Campos de Palmas   
Os campos de Palmas, que compreendem hoje o denominado "sudoeste paranaense", foram descobertos em 1720 pelo curitibano Zacarias Dias Cortes. Vasculhou este sertanista 
a regio  procura de ouro, encontrando-o todavia em pequena quantidade.
O interesse despertado pela regio em virtude da existncia de ouro, levou ao envio de outras expedies, as quais abriram uma picada, comunicando os campos de Palmas 
com Lages.
No sculo XIX. vrias expedies partiram para ocupar e colonizar definitivamente estes campos. Joaquim Ferreira dos Santos e Pedro Siqueira Cortes, partindo ambos 
de Guarapuava, instalaram-se definitivamente nos denominados campos dos Biturunas, dando incio  colonizao desde prspero quinho da terra paranaense.
Pg. 64

UNIDADE l
Pr-Histria e Colonizao
7
Os Caminhos e o Tropeirismo
Nos primeiros sculos da histria brasileira, os meios de locomoo e as vias de penetrao eram completamente precrios e insuficientes.
As nicas vias existentes eram os chamados "caminhos" por onde s podiam transitar tropas de muares, devido s precrias condies. As autoridades portuguesas no 
se preocupavam com o problema do transporte. Os caminhos surgiam espontaneamente.
Em territrio atualmente paranaense, os primeiros caminhos terrestres tiveram sua origem com os indgenas. Depois de utilizados largamente pelos bandeirantes em 
suas caminhadas, transformaram-se com o correr do tempo em caminhos de tropas, pelo menos em largos trechos.

O PEABIRU
Nome de origem tupi, que os ndios davam ao caminho Transcontinental* que ligava o Peru, no Oceano Pacfico, com So Vicente, no Atlntico.  um caminho pr-colombiano. 
i.., existente antes do descobrimento da Amrica. O Peabiru partia de S. Vicente, ou de Canania no litoral paulista, atravessava a Escorpa do Mar, penetrando pelo 
vale do rio Ribeira do Iguape, transpunha os Campos Gerais, ultrapassava os rios Tibagi, Iva Piquiri,
Pg. 65
e pelo vale deste ltimo atingia a regio das Sete Quedas no rio Paran; atravessava este rio, penetrava em territrio paraguaio, e, vencendo a Cordilheira dos Andes, 
terminava no litoral peruano. Possua numerosas ramificaes para o norte e para o sul.
Os primeiros colonizadores e desbravadores de origem europia utilizaram-se freqentemente desse caminho. Assim, Pero lvares Nunes Cabeza de Vaca, com 250 homens, 
partindo do litoral de Santa Catarina, subiu pelo rio Itapocu, ultrapassou a Escarpa venceu os campos de Tindiqera (Araucria) e foi encontrar a linha tronco do 
Peabiru. Continuou ento a trilh-la para o  oeste, em direo ao Paraguai. Saliente-se que Cabeza de Vaca s poderia ter realizado tamanha faanha naquela poca, 
tendo prvio conhecimento da existncia de tal caminho e ainda com a utilizao de ndios guias.
Os companheiros do artilheiro alemo Hans Staden utilizaram-no na sua viagem ao Paraguai, bem como muitos aventureiros como Joo Ferdinando, Ulrich Schmidl e muitos 
outros.
Pg. 66
Os jesuitas do Guair deram a este caminho o nome de So Tom, apstolo que, pensavam eles, teria vindo  Amrica, catequizar os ndios; identificaram-no com um 
personagem indgena lendrio, o Pai Zum, que, segundo os indgenas, lhes teria ensinado muitas coisas.

CAMINHO DA GRACIOSA
Ao que tudo indica, essa estrada fora antigamente uma picada pela qual os ndios, localizados no planalto, desciam ao litoral. Posteriormente, os faiscadores de 
ouro avivaram-na ao subirem pela Escarpa, em direo ao planalto. Os viandantes que faziam a ligao entre a marinha e o interior, decidiram o abandono deste caminho, 
em virtude de ser mais extenso do que os outros existentes. Apesar das vrias tentativas que houveram no sentido de proporcionar-lhe condies de trnsito de muares, 
pouca coisa de concreto se fez.

O Ouvidor* Rafael Pires Pardinho, em 1721, j provia a sua abertura.

O Sargento Simo Cardoso Pazes fez-lhe reparos por sua prpria conta.

O famoso tropeiro Tenente Manuel Teixeira de Carvalho ordenou o seu melhoramento e fez por ela a primeira travessia de muares para o litoral. No entanto, a abertura 
definitiva do caminho foi ordenada pelo Governador e General da Capitania de So Paulo, Antnio Franca e Horta. Este forou as populaes das vilas de Antonina e 
Morretes a contribuir com dinheiro e trabalhos na execuo da obra. Esta atitude de certa forma ditatorial, vai levantar contnuos e veementes protestos da parte 
da populao e cmaras municipais de Morretes e Paranagu, que foram as mais prejudicadas, pelas seguintes razes:

1  A estrada da Graciosa ligava Curitiba a Antonina, passando longe de Morretes. Ora, tal projeto afastaria o comrcio, pois os tropeiros que por ela transitassem 
abaster-se-iam logicamente, na praa de Antonina, com grande prejuzo para a de Morretes.

2  Antonina levava vantagem como porto, por ser martimo e poder receber navios. O mesmo porm no ocorria com Morretes, pois era fluvial. A navegao pelo rio 
Nhundiaquara fazia-se em canoas at Paranagu, apesar dos vrios trechos perigosos. A cidade de Paranagu preferia
Pg. 67
que se utilizasse o porto de Morretes, porque as mercadorias que desciam no planalto a esse porto eram exportadas por Paranagu, enquanto que Antonina poderia ela 
mesma exportar, por ser tambm porto martimo.

Estes so os motivos pelos quais Morretes e Paranagu eram aliadas na chamada "Guerra dos Portos" contra Antonina. Esta "guerra" atrasou a abertura definitiva de 
uma boa estrada para o litoral, atraso que muito prejudicou o progresso da regio.
Apesar de tudo, em 1808 o caminho estava aberto e j se realizava o transporte serra abaixo. Porm, a grande maioria dos tropeiros preferia a utilizao do caminho 
chamado do Itupava. Mesmo as tropas que desciam pela Graciosa a Antonina. subiam pelo Itupava, o que levou as cmaras de Morretes e Paranagu a lanarem mais apelos 
e protestos contra o novo caminho. Tanto se bateram os morretenses e os parnanguaras, que a estrada de Itupava, que lhes favorecia, no foi fechada, e continuou 
sendo preferida pelos tropeiros, apesar de seus inmeros perigos.
Zacarias de Goes e Vasconcelos, primeiro presidente da Provncia do Paran, no dia seguinte ao de sua posse no cargo, ordenou ao engenheiro Baurepaire Rohan que 
procedesse a um exame e estudo das estradas existentes para o litoral e indicasse o melhor traado para a abertura de uma estrada que possibilitasse a passagem de 
veculos com rodas.
Note-se bem que, ainda em 1853, no havia no Paran uma rodovia que comunicasse a regio planaltina com o litoral. To importante era este problema, que o presidente 
Zacarias ousou afirmar:

"... a comunicao da provncia com a marinha, e os municpios de serra-abaixo com os de serra-acima, e negcio de to vital interesse, que no sei que utilidade 
haveria de crear-se esta provncia, se os seus mandatrios no cuidassem em resolver, a todo o transe, essa questo que a mais de 100 anos agita-se sem soluo satisfatria".

Aps minuciosos estudos, decidiu-se o governo a abrir uma rodovia para o litoral, utilizando, em sua maior parte, o antigo caminho da Graciosa. Entretanto, foi somente 
em 1872 que esta obra foi concluda definitivamente, sendo na poca considerada a estrada mais importante da Provncia, pois veio a desafogar a economia paranaense, 
atrofiada que estava no planalto, por falta de transporte eficiente.
Pg. 68

CAMINHO DE ITUPAVA
Conta uma antiga tradio popular que alguns caadores da Borda do Campo (campos localizados entre Curitiba e a Escarpa do Mar), perseguindo uma anta, vieram mat-la 
prximo a Porto de Cima. No trilho percorrido pelos caadores, foi aberta uma picada, que deu origem ao caminho do Itupava. Inicialmente, tal como o da Graciosa, 
s dava trnsito aos pedestres. A preferncia que os tropeiros manifestavam por esse caminho, em detrimento do da Graciosa, tinha as seguintes razes:

1  O caminho do Itupava era mais curto. A travessia da Escarpa, desde Curitiba, levava apenas dois dias, enquanto que, pela Graciosa, quatro dias.
2  A simpatia e a solidariedade dos tropeiros para com os comerciantes de Morretes. onde possuam inmeros amigos e fregueses. 

Afonso Botelho de Sampaio e Souza, em 1772, necessitando transportar dois pesados canhes para uso das expedies aos sertes paranaenses, as quais estava encarregado 
de realizar, vai melhorar este caminho, avivando a trilha j existente, e abrindo no alto da Escarpa uma nova. Desde ento, a Itupava passava por
Pg. 69
uma enorme rocha, chamada Cadeado. Neste local, o caminho foi aberto a plvora na rocha viva.  beira de um espantoso precipcio. Apesar deste trecho difcil de 
transpor, tornou-se ento possvel o trnsito de animais por esse caminho. O caminho do Itupava permaneceu como a principal via de transporte entre o planalto e 
o litoral, at a abertura definitiva da estrada da Graciosa, em 1873.
Desciam as tropas carregadas de congonha (erva mate), fumo, carne seca, couros, cereais etc., e subiam por sua vez com acar, ferragens, fazendas, lcool, sal etc.

CONTRATO DAS CANOAS
Terminava o caminho do Itupava nas margens do Nhundiaquara, no lugar denominado Porto de Cima. Havia necessidade ento do transporte fluvial para Morretes e Paranagu. 
Como nem sempre havia nmero suficiente de canoas para o transporte de mercadorias, foi necessrio instituir ali um servio permanente das mesmas, o qual recebeu 
o nome de Contrato das Passagens do Cubato.
O caminho terrestre entre Porto de Cima, Morretes e Paranagu, s mais tarde foi construdo e com muitas dificuldades, de vidas ao grande nmero de vrzeas ali existentes.

CAMINHO DO ARRAIAL
Este caminho foi aberto pelos faiscadores de ouro estabelecidos no chamado Arraial Grande, no atual municpio de So Jos dos Pinhais. Dos trs caminhos existentes 
para o litoral, era o que apresentava os maiores inconvenientes. Atravessava a Escarpa em lugares muito estreitos e perigosos. Na descida da Escarpa, passava pelas 
margens de dois ribeires, os quais impediam totalmente o trnsito por ocasio das chuvas, por sinal muito freqentes.
Servia este caminho aos moradores de S. Jos dos Pinhais e da Vila do Prncipe, antigo nome da cidade da Lapa.
No litoral, o caminho terminava no local denominado Porto do Rio do Pinto. Apesar do seu estado pouco satisfatrio, prestou esse caminho inestimveis servios s 
vilas de S. Jos e do Prncipe.
Pg. 70
ESTRADA DA MATA
A comunicao dos campos gerais paranaenses com S. Paulo  bastante antiga; porm, somente no sculo XVIII,  que vai definir-se a denominada Estrada da Mata.
Era na realidade um caminho, ou simplesmente uma picada, que comunicava os campos do Rio Grande do Sul desde Viamo at a tradicional feira paulista de Sorocaba.
Nos sculos XVIII e XIX, seu trnsito foi muito intenso. As populaes de Minas Gerais, atarefadssimas na lavra do ouro, no se dedicavam  pecuria nem  agricultura. 
Havia na regio grande premncia de vveres. Suas populaes eram abastecidas de carne bovina, com rebanhos vindos do nordeste brasileiro e do Rio Grande do Sul, 
via Sorocaba. O territrio paranaense ficava no trajeto do caminho utilizado para o transporte do gado, desde Viamo at Sorocaba. Recebeu o Paran os seus benefcios, 
no incio de sua formao histrica.
O gado transportado do Rio Grande do Sul era revendido em Sorocaba e conduzido at s Minas Gerais. No foi s o trnsito do gado bovino que caracterizou a Estrada 
da Mata; tambm as tropas de muares dominavam em seu trajeto. Realizavam as tropas de muares um ativo comrcio entre as vilas do interior paulista e gacho.
Estas povoaes, hoje progressistas cidades, enfileiram-se uma aps outra, tais como as contas de um colar, ao longo de sua rota. Cada cidade est separada da outra 
por uma distncia que corresponde a um dia de viagem do tropeiro. Nos locais destinados ao pernoite, estabeleciam-se negociantes, que construam algum cercado, para 
alug-lo ao tropeiro, para que os animais pudessem passar a noite sem perigo de se extraviarem.
Com o correr do tempo, esses pousos vo aumentando e recebendo sempre novos moradores, como ferreiros, arreadores, simples empregados etc.
Essa pequena, porm ativa populao, proporcionava toda a assistncia ao tropeiro e  sua tropa, fornecendo palha picada, milho, sal, feno etc. Hoje, esses antigos 
pousos so cidades. Tal  a origem do Rio Negro, onde se localizava a barreira (posto fiscal) que arrecadava os impostos devidos. Lapa, Palmeira, Ponta Grossa, Castro, 
Pira do Sul, Jaguariaiva etc.
Tinha esse caminho vital importncia, pois era o nico que f azia a ligao do Rio Grande com So Paulo pelo interior.
Curitiba foi um centro urbano que muito lucrou com a existncia da Estrada da Mata. Isto se deve ao fato de estar a mesma situada no entroncamento de duas rotas, 
sendo visitada freqentemente
Pg. 71
pelos tropeiros dessa estrada, que lhe estimulavam o comrcio. Por outro lado, era o ponto terminal dos caminhos do Itupava e da Graciosa. Assim, Curitiba firmou-se 
como cidade, e desenvolveu sua economia, de maneira a poder ultrapassar Paranagu e tornar-se a capital da futura Provncia do Paran.

O TROPEIRO E TROPEIRISMO
Foi o tropeiro um personagem tpico de nossa sociedade de antigamente. O dono das tropas no era um homem pobre. A formao de uma tropa requeria quantias razoveis, 
sendo a maioria de seus proprietrios homens abastados e de destaque. Foram
Pg. 72
tropeiros aqui no Paran homens como o Baro do Tibagi (Jos Caetano de Oliveira), o Baro dos Campos Gerais (Cel. David dos Santos Pacheco), o Cel. Joaquim Rezende 
de Lacerda, Francisco Paula e Silva Gomes, vulto ilustre e um dos arautos da emancipao poltica de nosso Estado, muito conhecido dos polticos e inclusive na Corte 
do Rio de Janeiro, e muitos outros.
O tropeiro desempenhava por conta prpria o trabalho do correio, numa poca em que o mesmo era praticamente inexistente no interior, era o homem que trazia as notcias 
dos ltimos acontecimentos aos vilarejos por onde passava; era tambm o portador de bilhetes, recados e o intermedirio de muitos negcios.

A TROPA
Era o burro o animal utilizado para o transporte, e no o cavalo, porque o muar possui qualidades surpreendentes: muito mais resistncia para as longas caminhadas 
e impressionante capacidade de suportar peso, o que o toma preferido para este servio, apesar de sua lentido. Foi a tropa, na poca, o principal meio de transporte, 
utilizado ainda hoje no serto, onde no chegou o caminho, por falta de estradas.
Foi para a poca, o transporte apropriado, pelas seguintes razes:
Pg. 73
1 - Dificuldade de se construrem estradas.
2 - Pequena densidade demogrfica* do pas.
3 - Vasta extenso de nosso territrio.
4 - Existncia de inmeras escarpas, rios e outros obstculos, dificultando a passagem de qualquer transporte.

Aqui tem uma gravura de vrias pessoas e cavalos: Algumas das dificuldadesenfrentadas pela tropa e pelo tropeiro. Ilustrao extrada de "Tropas e tropeiros na Formao 
do Brasil", de J.L. Goulart.

Veio ento o muar, a possibilitar a circulao de mercadorias, de bens e demais elementos civilizadores, at os mais longnquos rinces da ptria.


INCONVENIENTES DO TRANSPORTE DE TROPAS
Proporcionava este tipo de transporte inmeros e contnuos problemas:
1  Diariamente era preciso carregar e descarregar vrias vezes os animais de carga, nos pousos, para pernoite e descanso dos mesmos e na travessia dos rios, onde 
os animais descarregados passavam a nado e as mercadorias numa jangada improvisada.
2  Eram frequentes os acidentes, como a indocilidade dos animais, mordidas de insetos e cobras, atoleiros e precipcios, acarretando inmeras e contnuas demoras.
        Pg. 74
3  Fugas constantes dos animais, em prejuzo do tropeiro.
4  A desproporo entre a despesa feita para com cada animal e pequena quantidade de carga que este podia transportar.

PAPEL DESEMPENHADO PELO TROPEIRO
Foi o contacto ntimo e permanente do tropeiro de Sorocaba, dos Campos Gerais e do Rio Grande do Sul, que conseguiu aproximar os gachos do resto do Brasil, impedindo 
que os mesmos se tornassem castelhanos.
O territrio gacho, situado numa regio onde as fronteiras entre a colnia lusa e as terras castelhanas eram indecisas, sofria grande infuncia espanhola. Foi ainda 
o tropeiro que trouxe para o Paran inmeros termos de origem castelhana, como por exemplo: churrasco, chimango, charque, rabicho, arroio, bombacha, poncho, rinco, 
cochilha, estncia etc., termo estes que esto definitivamente incorporados no linguajar do paranaense.

SNTESE
1  Dos caminhos pr-colombianos que existiram no Paran, destacou-se o Peabiru, o qual ligava o litoral paulista ao Oceano Pacfico no Peru, passando em territrio 
paranaense.
2  A ligao entre o planalto curitibano e o litoral era realizado por trs caminhos:
a  Graciosa, ligando Curitiba a Antonina
b  Itupava, ligando Curitiba a Morretes
c  Arraial, entre So Jos dos Pinhais e Morretes.
Inmeras foram as rivalidades surgidas entre as vilas do litoral com relao  utilizao destes caminhos. A chamada "guerra dos caminhos atrasou a abertura definitiva 
de uma rodovia entre Curitiba e o litoral.
3  A Estrada da Mata, ligando o Rio Grande do Sul a So Paulo, desempenhou importante papel no progresso do interior paranaense, fazendo surgir inmeras vilas, 
nos locais de pouso, como Rio Negro, Lapa, Ponta Grossa etc., hoje prsperas cidades.
4  O tropeiro unia os lugarejos, levando notcias, introduzindo termos de influncia castelhana no nosso linguajar, desenvolvia as vilas etc. A sua influncia, 
o Paran muito deve.
Pg. 75
VOCABULRIO
Transcontinental..........................................................que atravessa o continente.
Ouvidor ........juiz tocado, i.., formado e nomeado pelo governo portugus nos tempos coloniais.
Grande calado...........diz-se dos navios que recebem grande quantidade de carga.  a relao entre a quilha da embarcao e a linha de flutuao.
Vrzeas.......terrenos baixos e planos que margeiam os rios; so facilmente inundveis.
Densidade demogrfica........... o nmero de habitantes por km2, i.., a relao entre a superfcie e a quantidade de habitantes de uma regio.

LEITURAS E DOCUMENTOS
Assim nos descreve o famoso naturalista francs Saint Hilaire a estrada do Itupava por ele percorrida em 1820.

"Nas proximidades de Boa Vista, o caminho  talhado na prpria montanha numa profundidade de quase quatro metros, e a passagem  to estreita que os animais a atravessam 
roando a carga em ambos os lados do cortel. Em seguida, comea a aparecer em frente um dos picos mais altos da Escarpa do Mar, ao qual deram o nome de Marumbi e 
cujas encostas, descendo quase verticalmente em muitos lugares so de rochas despidas de vegetao.  medida que caminhamos, a estrada vai-se tornando cada vez mais 
horrorosa; em muitos lugares, foi ela escavada profundamente; tem alguns ps de altura, e  coberta pelos ramos das rvores, privando o viajante da luz do sol. Ora 
so atoleiros de onde os muares so desatascados dificilmente; ora so esses animais obrigados a dar saltos de muitos ps de altura, porque o terreno muda subitamente 
de nvel [... ] O pior trecho em toda a extenso do caminho  aquele em que comea a descida; tem ele o nome de Cadeado; O declive a  bastante acentuado; as rvores, 
estendendo os seus ramos sobre a estrada cavada abaixo do nvel do solo, deixam-na mergulhada em quase completa escurido; anda-se por cima de pedras escorregadias 
e os muares so forados, a cada instante, a atirar-se para a frente com a sua carga [...] Gastamos quase oito horas para fazer um percurso de trs lguas.

Relatrio de uma comisso encarregada do exame da estrada do Itupava, constituda pela Cmara Municipal de Morretes em 1849.
"llmos Sres.  A Comisso encarregada por esta Cmara a examinar a Estrada que segue de Morretes a Curitiba, at a divisa do Municpio cumprindo com o que foi encarregada 
passa a dar num abreviado esboo do
Pg. 76
que observou. Da Vilia de Morretes at a povoao do Porto de Cima, pouco excede a huma legoa a plancie h a melhor possvel, e o assude para caminhar animaes com 
carga est regularmente conservado, no servindo com tudo para Carros, em atteno a pouca larguesa que tem na maior parte no excede a 12 palmos sentindo-se a falta 
de roadas para os lados do caminho para poder assim dar livre tranzito as tropas, quando se encontraro. As pontes de notar que, o taboado com que so cobertas, 
h muito delgado, e porisso pouca durao podem ter, algumas so feitas de pos ao comprido e de ruim qualidade, achando-se inteiramente em mo estado cauzando assim 
o prejuzo de no poderem tranzitar Carrtas no s pelo pessimo estado destas pontes como pela pouca largura dos Assudes. As caladas nos morros e Serras esto 
regularmente construdas faltando calar 158 braas de Caminho no morro do Formigueiro [... ] H quanto a Comisso pode informar a V. Sa. Morretes 10 de Maio de 
1849.

Um sistema de caminhos existia no sul do Brasil, percorrido a cavalo ou em lombo de burro, ligando vrias cidades meridionais e sobressaindo-se duas estradas de 
tropas:
Uma delas, a mais antiga, vinha desde Viamo, ligada por outros caminhos  campina riograndense e platina, e subia pela regio serrana das Vacarias, atravessava 
o planalto catarinense por Lages e Curitibanos e, depois de vencer com dificuldade as matas ao sul do Rio Negro, se espraiava pelos Campos Gerais, passando pelo 
Campo do Tenente e pela Lapa, donde ia atingir o rio Iguau a 14 lguas de Curitiba, em cujas margens estava instalado o Registro, para cobrana dos direitos "sobre 
gados e cavalgaduras", seguia para o Campo Largo e atravessando a Serra de S. Lus do Purun, alcanava a Palmeira e logo depois Ponta Grossa e Castro, de onde continuando 
para o norte e passando pelo rio Itarar, por Itapeva e Itapetininga, chegava a Sorocaba, depois a S. Paulo, onde se entrosava com os sistemas de caminhos que iam 
para o Rio e para Minas.
A outra estrada das tropas, aberta pelos prprios fazendeiros dos campos paranaenses, vinha da regio missioneira do Rio Grande, ligada a Corrientes na Argentina; 
atravessava o atual planalto catarinense em Xapec, cortava o Campo Er, atingia Palmas, donde seguia para o norte atravessando o rio Iguau; seguindo pelo vale 
do rio Jordo, chegava a Guarapuava e da, seguindo por Imbituva, alcanando Ponta Grossa onde se entrosava com a primeira estrada, a do Viamo".
Brasil Pinheiro Machado  1963
Pg. 77

Cartas que o Governador da Capitania de So Paulo enviou ao Conde de Oeyras em 1763 sobre a estrada da mata.
"O negcio da passagem dos animais de Curitiba e Viamo foi o maior que tem havido nesta Capitania, e ao mesmo tempo o mais til aos Registros de S.M. pelos direitos 
que neles costumam pagar os animais que saem daqueles Distritos para todas as partes das Minas, mas hoje se acha o dito totalmente arrumado e decadente pelo grande 
nmero de estabelecimentos de fazendas de criao que se tem fundado em os caminhos das Minas, de onde se provam sem pagarem os direitos a S. Mag. [... ] Em Minas 
no h necessidade deste comercio porque tem o do Ouro, que  o melhor de todos, e tem outros muitos de que podem viver os povos. Os do Viamo no tm outras Minas 
seno aquele negocio dos animais: alm disso vivem dele todos os Passadores em que fazem avultados lucros [... ] Povoa-se de fazendas e de homens aquela fronteira 
que  a mais exposta s invases do inimigo Castelhano, e a que necessita de maior defesa" [... ]
Dom Luiz Antonio de Souza
Pg. 78
UNIDADE II
Paran Provncia
8
Emancipao Poltica do Paran

Em 1660, o governo do Rio de Janeiro criava a Capitania de Paranagu, constituda pelos territrios que outrora compunham a Capitania de Sant'Anna. Esta criao 
vinha beneficiar ao Marqus de Cascais, um dos herdeiros de Pero Lopes de Souza, donatrio da Capitania de Sant'Anna. A Capitania de Paranagu existiu at 1710, 
quando foi extinta e incorporada aos territrios da Capitania de So Vicente e Santo Amaro, com os quais veio a formar posteriormente a Capitania de So Paulo. Esta, 
devido a sua enorme extenso, foi dividida em duas comarcas, ficando a do sul com sede em Paranagu, onde passou a residir o seu ouvidor. Mais tarde, em 1812, a 
sede foi transferida para Curitiba, passando a comarca a denominar-se "de Curitiba, a Paranagu".

PRIMEIRAS TENTATIVAS
As atenes que o prncipe Regente D. Joo, recentemente chegado ao Brasil, dispensara aos problemas da comarca de Paranagu, bem como a conservao do chamado caminho 
velho do Itupava entre Morretes e Curitiba, entusiasmaram nossa populao, fazendo-a almejar um objetivo comum; a obteno de um governo prprio. Para tanto, em 
1811, a comarca de Paranagu ser a primeira a enviar
Pg. 79
ao prncipe D. Joo uma representao neste sentido. Explicaram lhe as vantagens que adviriam com a criao de uma nova capitania, como sede em Paranagu. O lder 
deste movimento emancipacionista em 1811, foi Pedro Joaquim Correia de S, o qual tinha pretenses de tomar-se o Capito Mor da nova capitania. A Cmara de Paranagu 
deu-lhe todo o apoio necessrio neste sentido, inclusive uma procurao, autorizando-o a agir, no Rio de Janeiro, em nome da Cmara.
Correia de S, depois de vrias tentativas junto  Corte no Rio de Janeiro, v fracassada sua misso. De qualquer forma, foi este o primeiro movimento em prol da 
emancipao da comarca.

CONJURA SEPARATISTA
Uma nova tentativa de emancipao da comarca, agora j oficialmente denominada de "Curitiba e Paranagu", surgir em 1821, quando as autoridades e povo de Paranagu 
iriam jurar, em praa pblica, fidelidade s bases da Constituio do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, bem como s autoridades de So Paulo.
Com o fim de aproveitar a presena em Paranagu do Juiz de Fora* Antnio Azevedo Melo e Carvalho, os defensores da emancipao iniciaram um movimento que ficou registrado 
em nossa histria como CONJURA SEPARATISTA.
As autoridades da Comarca realizaram ento vrias reunies secretas. Deliberaram procurar o comandante da guarda do Regimento de Milcias*, o Capito Bento Viana, 
para solicitarem seu imprescindvel apoio, expondo-lhe seus argumentos em prol da emancipao da comarca, os quais assim podem ser resumidos:

a  A ignorncia e o despotismo dos comandantes militares da comarca, que no procuravam o bem do povo.
b  A falta de justia, devida  dificuldade que havia em impetrar recursos, perante as autoridades de So Paulo.
c  O fornecimento, pela comarca, de grande nmero de praas de guerra s milcias portuguesas, sobretudo para as entradas que desbravavam nossos sertes do Iguau, 
Guarapuava, Tibagi etc., ficando muitas famlias na misria.
d  A falta de moeda na comarca, devida s grandes somas que eram remetidas, como impostos, para So Paulo.
Pg. 80
e  o abandono em que se encontrava a comarca pela administrao de So Paulo, surda que era aos apelos e queixas populares.

Acabaram convidando-o para dar o brado de separao, por ocasio das solenidades de juramento, quando todos o apoiariam e conseguiriam desta forma o desmembramento 
de So Paulo. A eles respondeu Bento Viana: "Conheo demais o que me expem, e se em mim est o bem da minha ptria, amanh, s horas competentes, darei o brado 
de convite para nossa separao de So Paulo, contanto que no me enganem".
No dia 15 de julho de 1821, terminada a solenidade de juramento, com a presena do Juiz de Fora, autoridades, toda a tropa e o povo, Bento Viana solicitou ao Juiz, 
Dr. Antnio Azevedo Melo e Costa, a nomeao do Governo Provisrio, que os governasse separadamente de So Paulo, e que tudo se comunicasse a Sua Majestade, D. Joo 
VI.
O Juiz respondeu prontamente: "Ainda no  tempo; com vagar se h de representar a Sua Majestade". O valoroso militar retrucou-lhe: "O remdio logo se aplica ao 
mal quando este aparece e, portanto, no h ocasio melhor, nem mais oportuna". Nesta hora decisiva e crucial para Bento Viana e para a comarca, 'ningum lhe veio 
em auxlio, como fora combinado. Amedrontaram-se todos com a rpida resposta do juiz.
As autoridades, temerosas da existncia de um movimento subversivo de grandes propores, instalaram inqurito a respeito do movimento. Bento Viana nada sofreu, 
mas algumas autoridades foram perseguidas e tiveram que abandonar a comarca.
Nada portanto foi conquistado, de prtico, com a Conjura Separatista.

A LUTA CONTINUA
Apesar do desfecho nada favorvel do movimento de 1821, o ideal emancipacionista no havia desaparecido.
As cmaras de vereadores de Paranagu, Morretes, Antonina, Vila do Prncipe (Lapa), Curitiba e Santo Antnio do lap (Castro), solicitavam com frequncia a autonomia, 
j agora ao governo imperial brasileiro. A Secretaria dos Negcios do Imprio procurava as mais variadas informaes sobre a situao em que se encontrava a Comarca 
de Curitiba: dados estatsticos da populao, produo, indstrias, comrcio etc., porm nada de concreto surgia a respeito.
Pg. 81
Nesta fase, registraram-se os nomes de dois vultos hericos, e desinteressados, a lutarem em prol da autonomia; so eles Francisco de Paula e Silva Gomes e Manuel 
Francisco Correia Jnior.
Paula Gomes foi um tropeiro, muito relacionado nos meios comerciais e polticos do Rio Grande, So Paulo e da corte, no Rio de Janeiro. Era uma pessoa conhecida 
em toda parte por sua honestidade e pela integridade de seu carter. Em suas andanas nas capitanias do sul, empenhava-se a fundo na propaganda pela emancipao 
da 5a Comarca de So Paulo. Imprimia folhetos propagandsticos, que distribua em suas viagens de tropeiro. Gastou parte de sua fortuna nesta atividade poltica; 
quando a emancipao realmente veio, em 1853, e ele viu concretizado seu velho sonho, prosseguir em sua vida de tropeiro, tentando desta maneira recuperar a fortuna 
gasta na causa vitoriosa.

Aqui tem uma gravura: Correia Jnior foi coronel da Guarda Nacional. Por ocasio da revoluo liberal de 1842, armou e manteve, s prprias custas, um batalho legalista. 
No Rio de Janeiro, sempre procurou conseguir adeptos, na corte e entre os polticos para a causa da 5a Comarca.
Zacarias de Goes e Vasconcelos, o primeiro presidente da Provncia do Paran.

REVOLUO LIBERAL DE 1842
Todas as solicitaes e rogos da populao da 5a Comarca de So Paulo, para obter sua emancipao, no surtiram efeito.
Surgiu, ento, um fator decisivo para a causa: a complicao da vida poltica e militar da nao.
Desde 1835, os liberais do Rio Grande do Sul haviam se levantado em armas, contra os imperiais. Enquanto evolua esta revoluo, que tomou o nome de "Revoluo Farroupilha", 
a situao
Pg. 82
poltica no Rio de Janeiro tambm se havia complicado. O partido liberal estava profundamente desgostoso com as novas leis, nitidamente conservadoras, que haviam 
sido decretadas. A nova assemblia eleita fora dissolvida pelo governo, sob a alegao de fraude. Inconformados, iniciaram os liberais um movimento revolucionrio. 
em So Paulo e Minas Gerais. 
Para o governo de D. Pedro II, a situao, j difcil, tornar-se-ia crtica, se os liberais de Minas e de So Paulo revoltados, conseguissem unir-se aos farrapos 
do Rio Grande do Sul e formar uma frente nica revolucionria. Ora, este fato dependia da Comarca de Curitiba. Dominada politicamente por liberais, e estratgica 
mente colocada, sua adeso  revoluo ligaria as foras riograndenses com a "Coluna Libertadora" de So Paulo e Minas Gerais. Era mister cativar os curitibanos. 
Sua atitude seria decisiva.
O presidente de So Paulo, Baro de Monte Alegre, enviou para Curitiba um poltico hbil e pretencioso: Joo da Silva Machado. O ambiente em Curitiba era tenso. 
Inmeras eram as reunies secretas para anlise da situao poltco-militar. Silva Machado conseguiu seduzir os liberais curitibanos, com a promessa de elevao 
da Comarca  categoria de Provncia. Esta oferta foi confirmada pelo prprio presidente da Provncia de So Paulo e pelo comandante em chefe das foras legalistas. 
Duque de Caxias.
Finda a revoluo com a vitria dos legalistas. Monte Alegre cumpriu a promessa feita aos curitibanos, solicitando ao Ministro do Imprio a elevao da Comarca de 
Curitiba  categoria de Provncia. Foi, portanto, o prprio Presidente de So Paulo quem solicitou, oficialmente, ao governo imperial, a separao. Efetivamente, 
o deputado paulista Carneiro de Campos, apresentou um projeto na Cmara, criando a nova provncia, com a alegao de que nenhuma outra parte do territrio brasileiro 
era to merecedora e necessitada da elevao  categoria de Provncia.

A LUTA PARLAMENTAR
O governo imperial solicitou novamente todas as informaes necessrias s cmaras municipais da comarca, e em 1843 o projeto comeou a ser discutido no legislativo. 
A luta parlamentar, discusso e aprovao do projeto durou, entretanto, dez anos. A maioria aos deputados paulistas procurava entravar ou retirar o projeto, a qualquer 
custo. Seu principal temor era que So Paulo no pudesse subsistir sem a contribuio da comarca de Curitiba. Depois de inmeros argumentos pr e contra, o governo 
imperial manifestou-se favoravelmente  nova Provncia por ser esta "limtrofe
Pg. 83
da Repblica do Paraguai e da Argentina". Os deputados paulistas, desesperados, apresentaram um outro, que criava a Provncia de Sapuca, a qual seria desmembrada 
de Minas Gerais.
Com isto, manifestava-se a velha rivalidade entre paulistas e mineiros.
O projeto da provncia de Sapuca e a mudana da poltica na cmara, onde voltou a predominar a corrente liberal, fez com que o projeto da 5.3 Comarca fosse relegado 
a segundo plano.
Apesar das dificuldades legislativas, Correia Jnior e Paula Gomes continuam sem esmorecimento a propaganda pela emancipao, sobretudo na imprensa do Rio de Janeiro 
e So Paulo.

VITRIA FINAL
Somente em 1850, o assunto voltou a ser debatido no Congresso, agora no Senado. Fora apresentado nesta Cmara um projeto, que criava a Provncia do Amazonas. Voltou, 
ento, a ser debatido o problema da emancipao da Comarca de Curitiba.
Aqui tem uma gravura de uma Instalao da Provncia do Paran no dia 19 de dezembro de 1853, quando da tomada de posse de seu primeiro presidente, Zacarias de Goes 
e Vasconcelos. - Quadro que mede 4x6, de autoria de Theodoro De Bona, existe no Palcio Iguau, em Curitiba.

O senador Batista de Oliveira, numa emenda ao projeto, prope que a emancipao seja estendida tambm  comarca de Curitiba. O paulista Campos Vergueiro manifesta-se 
pela fuso da comarca de Curitiba com a Provncia de Santa Catarina, isto somente para criar embaraos  proposio de Batista de Oliveira. Aps
Pg. 84
acalorados debates e inmeras sugestes, em que a maioria dos representantes baianos e mineiros eram favorveis aos interesses dos paranaenses e os paulistas contrrios, 
o projeto acabou sendo dividido em dois: um para a comarca do Alto Amazonas e outro para a de Curitiba.
Os mais dinmicos batalhadores e defensores da causa curitibana foram: Cruz Machado e o senador Carneiro de Leo. Em 1850, foi aprovado o projeto que criava a Provncia 
do Amazonas, ficando o do Paran ainda em discusso, enfrentando inmeros entraves apostos pelos representantes paulistas.
Finalmente, a 2 de agosto de 1853, foi o projeto aprovado, tornando-se o Paran a mais jovem provncia do imprio. A solene instalao foi realizada a 19 de dezembro 
do mesmo ano, ocasio em que o primeiro presidente, Zacarias de Goes e Vasconcelos, tomou posse do cargo.
Lei n 704, sancionada pelo Imperador D. Pedro II em 29 de agosto de 1853, criando a Provncia do Paran.
"Art. 1.  A comarca de Curitiba, na Provncia de S. Paulo fica elevada  categoria de provncia, com a denominao de Provncia do Paran. Sua extenso e limites 
sero os mesmos da referida comarca.

Aqui tem uma gravura: O venervel imperador D. Pedro II sancionou a lei n. 704, a qual emancipava a Comarca de Curitiba da Provncia de So Paulo. Em 1880, o imperador 
visitou com grande comitiva a nova Provncia, sendo recebido entusiasticamente pelos paranaenses.

Art. 2.  A nova provncia ter como capital a cidade de Curitiba, enquanto a Assemblia respectiva no decretar o contrrio.
Art. 3. A Provncia do Paran dar um senador e um deputado  Assemblia-Geral; sua assemblia provincial constar de 20 membros.
Pg. 85
Art. 4. - O Governo fica autorizado a criar na mesma Provncia as estaes fiscais indispensveis para a arrecadao e administrao das rendas gerais, submetendo 
depois o que houve determinado ao conhecimento da Assemblia-Geral, para definitiva aprovao.
Art. 5  Picam revogadas as disposies em contrrio.

Mandamos portanto a todas as Autoridades a quem o conhecimento desta Lei pertencer, que a cumpram e faam cumprir e guardar to inteiramente como nela se contm. 
O Secretrio de Estado dos Negcios do Imprio a faa imprimir, publicar e correr. Dada no Palcio do Rio de Janeiro, aos vinte e nove de Agosto de mil oitocentos 
cinqenta e trs, trigsimo segundo da Independncia e do Imprio.
Imperador. P.

SNTESE
1  A primeira tentativa no sentido de emancipar a parte meridional da Capitania de So Paulo, ocorreu em 1811, com a atuao de Pedro Joaquim Correia e S.
2  Em 1821, houve em Paranagu o movimento denominado de Conjurao Separatista, onde sobressaiu o nome de Floriano Bento Viana.
3  Os principais argumentos em prol da emancipao da comarca de Curitiba eram:
a  Abandono da Comarca por parte do Governo de So Paulo.
b  Ignorncia e despotismo das autoridades nomeadas por So Paulo.
c  Falta de justia.
4  Os grandes batalhadores pela causa do Paran foram Francisco Paula Gomes, Correia Jnior e muitos outros.
5 A revoluo de 1842 e a revoluo farroupilha, foram decisivas para a obteno da emancipao.
6  De grande importncia foi tambm o esforo desempenhado no Senado, bem como na Cmara Federal, pela causa paranaense de polticos como Carneiro de Campos, Batista 
de Oliveira, Cruz Machado, Carneiro de Leo etc.
7  Finalmente, a 20 de agosto de 1853, o projeto foi aprovado, sendo sancionado a 29 do mesmo ms pelo imperador D. Pedro II.
8  A Provncia foi instalada a 19 de dezembro de 1853 pelo Conselheiro Zacarias de Goes e Vasconcelos, quando tomou posse no cargo de presidente da mais jovem provncia 
no imprio.
Pg. 86

VOCABULRIO
Juiz de Fora ...............................................juiz formado e no residente na regio.
Milcia ...............................................................................corpo de tropas, exrcito.

Revoluo Liberal de 1842 ...........revoluo organizada pelo partido Liberal em S. Paulo e Minas Gerais, chefiada por Rafael Tobias de Aguiar e pelo padre Feij.

LEITURAS E DOCUMENTOS
Assim Saint Hilaire viu a Comarca de Curitiba em 1820:

"Quando a capitania de So Paulo, que, durante muito tempo, tivera apenas um ouvidor, foi dividida em duas comarcas, a do Norte e a do Sul, Curitiba ficou, naturalmente, 
fazendo parte da ltima. O ouvidor da Comarca do Sul residia, a princpio em Paranagu; mas por decreto de 19 de fevereiro de 1812, foi-lhe ordenado que se transportasse 
para Curitiba. Passou essa vila a ser, ento, a verdadeira sede da Comarca do Sul,  qual deram denominao de Paranagu e Curitiba, sem dvida com a inteno de 
evitar o descontentamento dos moradores do litoral. O expediente, porm, no surtir o efeito desejado, pois,  poca de minha viagem, no havia ningum que na linguagem 
habitual no designasse a comarca pelo nome de Comarca de Curitiba. Alis, com justa razo se decretara a mudana de residncia do ouvidor. Achava-se a comarca dividida 
pela Cordilheira Martima em duas partes muito desiguais e que se comunicavam entre si com dificuldade assim era justo que o principal magistrado da regio residisse 
na mais importante".

Carta de D. Crdula Rodrigues Frana a seu filho Capito Jos Martins de Arajo, data de Paranagu, 16 de junho de 1821, logo aps a Conjura Separatista.

"... Aqui, no dia de hontem esteve coaje no mesmo em ocasio de jurar as vozes da Constituio  que queiro aqui Governo Provisrio e tendo virado os melicianos 
todos para que no estivessem pelo Governo de S. Paulo. Mas algumas pessoas Prudentes desvanecero tudo, sendo o Brito o que mais trabalhou a semelhante respeito 
para desvanecer a tropa... Querendo estes mos homens dividir isto de S. Paulo, sem ps nem cabea... Floriano falou ficando como num negro, e no sei o que se passara 
com estes cabeas de motim... Deus queira que tudo se arrume bem".
Pg. 87
Resposta que a Cmara Municipal de Morretes deu ao Presidente da Provncia de S. Paulo, a 16 de janeiro de 1843, referente  5a Comarca:
"... e com quanto no haja, hua Estatstica organizada, juza exacto comtudo pode-se calcular de 55 a 60 mil habitantes [... ] sendo sua profisso em geral a da 
Agricultura, [... ] Sendo esta Comarca hua das que infelizmente inda tarde chegar ao gro da civilizao; a cathequese dos indgenas, se acha por esse motivo muito 
acanhada porque cm lugar de serem empregados para isso os meios de conciliao, e bondade, num rigor sem limites, num tratamento como o de Escravos he o que encontra 
o desgraado indgena que infelismente cahe em poder de alguns dos habitantes dos lugares. Ora estando to apartada da Sede do Governo V. Excia. Poder calcular 
as dificuldades dos recursos [... ] O consumo que a herva matte tem nos portos do sul ho concorrido para que o fabrico deste gnero tenha tido grande desenvolvimento, 
tanto em perfeio como em quantidade com preferncia em Serra abaixo, o fabrico he immenso e a exportao pelo porto da Cidade de Paranagu sobe anualmente a 400 
mil arrobas [... ] Antigamente as villas de Cananea e Iguape pertencero a esta Commarca; e motivos de convenincia, ou poltica foram separadas delia, ms parece 
ser de justia que de novo venho unir-se a sua antiga sede, e mesmo porque, a distncia que separa a Villa de Iguape, a Cidade de Paranagu he duas vezes menor, 
do que a que corre a cidade de Santos".
Pg. 88
UNIDADE II
Paran Provncia
9
Evoluo Poltica e Econmica Provincial

O perodo provincial no Paran teve a durao de 36 anos, desde 19 de dezembro de 1853 at 15 de novembro de 1889, quando o Brasil aderia ao regime republicano de 
governo. Neste perodo, teve o Paran 41 presidentes de Provncia, o que significa, em mdia, aproximadamente, oito meses e meio para cada gesto.
Este fato  uma demonstrao cabal da instabilidade dos governos provinciais. Os presidentes de provncia eram escolhidos entre os elementos pertencentes ao partido 
poltico dominante no cenrio nacional.
Davi Carneiro divide esta poca em dois perodos:
1  De 1853 at a Guerra do Paraguai.
2  Do trmino desta guerra at 1889.
O primeiro perodo caracteriza-se pela nomeao, ao cargo de presidente, de polticos procedentes de outras provncias do imprio.
No segundo perodo, ocorre um aumento da autonomia da provncia, iniciando esta sua libertao da tutela que o governo imperial exercia. Prevalecem, ento, presidentes 
nascidos na prpria terra.
Sendo o Paran uma provncia pobre e de pequena projeo no imprio, possuindo em 1854 somente 62.000 habitantes,
Pg. 89
seu governo era utilizado, por polticos ambiciosos, como trampolim de suas carreiras, credenciando-os desta forma a grangearem melhores cargos. Era ento a presidncia 
das pequenas provncias consideradas como escolas de formao poltica para seus ocupantes. Para se chegar a ministro, por exemplo, era de praxe ter sido presidente 
de alguma delas, o que demonstrava j certa maturidade poltica e administrativa.
Muitos dos presidentes do Paran, ocuparam tambm o governo de outras provncias, como por exemplo, Andr de Pdua Fleury que, alm do governo paranaense, ocupou 
tambm o do Piau e do Esprito Santo; Joo Jos Pedrosa, que ocupou tambm a presidncia de Mato Grosso e do Par.
O Paran foi grandemente beneficiado por ter como seu primeiro presidente o notvel baiano Zacarias de Goes e Vasconcelos. homem de grande viso poltica e administrativa, 
que soube orientar os primeiros passos da jovem provncia, de maneira sbia e eficiente.
Entusiasticamente recebido em Paranagu e Curitiba, tomou, j no dia seguinte ao de sua posse, importante deciso, ao encarregar pessoas competentes de realizarem 
um estudo minucioso das condies e possibilidades das estradas que ligavam Curitiba ao litoral.
Aqui tem uma gravura de uma Estrada da Graciosa, ligando Curitiba ao porto de Antonina. Sua construo foi ordenada e iniciada pelo primeiro presidente da Provncia: 
Zacarias de Goes e Vasconcelos.
Pg. 90
Por incrvel que parea, no Paran de 1853 no havia estradas prprias para o trnsito de carros de boi, por falta de condies. Este fato dificultava sobremaneira 
a colonizao da nova provncia e seu comrcio com o litoral. A ligao era feita exclusivamente por tropas de muares.
Zacarias compreendeu desde o incio a urgncia e a necessidade dessa obra, qual seja, de uma rodovia que ligasse o planalto com um porto de embarque. O primeiro 
presidente chegou a afirmar que no via razo para a criao da Provncia, se o planalto e o litoral no se comunicassem por rodovia de primeira qualidade.

Aqui tem uma gravura do Primeiro Palcio do Governo da Provncia, construdo  rua das Flores, atual XV de Novembro.

Outro importante acontecimento no incio do seu governo, foi a confirmao da cidade de Curitiba como capital da jovem provncia, apesar das-pretenses que tinham 
a esta regalia as cidades de Paranagu e Guarapuava. Esta deciso foi aprovada pela Assemblia Provincial, sendo os argumentos a favor de Curitiba expostos pelo 
prprio presidente Zacarias:

1  Curitiba fica mais no centro da provncia, em posio avantajada com relao a Paranagu, pois esta cidade s se comunica praticamente, com as vilas do litoral.
2   Curitiba o municpio mais populoso, possuindo grande parte dos eleitores.
3  A localizao de Curitiba torna mais fcil a distribuio da justia, bem como facilita a administrao da provncia.
4  Guarapuava est muito afastada, localizada em territrio pouco explorado e prxima dos pases estrangeiros vizinhos.
Pg. 91
Alm disso, no seu governo se fez:
a  A diviso da provncia em trs comarcas: a de Curitiba, Paranagu e Castro.
b  A criao de uma Companhia Policial, a fim de proporcionar aos cidados maior segurana individual.
c  O incio da construo da estrada que liga Curitiba a Antonina, a famosa estrada da Graciosa.
d  A organizao de vrias escolas primrias e a criao das cadeiras de francs, latim e ingls no liceu paranaense.

Demais presidentes que se destacaram:
Francisco Liberato de Matos: 1857-59. Pertence ao partido liberal, realizou uma administrao fecunda.
a  Incentivou a imigrao europia para as colnias de Assungui e Superagui.
b  Construiu o trapiche do Porto de Antonina.
c  Criou uma linha de navegao entre Antonina e Paranagu.

Andr de Pdua Fleury: 1864-66. Do partido liberal, "foi sua presidncia uma das mais fecundas para a provncia, em notveis melhoramentos".
a  Providenciou gua potvel*  populao curitibana.
b  Enviou expedies de exploraes aos rios Paranapanema, Iva e Tibagi, a fim de estudar a ligao fluvial entre o Paran e a Provncia do Mato Grosso.
c  Ordenou estudos para a criao das colnias militares de Chopim, Xapec e outras.

Frederico de Arajo Abranches: 1873-75. A administrao deste poltico conservador caracteriza-se:
a  Pelo grande empenho que manifestou em fundar novas colnias de imigrantes, visando com isto aumentar os braos que trabalhavam na lavoura. A colnia de Abranches, 
hoje bairro de Curitiba, recorda seu nome pelo interesse que demonstrou pela imigrao.
Pg. 92
b  Pelo equilbrio oramentrio da provncia.

Adolfo Lamenha Lins: 1875-77. Liberal. Realizou uma das melhores administraes que teve a Provncia.

Aqui tem uma gravura do Dr. Adolfo Lamenha Lins, com fardo de Presidente de Provncia da galeria do Museu Paranaense.

a  Estimulou o ensino, sobretudo o secundrio, criando a Escola Normal* e reestruturando o Liceu Paranaense*.
b  Providenciou a reconstruo da catedral.
c  Criou tambm vrias colnias de imigrao europia: Toms Coelho, Orleans, Nova Itlia e, entre outras, as que levam o seu nome: Lamenha Grande e Lamenha Pequena.
 
Manuel Pinto de Souza Dantas: 1879-80. Liberal. Recebeu em seu governo a visita do imperador D. Pedro II  provncia, em 1880, juntamente com a imperatriz, D. Tereza 
Cristina. O imperador veio dar incio  construo da estrada de ferro Curitiba a Paranagu.

Joo Jos Pedrosa: 1880-81. Liberal.

a  Ligou Curitiba a Castro por servio de diligncia, passando a mesma por Palmeira e Ponta Grossa.
b  Estimulou a colonizao europia.
c  Construiu o Teatro Deodoro, depois chamado Guara.
d  Incentivou a cultura do trigo, caf e algodo.
Pg. 93
Aqui tem duas gravuras: de Teixeira Soares e Antnio Rebouas, legtimos herdeiros do esprito empreendedor e patritico de Mau. Ambos so os principais responsveis 
pela construo da Estrada de Ferro Curitiba-Paranagu, orgulho da engenharia nacional.

Jesuino Marcondes: Prestigioso poltico liberal do Paran, ocupou vrias vezes a presidncia da provncia, quer por nomeao direta do imperador ou interinamente, 
como vice presidente rios perodos intermedirios. Ocupou a presidncia em 1878-79-88 e 89. Concentrou seus esforos administrativos na melhoria das finanas abaladas. 
A proclamao da Repblica surpreendeu-o na chefia do executivo paranaense.

Aqui tem uma gravura da Ponte sobre o rio dos Papagaios, construda em 1876 com arcos de pedra. Sua solidez  extraordinria.
Pg. 94
Destacaram-se ainda na presidncia da Provncia os nomes de: Oliveira Belo, Alfredo d'Escrangnole Taunay, Comendador Antnio Arajo e muitos outros. Neste espao 
de 36 anos, o Paran deu ao imprio dois ministros dos mais competentes: Manoel Alves de Arajo e Jesuino Marcondes, ambos ministros da Agricultura.
 Em 36 anos, a populao da provncia cresceu de 62.000 habitantes para 120.000, sendo sua economia baseada sobretudo na explorao da erva mate, riqueza natural 
da regio.
MATE: ESTEIO ECONMICO DA PROVNCIA
A erva mate, antigamente denominada de congonha,  uma rvore nativa de nossas florestas. Sua utilizao como bebida j foi descoberta pelos ndios paranaenses. 
Os jesutas das redues do Guara chamaram-na de "erva do diabo", porque os ndios atribuiam-lhe poderes de descontrole das emoes. Em virtude disso os jesuitas 
chegaram a proibir sua utilizao pelos indgenas. No Paran, sua produo em grande escala s ocorreu no sculo XIX.
Aqui tem duas  gravuraCorte dos galhos da erva mate e o Malhador: um dos processos semiprimitivos empregados no beneficiamento da erva.
pg. 95
Em 1820 devido a acontecimentos polticos, a comunicao entre Buenos Aires e o Paraguai tomou se difcil. Era e regio platina* grande consumidora de mate, abastecida 
pela produo paraguaia. Vieram ento os comerciantes de Montevidu e Buenos Aires comprar o produto paranaense, exportado por Paranagu. Foi a sua grande oportunidade. 
Este produto de exportao vai se transformar em esteio da economia paranaense, sobretudo no perodo provincial. Foi uma poca de ouro. Houve perodos em que o produto 
chegou a representar 85% da economia da provncia.
A explorao do mate fez surgir no Paran um certo bem estar e confiana no futuro, chegando a formar no interior uma classe mdia, composta de produtores, os quais, 
devido  posio conquistada na sociedade, vo exercer forte influncia na poltica locai.
A produo de mate era transportada, inicialmente, para o litoral, por tropas de muares, pelos caminhos da serra. Somente com a construo da Estrada da Graciosa, 
foi possvel seu transporte nos carroes eslavos, muito mais eficientes.
Aqui tem uma gravura
Engenho de mate do Comendador Fontana em 1880, segundo desenho da poca. Foto extrada da obra de Newton Carneiro: "Um Precursor da Justia
Social".
Em 1853, possua o Paran 90 engenhos de beneficiamento do mate, tendo o produto paranaense alcanado grande consumo nos mercados de Buenos Aires, Valparaiso, Montevidu 
e Rio de Janeiro. Sua importncia econmica como principal produto paranaense ultrapassou o perodo colonial e, at a Primeira Guerra Mundial, foi o esteio da economia 
do Paran, apesar da forte concorrncia oferecida pelo Paraguai.
Pg. 96
QUALIDADE DO MATE
Entre as vrias existentes, destaca-se a social, talvez a mais importante, para o nosso homem do interior. Os homens, em vez de ficarem nas vendas bebericando, preferem 
ficar geralmente em casa, ingerindo o mate sob a forma de chimarro e afastando-se do vicio do lcool. Alm disso,  estimulante e digestivo, proporcionando ao corpo 
maior resistncia s fadigas, sobretudo nas longas caminhadas.  tambm eficiente na digesto de alimentos pesados como o charque, pinho, feijo etc., muito usados 
no Paran.
SNTESE
1  O Perodo provincial pode ser dividido:
a  de 1853  Guerra do Paraguai.
b  do trmino desta guerra at 1889.

             2  A  presidncia da provncia funcionava como trampoL'm para os polticos do imprio, como iniciao para atingiram cargos mais elevados.

3  Zacarias de Ges:
a  Iniciou a construo da Estrada da Graciosa;
b  Fixou Curitiba como capital da Provncia;
c  Organizou uma companhia policial;
d  Criou vrias escolas primrias.

4  Principais presidentes: Frederico lIberato de Matos, Andr de Pdua Fleury, Frederico de Arajo Abranches, Adolfo Lamenha Lins, Jesuino Marcondes, Manuel Pinto 
de Souza Dantas, Joo Jos Pedrosa etc.

5  A economia provincial repousa na explorao da erva-mate, vendida sobretudo ao mercado platino e nacional.
Pg. 97
VOCABULRIO
Potvel ........................................................que se pode beber; as guas estagnadas no so potveis
Escola Normal ..............................................atual instituto de Educao do Paran  
Liceu Paranaense..................................................atual colgio estadual do Paran 
Regio platina ................................................regio vizinha ao Rio da Prata. Pases platinos so o Uruguai e a Argentina. 
LEITURAS E DOCUMENTOS
Trechos do relatrio de 1880 do Presidente da Provncia Manoel Pinto de Souza Dantas, referente  situao econmica da Provncia:
"A madeira, por enquanto, apenas alimenta uma pequena indstria para o consumo dentro da provncia havendo-se malogrado, por m direo e dificuldades de transporte 
a importante "Florestal Paranaense", hoje abandonada.
Brevemente, porm, estabelecida a linha frrea, que vai por o municpio desta capital em contato com o oceano, h de tomar grande desenvolvimento, constituindo, 
seno o primeiro, o segundo ramo de nossa riqueza explorada.
Aqui tem uma gravura:                                                           
Pinheiro do Paran, levado e levantado na Exposio Internacional de Viena em 1873, por Andr Rebouas (foto extrada da obra de Newton Carneiro. "Um Precursos da 
Justia Social"). 
Pg. 98
Provado est, desde a exposio universal de Viena d'Austria, em 1873, que o nosso pinho  de excelente qualidade, pois que, a, uma coleo das nossas madeiras 
obteve um diploma de honra o maior prmio que se lhe podia conceder.
Em outro ponto de seu relatrio continua o presidente S. Dantas:
"Numa Provncia nova como a nossa, a indstria fabril, ou manufatureira, ainda existe aqui embrionria.
Contudo no falando dos engenhos de mate, pela sua ntima conexo com a extrao do produto que os alimenta, j se notam algumas fbricas de cerveja nesta Capital, 
e uma de sabo e velas de sebo, em Paranagu.
As fbricas de cerveja, que no se recomendam muito pela sua qualidade, vo favorecendo a cultura da cevada, que aqui d, admiravelmente.
Estas fbricas lutam com concorrncia de fora e sua produo restrita ao mercado da provncia no tem dado grandes vantagens. Alm destas fbricas que j existem, 
encontramos ainda alguns outros pequenos estabelecimentos manufatureiros, como os de calados e outros artefatos bem preparados.
As grandes despesas os enormes prejuzos que os maus caminhos ocasionam, devem por certo influir algum tanto para o esmorecimento da indstria, que, como todas, 
requer lucros que a estimulem". 
Aqui tem uma gravura: 
A notvel estrada de ferro CuritibaParanagu, orgulho da engenharia nacional, em um dos seus mais difceis trechos, na Escarpa do Mar.
pg. 99
Viagem Imperial  Provncia do Paran
"No dia 18 de maio ltimo, chegaro ao porto de Paranagu SS.MM. realizando, assim, a visita to ansiosamente esperada por esta provncia.
Foro com o maior jbilo, recebidas SS.MM. em todas as localidades que participaro de to sbita visita; e ti vero ocasio de conhecer quais os recursos de que 
 a provncia dotada, assim como as necessidades que devem ser providenciadas em prol do seu completo desenvolvimento.
Se muitas razes de ordem elevada no tivesse a Provncia para registrar. com desvanecimento, a data dessa viagem, os factos dignos de meno especial, como a inaugurao 
dos trabalhos da estrada de Paranagu a esta capital e a criao de casas pblicas escolares para serem franqueadas  infncia, nas mais importantes localidades 
da provncia, bastariam para fazer sempre memorvel a viagem de SS.MM., que foi. como soe ser em todas as partes, assignalada por semelhantes benefcios.
De sua prpria iniciativa, a idia da fundao de casas escolares, para as quaes SM. o Imperador dignou-se de fazer os primeiros donativos, d a conhecer, mais uma 
vez, o interesse e solicitude que o Monareha do Brasil inspira a grande causa da instruo popular".
Do citado relatrio de Souza Dantas.
Aqui tem uma gravura:
Desenho caricatural da poca, por ocasio da viagem de D. Pedro II ao Paran, ironizando a passagem da comitiva imperial pela estrada da Graciosa. 
pg. 100
UNIDADE II
Paran Provncia
10
O regime Escravocrata
No Brasil
Regime Escravocrata Desde o incio da explorao da cana de acar em solo brasileiro, o problema da falta de braos se fez sentir no trabalho da lavoura. Camponeses 
dificilmente vinham para o Brasil, porque ningum enfrentava o clima e as doenas tropicais, simplesmente para conseguir emprego. Faziam-no somente quando possuam 
perspectiva de um enriquecimento rpido.
Inicialmente, os portugueses recorreram ao brao indgena; o ndio porm, considerava demasiado humilhante realizar tarefas que em seus costumees competiam s mulheres. 
Os jovens, e orgulhosos guerreiros no se subordinavam a este tipo de vida sedentria. Fugiam, suicidavam-se, ou morriam no cativeiro. Alm disso, a oposio dos 
jesutas a este tipo de escravido fez os portugueses recorrerem ao escravo africano, apesar de muito difcil de se obter e de seu elevado custo.
Assim, ainda na primeira metade do sculo XVI, chegaram os primeiros escravos africanos para o Brasil.
O desenvolvimento da economia aucareira, nos sculos XVI e XVII. ocasionar a vinda macia de escravos para este tipo de lavoura tropical. Afonso E. Taunay afirma 
que entraram no Brasil:
pg.101
No sculo XVI .........................        100.000 escravo?
No sculo XVII ..........................        600.000
No sculo XVIII ....................        . 1. 300.000
No sculo XIX .......................        1. 600.000
Total ..................................... 3.600.000
Tal avalanche d africanos para o Brasil, como fonte principal de mo de obra, era absorvida preferencialmente pelo nordeste, e, a partir do sculo XVIII, na explorao 
das Minas Gerais. Por este motivo, a populao brasileira, ainda no incio do sculo XIX, era constituda em sua maioria por negros ou mulatos:
 Em 1660: 184.000 habitantes dos quqais 110.000 escravos.
 Em 1816: 3.360.000 habitantes, dos quais 1.930.000 escravos.
 Como se percebe, toda a estrutura da sociedade brasileira, ate ento, baseava-se no trabalho escravo.
NO PARAN 
A sociedade organizada em territrio hoje paranaense, era semelhante  que se encontrava no restante do Brasil, mas no era idntica. Aqui, o sistema do trabalho 
escravo, fosse africano ou indgena, foi tambm empregado, mas no chegou a dominar, isto devido ao tipo de economia que aqui se desenvolveu, uma vez que o regime 
escravocrata instalou-se no Paran com o incio da minerao de ouro no litoral. Os elementos lusos, para c atrados por tal atividade, no chegaram a ganhar o 
avultado capital necessrio para a compra de grande nmero de escravos africanos. de modo que, no sculo XVII, o trabalho escravo existente no Paran baseava-se 
sobretudo no ndio.
Nas ltimas dcadas deste sculo, foi trazido para a regio um maior nmero de escravos africanos, em virtude de as minas paranaenses passaram a produzir mais ouro. 
De qualquer forma, porm, a escravatura no foi, no Paran, a nica fonte de trabalho, porque, paralelamente aos escravos, eram inmeros os homens livres que trabalhavam, 
no como empregados, mas como membros de famlias numerosas. Este fato leva  concluso de que havia elevada participao do elemento escravo na sociedade paranaense 
de ento, mas no de maneira avassaladora, como o foi no nordeste aucareiro, ou nas Minas Gerais.
Pg.102
No sculo XVIII,  proporo que decaa a minerao, o elemento escravo era transferido de preferncia para a agricultura e a pecuria, no planalto. Os grandes criadores 
de gado possuam inmeros escravos, de forma que estes eram tambm a base da mo de obra no desenvolvimento da pecuria, nos chamados Campos Gerais. Esta atividade, 
no interior do Paran, ligou sua economia ao restante do Brasil, atravs do caminho de tropas de Sorocaba a Viamo. A produo pecuria paranaense, movimentada principalmente 
pelo escravo, entrosou o Paran na economia brasileira. Seu gado era vendido principalmente em Minas Gerais. Transformou-se, pois, a regio, em um dos centros de 
abastecimento de gado do Brasil.
INTERVENO INGLESA NO PARAN: CORMORANT
No incio do sculo XIX, surgiram as primeiras tentativas no sentido da proibio do trfico negreiro da frica para o Brasil. Assim, em 1826 e 1831, j havia leis 
proibindo esse trfego, porm estas determinaes no eram cumpridas, sobretudo aqui no Paran. O porto de Paranagu converteu-se num dos maiores centros de contrabando 
de escravos no Brasil. Desembarcados em Paranagu, eram transportados em seguida para outros pontos do Brasil. Romrio Martins comenta: "parece at que foi depois 
da proibio de 1831, que em Paranagu tomou incremento o comrcio de escravos".
A Inglaterra, que por diversas razes econmicas, no desejava a continuao do trfico negreiro no Brasil, aprovou o bil Aberdeen em 1845, o qual permitia a perseguio 
de navios negreiros brasileiros pela marinha inglesa, at mesmo nas costas brasileiras.. Porm esta atitude inglesa em nada diminuiu tal trfico: ao contrrio, ele 
aumentou.
O cumprimento do "bil Aberdeen", pelos ingleses, ocasionou um srio incidente com  o cruzador britnico "Gormorant", na baa de Paranagu, em junho de 1850. O navio, 
julgando ser de seu direito, entrou na baa com o fim de aprisionar alguns navios brasileiros, carregados de escravos vindos da frica. O comandante de um dos navios, 
para no ser apanhado em flagrante pelos ingleses, afundou seu navio, com dezenas de negros africanos no seu interior, num gesto trgico e desumano.
Alguns pananguaras, inconformados com a violao das guas territoriais brasileiras pelos ingleses, dirigiram-se para a fortaleza da Ilha do Mel e convenceram seu 
comandante a abrir fogo
pg. 103
contra o navio ingls, que retomava do interior da baa, trazendo nos navios brasileiros aprisionados.
Travou-se ento um combate entre o cruzador e a fortaleza, at o navio colocar-se fora do alcance das baterias.
Este incidente na baa de Paranagu, que ficou conhecido na histria paranaense como "Combate do Cormorant", repercutiu nas relaes do Brasil com Inglaterra, havendo 
o governo imperial brasileiro tomado severas medidas contra o trfico de escravos nas costas do pas.
Surgiu ento, ainda em 1850, a chamada lei "Eusbio de Queiroz", proibindo terminantemente qualquer trfico de africanos no Brasil e impondo severas sanes* aos 
transgressores. Entretanto, afirma Romrio Martins, que "nem assim arrefeceu o trfico de africanos para Paranagu, pois ainda em 1861, o governo do imprio, por 
denncias levadas ao seu conhecimento, agia no sentido de extinguir o contrabando humano feito ento pela barra do rio Superagui, onde podiam entrar, at Guaraqueaba, 
embarcaes de 200 toneladas".
A CAMPANHA ABOLICIONISTA NO PARAN
O movimento pela abolio da escravatura no Brasil desenvolveu-se principalmente aps a guerra do Paraguai. A propaganda abolicionista atingiu tambm o Paran, encontrando 
apoio em inmeros proprietrios, que alforriavam* seus escravos. Alguns presidentes de provncia, levadas pelo seu humanitarismo, faziam tambm apelos neste sentido.
Com a finalidade de lutar contra a escravatura, foram criadas sociedades civis em Paranagu e em Curitiba. Assim, em Paranagu, surgiu a "Sociedade Redeno Paranaguense" 
e, em Curitiba, a Sociedade "ltimatum". Estas faziam coletas para a compra de escravos, com o fim de libert-los; promoviam-se fugas de cativos, os quais eram encaminhados 
para So Paulo, fugindo assim  perseguio da polcia.
Desta forma, aos poucos, diminua a porcentagem de escravos na Provncia do Paran, at a abolio definitiva, a 13 de maio de 1.888.
pg.104
SUBSTITUIO DO ESCRAVO
Com as leis restritivas  entrada de africanos no Brasil, principalmente aps 1850, sentiu o pas grande falta de mo de obra, sobretudo para a lavoura. Para remediar 
este grave problema, o governo brasileiro incentivar a entrada, no pas, de imigrantes europeus.
Foi devido  adoo desta nova poltica imigratria no sculo XIX, que o Brasil defniu-se como pas de cultura europia e de maioria tnica branca. Se o afluxo 
da entrada de africanos no Brasil continuasse elevado por todo o transcorrer do sculo XIX, o pas automaticamente seria hoje de grande maioria africana e sua cultura 
no seria to acentuadamente europia.
Portanto, a partir do sculo XIX, ocorreu no Brasil e, por extenso, ao Paran, a tendncia para o branqueamento de sua populao, pelos seguintes motivos:
a  proibio do trfico negreiro a partir de 1850;
b  grande incentivo para o desenvolvimento da emigrao, sobretudo europia;
c  elevado ndice de miscigenao entre os vrios grupos tnicos formadores da populao.
Estas ocorrncias definiram o Brasil e, dentro deste, o Paran, como pas predominantemente branco e estreitamente ligado  cultura europia.

Pg.105

SNTESE
1- O portugus recorreu no Brasil  escravatura, quer indgena ou africana, por falta absoluta de mo de obra para a lavoura.
2-  O elemento africano foi preferencialmente localizado no nordeste e em Minas Gerais, onde a atividade econmica baseava-se, no trabalho escravo.
3- No Paran, o regime de trabalho escravo foi semelhante, porm no idntico, ao resto do Brasil, porque, paralelamente ao escravo, trabalhavam numerosos homens 
livres.
4- A partir do sculo XVII, o escravo no Paran foi transferido da minerao no ouro para a agricultura e pecuria no planalto.
5- O trfico de escravos africanos no Paran ocasionou srio incidente na baa de Paranagu com o cruzador ingls "Cormorant". Este incidente provocou o surgimento 
da lei Eusbio de Queiroz
6- A Campanha Abolicionista desenvolveu-se no Paran, baseada no humanitarismo dos proprietrios e na ao de entidades para tal fim criadas: "Sociedade Redeno 
Paranaguense" e "ltimatum".
7- A libertao dos escravos ocasionou grande falta de mo-de-obra na lavoura. Este fato levou o Brasil a incentivar a imigrao europia, a qual definiu o Brasil 
como sendo um pas predominantemente branco, e por isto, intimamente ligado  cultura europia.
VOCABULRIO
Sedentrio..............................: aquele que tem habitao fixa. Ope-se a nmade.
Incremento ............................:  aumento, crescimento, desenvolvimento. 
"Bill .......................................:  palavra inglsa que significa decreto, lei.
Baterias ..................................:  peas de artilharia, fixas numa fortificao.
Sano .................................. : pena com que se procura assegurar a execuo de uma lei.
Alforria .....................................: liberdade concedida pelo senhor ao escravo.

LEITURAS E DOCUMENTOS
AIgumas estatsticas referentes  escravido no Paran:
"As mais remota estatstica da populao do atual territrio paranaense data de 1780, quando acusou 17.685 habitantes, sendo 7.428 na Marinha e 10.257 em Serra Acima.
Brancos .................................................................................................... .....12.349
Negros e mulatos............................................................................................. 5.336
Em 1858 (78 anos depois) a populao da Provncia era de 69.380 habitantes, dos quais eram: 
Brancos ......................................................................................................... 60.380
Negros e mulatos escravos.............................................................................. 8.493
Mulatos livres ..................................................................................................... 507
Em 1872, quando se realizou o primeiro recenseamento geral do Imprio, a populao paranaense era de 126.722 habitantes, sendo:
Brancos ........................................................................................................116.162
Negros e mulatos............................................................................................10.560
Em 1890, primeiro recenseamento feito sob o regime republicano, [... ] a populao paranaense era de 294.491 habitantes, sendo 5,17% o coeficiente de negros, uma 
das trs menores porcentagens dentre as de todos os Estados, sendo em S. Paulo de 12,97%, no Distrito Federal de 26,79% e na Bahia, de 29,30%".
                                                 Romrio Martins in "Histria do Paran" 3 edio

Caractersticas da abolio da escravatura no Brasil
"O Brasil foi uma das ltimas naes a emancipar seus escravos. Em todos os povos a abolio de to nefanda instituio constituiu problema de difcil soluo, porque, 
se por um aspecto ele se impunha como um dever de civilizao, por outro perturbava profundamente a economia pblica, visto como todas as indstrias diretamente 
derivadas da terra eram mantidas em condies econmicas pelo brao escravo.
No admira, pois, que o Brasil, cuja maior fonte de riqueza ainda hoje  a agricultura, houvesse libertado seus escravos com um atraso de meio sculo das possesses 
europias e dos Estados Unidos da Amrica do Norte.
Toda a economia do pas recaia sobre o trabalho servil, e uma brusca desorganizao desse regime ocasionaria certamente perturbao da mais intensa gravidade".
                                Romrio Martins in "Histria do Paran"  3edio pg. 303
pg.107
Influncia da imigrao europia sobre a escravatura no Paran.
 ... a partir de meados do sculo XIX a configurao econmica, social e humana de Curitiba comea a modificar-se [...] O problema da da  entrada de imigrantes 
europeus e sua distribuio pelo espao geogrfico, o uma das questes permanentes de toda a segunda metade do sculo, entrando pelo sculo XX. O trabalho escravo 
perde prestgio progressivammente em consequncia das inovaes tecnolgicas, do encarecimento do  preo do cativo, da destruio das bases morais do regime, da 
prpria eficaz do trabalho de grupos europeus que se dedicam  agricultura em geral [...]  Os imigrantes, em ritmo diverso para cada grupo, vo permeando progressivamente 
a estrutura econmica e social da comunidade.
                                          Octavio lanni in "As Metamorfoses do Escravo" pg.285

Anncio encontrado no jornal "O Dezenove de Dezembro" em 1866.
100$000  Fugiu no dia 17 de novembro do anno pp., da cidade de Ponta Grossa, o escravo de nome Marcelino, natural de Minas, idade 14 annos mais ou menos, cr fula, 
cara cheia, nariz chato, e tem um p mais grosso do que o outro, como destroncado; quem o levar  dita cidade acima e entregar a seu Senhor [...] receber quantia 
acima de 100$OOO de alvissaras.                                                              ;
Protesta-se com a rigor da lei contra quem o tiver acontado.

A mecanizao do mate e a escravatura
No decorrer do sculo XIX. "o engenho de soque  fora humana escrava foi substitudo pelo engenho hidrulico que, por sua vez deu lugar ao engenho a vapor. As transformaes 
tecnolgicas operam na empresa ervateira [...] modificaes (as quais) teriam provocado a reduo da rea de participao do escravo no processo produtivo, bem como 
teriam forado a sua substituio pelo trabalho livre".
O vertiginoso crescimento da economia ervateira no sculo XIX provocou grande aperfeioamento na aparelhagem tcnica necessria ao seu beneficiamento, sendo portanto 
grande o estmulo para a produo da erva. A grande mecanizao ocorrida na sua produo ocasionar um afastamento da mo de obra escrava substituindo-a por maquinria 
especializada e da segunda metade do sculo em diante, pela mo-de-obra da imigrao".
Octavio lanni in "As Metamorfoses do Escravo"
Pg. 108

UNIDADE II
Paran provncia
11
Imigrao no Paran
No incio do sculo XIX, era o territrio paranaense uma regio mal povoada, com sertes brutos e desabitados, inclusive em reas no muito distantes da capital. 
Os ndios, ainda hostis, amedrontavam com suas correrias os raros e pequenos ncleos de populao, localizados no interior, como Guarapuava, Lapa. Tibagi, Castro 
etc. O mesmo receio e desconfiana ocorriam com as tropas que faziam a ligao comercial entre So Paulo e o Rio Grande do Sul, as quais frequentemente eram molestadas 
pela presena de ndios, sempre prontos para um ataque de surpresa.
A obteno de escravos africanos para o trabalho braal tornava-se cada vez mais difcil, pela represso que o governo imperial fazia ao trfico de escravos, tornando-se 
os mesmos muito caros para serem adquiridos pelos proprietrios de terras. Resolveu ento, o governo imperial, solucionar este difcil problema, atraindo imigrantes 
para o Brasil.
Desta forma, surgiram os primeiros ncleos de origem europia, no portugueses, em territrio paranaense. Assim em 1829, o baro de Antonina localizava, s margens 
do rio Negro, um ncleo de imigrantes de origem alem, justamente no trajeto do caminho de tropas que faziam a ligao entre Sorocaba e Viamo, o
Pg. 109
qual transformou-se na cidade de Rio Negro. Esta foi a primeira tentativa concreta para o estabelecimento de imigrantes europeus, no portugueses, no Paran.
Em 1847, surgiu um pequeno ncleo de imigrantes: a colnia Teresa, nos sertes do rio Iva, bem no corao do Paran. Esta colnia, fundada por iniciativa particular, 
foi idealizada pelo mdico suo Dr. Joo Maurcio Faivre, que para l conduziu algumas dezenas de imigrantes franceses.
Os resultados desta colnia no foram satisfatrios, permanecendo ali apenas 10 imigrantes, dos 87 que se haviam encaminhado. A muito custo, o ncleo colonial conseguiu 
manter-se e hoje forma a localidade de Teresa Cristina.
Em 1852, nas vsperas da emancipao poltica do Paran, um outro idealista, o suo Carlos Perret Gentil, sem auxlio do governo, fundou, na entrada da Baa de 
Paranagu, no istmo de Superagi, uma colnia do mesmo nome, composta por 35 imigrantes suos e alemes, bem como por um grande nmero de nacionais, predominando 
entre eles o elemento mameluco; visto ser o mar a nica via de acesso para a regio, no conseguiu desenvolver-se, apesar de seu progresso inicial. Este ncleo, 
entretanto, tambm no desapareceu complelamente, e hoje constitui Guaraqueaba.

ASSUNGUI
 Em 1859, ocorreu a fundao da colnia do Assungui, pelo governo paranaense, em colaborao com o governo imperial. Depositava o governo grandes esperanas na referida 
colnia, por estar a mesma localizada em terras consideradas fertilssimas, a aproximadamente 100 km ao norte de Curitiba.
Entretanto os colonos inglses, franceses e alemes que para l foram encaminhados, abandonaram em grande nmero a colnia, devido  dificuldade de comunicao com 
a capital ou com qualquer porto martimo. Apesar de chegar a possuir mais de 3.000 habitantes, Assungui no progrediu satisfatoriamente. Seu ncleo forma hoje a 
cidade de Crro Azul.
Estas experincias colonizadoras realizadas em regies isoladas e inspitas, de difcil acesso, ocasionavam um problemtico escoamento da produo, devido a inexistncia 
de boas estradas. A produo agrcola apodrecia nos celeiros, apesar do trabalho intensivo e constante do imigrante.
Pg. 110

NOVAS COLNIAS
Neste meio tempo, o governo observava a fixao espontnea de colonos nos arredores de Curitiba, os quais manifestavam satisfao e demonstravam sensvel progresso. 
Face a esse fato, o governo da provncia do Paran e as autoridades imperiais alteraram sua poltica, quanto  fixao do imigrante. Passaram a dar preferncia ao 
estabelecimento de colnias nas proximidades dos grandes centros. As primeiras colnias no Paran, nestes novos moldes, foram as de Argelina, Abranches, Santa Cndida 
etc., localizadas a pouca distncia da capital.
Imagem: Incio da colonizao europia no municpio de Iva.

Estas e outras colnias semelhantes se foram formando. Seus ocupantes levavam ntida vantagem com relao aos primeiros ncleos, os quais eram afastados dos grandes 
centros de consumo. Sua comunicao com a capital era rpida e segura, podendo o colono vender sua produo de cereais, legumes, lenha etc., no grande mercado que 
lhe ficava prximo. Seguiram-se as colnias de Orleans, D. Pedro, Toms Coelho, Murici, Riviera etc. Os ncleos formados no litoral, em Alexandra e Morretes, no 
progrediram, sendo parte de seus ocupantes transferidos para os ncleos atuais, de Colombo, Santa Felicidade e Piraquara (antiga Nova Tiroal), localizando-se, tambm 
estas, no muito distantes de Curitiba.
Constatando as autoridades paranaenses as vantagens da colonizao europia, estando as melhores terras em volta da capi,, tal j ocupadas e desejando o governo 
acelerar a imigrao, iniciou-se a colonizao em regies mais afastadas, sobretudo nos municpios de Palmeiras, So Mateus do Sul, Rio Azul, Marechal
pg. 111
Malet, Ponta Grossa, Cndido de Abreu, Unio da Vitria, Prudentpolis etc.

VIDA INICIAL DO IMIGRANTE
Difceis eram, para o imigrante, os primeiros anos que ele passava em sua ptria de adoo. Chegando ao Paran, desembarcava no porto de Paranagu ou Antonina e 
depois era transportado para Curitiba em carroes e alojado nas improvisadas hospedarias para imigrantes, as quais geralmente estavam superlotadas.
Imagem: Famlia de imigrantes recm estabelecidos em sua pequena propriedade, na localidade de Senador Correia.

De Curitiba, era o imigrante transportado com sua famlia e bagagens para a colnia a que se destinava, onde na maioria das vezes era instalado provisoriamente em 
barracas, enquanto esperava a demarcao das terras e o lote que lhe caberia. Nestas circunstncias, as condies higinicas eram pssimas, ocasionando frequentes 
epidemias.  
Uma vez estabelecido em seu lote, numa casa provisria feita s pressas, cessava a alimentao por parte do governo. Recebia ento o colono uma importncia em dinheiro 
para a compra de sementes e utenslios. Aps a derrubada da mata virgem e enquanto esperava sua primeira pequena colheita, era utilizado o imigrante pelo governo 
na construo de estradas para a colnia. Ficava desde ento o colono sob sua prpria responsabilidade e obrigado a pagar em prestaes o adiantamento em dinheiro 
recebido e a liquidao do valor do lote que lhe coubera.
Pg. 112
Os colonos localizados nas proximidades de Curitiba foram os que pagaram com maior facilidade esta dvida para com o governo. A partir de ento, cada ncleo tornava-se 
autnomo, nada mais providenciando o governo para facilitar a aculturao* do imigrante e de sua descendncia. Assim os colonos, deixados  propria sorte, organizaram 
sua vida social e religiosa, construindo igrejas, sociedades recreativas e at escolas para que seus filhos pudessem aprender a ler e escrever.
Imagem: Logo que se estabeleciam, os imigrantes eram geralmente empregados na construo de estradas em suas respectivas colnias. Na fotografia, os homens cavam 
o leito da estrada, enquanto as mulheres transportam as rochas retiradas, com carrinho de mo.

PRINCIPAIS GRUPOS TNICOS: GRUPO ALEMO
Foi o imigrante alemo o primeiro a estabelecer-se no Paran. Mais de 300 colonos desta nacionalidade foram encaminhados para o antigo pouso de tropas nas margens 
do rio Negro e Mafra.
Foram estes colonos os pioneiros da colonizao no portuguesa no Paran.
Aps a emancipao poltica da Provncia, localizaram-se estes imigrantes de preferncia em Curitiba e seus arredores, sendo
Pg. 113
que muitos deles provinham das colnias alems de Santa Catarina. Passaram a exercer preferencialmente profisses urbanas em Curitiba, como carpinteiros, pedreiros, 
aougueiros, comerciantes, industriais etc.
Em 1870, eram os alemes os estrangeiros mais numerosos na regio de Curitiba. Somavam 1.500 indivduos, enquanto os representantes de outras etnias, somados, chegavam 
a apenas 250. Com o correr do tempo, foram sendo superados em nmero por imigrantes de outras etnias, permanecendo, entretanto, considervel sua influncia no comrcio 
e na indstria.
A partir de 1878, chegou ao Paran um grupo de imigrantes desta origem tnica, porm procedentes da Rssia, da regio do no Volga. Os seus componentes ficaram conhecidos 
entre ns como russos-alemes e localizaram-se preferencialmente no planalto dos Campos Gerais. Dedicaram-se sobretudo ao transporte, conduzindo grandes carroes, 
a servio principalmente do transporte da erva-mate.
A maioria destes colonos resolveu abandonar o Brasil, ficando no Paran apenas 400 famlias.
O nmero de imigrantes desta origem, entrados no Estado, atinge 15.000 pessoas.
GRUPO POLONS
Os primeiros imigrantes poloneses que aportaram ao Paran, em 1871, eram procedentes de Santa Catarina, onde tiveram dificuldades em se adaptarem. Localizaram-se 
estes nas colnias de Pilarzinho e Abranches, hoje bairros de Curitiba. Desde ento, foi grande sua corrente imigratria para o Estado. A vinda de imigrantes polonses 
teve duas fases de apogeu:
1890 a 1896, quando entraram 28.000
1907 a 1914, quando entraram 27.000

Os imigrantes desta procedncia, dotados de um profundo sentimento religioso, catlicos por excelncia, no demoraram a integrar-se plenamente na vida nacional, 
como lavradores, comerciantes ou profissionais liberais*. Profunda foi a sua influncia na caracterizao tnica da regio sul do Estado, onde formaram grandes e 
numerosaas colnias como: Orleans, Santa Cndida, Malet, Irati, Iva, S. Mateus etc. Foram estes imigrantes os difusores no Brasil da carroa, responsvel por um 
ciclo rodovirio no sul do Brasil,
Pg. 114
Imagem: Carroes eslavos introduzidos no Paran que, juntamente com a tradicional carroa, substituram com grande vantagem os carros de boi e as tropas de muares.

GRUPO ITALIANO
Os primeiros imigrantes italianos chegados ao Paran estabeleceram-se em ncleos do litoral, em Alexandra e Morretes. Porm estes no se desenvolveram, sendo os 
colonos em grande parte transferidos para terrenos prximos de Curitiba. Surgiram ento as colnias de Alfredo Chaves, hoje Colombo, Santa Felicidade, Senador. Dantas, 
hoje bairro de Curitiba com o nome de gua Verde e Nova Tirol, atualmente Piraquara. Apesar destes entraves, a imigrao italiana continuou se dirigindo ao Paran 
e entre 1875 e 1878 chegaram em nmero de 4.250. Apesar de no ser a imigrao italiana muito numerosa no Estado, pois entraram no Estado aproximadamente 15.000 
imigrantes,  grande a sua influncia sobretudo ha capital e arredores. Caracteriza-se esta imigrao notadamente pelo cultivo da vinha, sendo seus ncleos, como 
Colombo e Santa Felicidade, conhecidos como produtores de bons vinhos.  grande tambm a sua influncia no comrcio, nas profisses
Pg. 115
liberais e na arte. No apresentou este grupo dificuldades acentuadas na adaptao  vida nacional, por ser de lngua latina e religio catlica, o que facilitou 
sobremaneira sua aculturao.
Imagem: Cesteiro, uma das atividades caractersticas dos habitantes da colnia Italiana de Santa Felicidade.  Foto Kozak  1958.

GRUPO UCRANIANO
Este grupo encaminhou-se tambm para o Paran, a partir de 1891, quando se localizou na regio de Rio Claro, Antnio Olinto, Senador Correia, Cruz Machado, Prudentpolis 
etc.

Imagem: Capela ucraniana de rito oriental no municpio de Prudentpolis.  Foto O. Boruszenko.
Pg. 116

Em sua grande maioria, seguem os ucranianos a religio ortodoxa ou catlica oriental. Romrio Martins, referindo-se a este grupo, assim se expressa: "Nem etnogrfica, 
nem histrica, nem politicamente, nem religiosamente pode o ucraniano ser confundido com o polons. Sua prpria lngua  um dialeto bem definido da russa, com uma 
literatura prpria j considervel".
Entraram no Paran aproximadamente 35.000 imigrantes desta nacionalidade.

OUTROS GRUPOS
Dentre os grupos minoritrios, destacamos os srio-lbaneses, popularmente conhecidos por "turcos" pelo fato de, na poca de sua chegada ao Brasil, pertencer a Sria 
e o Lbano  Turquia. Caracterizou-se sua imigrao pelo carter eminentemente urbano, dedicando-se quase a totalidade de seus membros ao comrcio, inclusive ao 
comrcio mvel como o  o do mascate, figura caracterstica do nosso interior, no sculo passado.
Outro grupo urbano ativo porm menos numeroso  o judeu, dedicando-se exclusivamente ao comrcio e a indstria. Entre os outros grupos tnicos minoritrios que aportaram 
ao Paran, destacamos os franceses, localizados na colnia Teresa, Assungui etc., totalizando 2.500 indivduos: os austracos, que totalizam 1.600, espalhados pelas 
diversas colnias; os ingleses, no Assungui etc., somando 1.000, tendo chegado ainda islandeses, holandeses, blgaros, norte-americanos etc.

IMIGRAO MODERNA
Dentre as vrias correntes imigratrias dirigidas ao Paran aps a Segunda Grande Guerra, notamos um grande predomnio do elemento japons, o qual localizou-se de 
preferncia no norte do Paran, possuindo ncleos importantes como Assa, Ura. Londrina etc. Nos Campos Gerais localizaram-se os holandeses em Carambei, Castrolanda 
e Arapoti. Estes ltimos imprimiram aos Campos Gerais, outrora ocupados pelos russos alemes, uma fisionomia nova com a utilizao de uma agricultura moderna e a 
industrializao do leite e seus produtos derivados. Seguindo seu exemplo, muitos nacionais dedicaram-se tambm a esta atividade.
Tambm nos Campos Gerais, localizaram-se os alemes, nas colnias de Terra Nova, Entre Rios e Witmarsum. Os formadores desta ltima colnia pertencem a um grupo 
alemo de religio menonita*, e possuem atualmente a mesma atividade agro-pastoril
Pg. 117
dos holandeses. Toda esta imigrao moderna vem ao Paran planejada, bem dirigida e financiada, o que a toma bem diferente da imigrao pioneira do sculo passado.
A presena em territrio paranaense de grupos tnicos to numerosos e das mais diversas procedncias, d ao Estado, uma caracterstica toda especial, qual seja, 
a de ser o Paran o maior "laboratrio tnico" do Brasil e qui do mundo, procurando esses grupos integrar-se no ambiente brasileiro, uns mais, outros menos, todos 
porm dando sua colaborao para transformar o Paran no territrio onde se faz a maior experincia tnica de que o mundo tem notcia.

SNTESE
l  Foi somente a partir do sculo XIX, que o governo brasileiro interessou-se pela Imigrao no portuguesa para o Brasil. O seu objetivo bsico era resolver o 
problema da falta de mo de obra na lavoura, pela escassez de escravos africanos, bem como povoar os extensos vazios demogrficos.
2  No Paran, as primeiras tentativas neste sentido foram as colnias de Rio Negro, Teresa Cristina, Guaraqueaba e Assungui.
3  Aps os primeiros fracassos, passou o governo a orientar a localizao de imigrantes ao redor de Curitiba. Surgiram ento as colnias de Abranches, S. Cndida, 
Orleans, Toms Coelho etc,
4  Os principais grupos tnicos no Paran so: italianos, polons, ucraniano, alemo e outros menores, chegados at a Primeira Guerra Mundial. Na imigrao moderna, 
predominam os japoneses, havendo ainda holandeses etc.
5  Cada uma das etnias tem suas tradies e caractersticas, e do uma contribuio prpria  vida nacional; seu conjunto faz do Paran o maior "laboratrio tnico" 
do pas e talvez do mundo.
Pg. 118
VOCABULRIO
Acumulao .............................influncia mtua de elementos culturais diversos.    
Inspito ....................................hostil, difcil de ser habitado.
Menonita......................indivduo pertencente  uma seita religiosa protestante, surgida no sculo XVI na Europa.
Profisso Liberal..................diz-se das profisses como a medicina, magistrio, advocacia, em oposio s indstrias ou comerciais.

 LEITURAS E DOCUMENTOS
Aspectos de assimilao do imigrante estrangeiro na cultura luso-brasileira.
"A noo de assimilao apresenta diversos aspectos, conforme se observa de um ponto de vista poltico, econmico, social, cultural ou psicolgico. Analisada, simplesmente, 
trata-se apenas de saberem que prazo e at que limite pode um contingente de imigrante amalgamar-se a uma populao nacional e quais as formas que assume este processo 
de amalgamao. Como  fcil deduzir, h grande variedades de formas de assimilao.
Em linhas gerais, ela depende em primeiro lugar da maior ou menor afinidade cultural existente entre os grupos humanos colocados em contacto; em segundo lugar, do 
grau de flexibilidade do imigrante; em terceiro, da capacidade assimiladora do novo ambiente. Existem ainda outros fatores que podem retardar ou acelerar o processo 
de assimilao.  sabido, por exemplo, que o agricultor  mais dificilmente assimilvel que o trabalhador de indstria ou de comrcio, pois que o meio rural oferece 
menor receptividade e poucas ocasies de contacto com a coletividade nacional.
Em relao ao prazo ou durao do processo assimilatrio, se reconhece, nos dias atuais, que o mesmo  um processo lento. Procurar acelerar a assimilao de imigrantes, 
dispersando-os ou localizando-os em colnias mistas, segundo modernos princpios de poltica imigratria,  incorrer em grave erro psicolgico.
Considerando que toda transplantao mesmo a voluntria, provoca um choque psicolgico no imigrante,  que se tomou conscincia da importncia do fator tempo no 
desenrolar do processo assimilatrio. A concluso  que se trata de um processo sempre, demorado, o qual, mesmo quando as circunstncias so as mais favorveis, 
muitas geraes so necessrias para sua completa efetivao.
Altiva P. Balhana in "Os imigrantes Estrangeiros na Formao Histrica da Sociedade Brasileira"  Curitiba, 1961, pg. 12
Pg. 119
Algumas consideraes sobre a carroa polonesa, introduzida no sul do  Brasil na segunda metade do sculo XIX.
"A existncia frequente e numerosa dessa carroa no Sul do Brasil que constitui uma das suas notas mais caractersticas, leva o observador menos avisado a supor 
que a mesma seja originria dessa regio. Ela, porm, veio de outras terras, longnquas e bem diferentes, trazida pelo estrangeiro imigrante. Seu pas de origem 
eram as estepes europias da Polnia [...].
Transferida das plancies centro-europias para o planalto meridional do Brasil, a se conservou quase imutvel salvo algumas pequenas modificaes de carter regional 
[...].
 um veculo misto. Destinado, principalmente, ao transporte de produtos agrcolas, como em sua terra natal [...]. Viajando pelo Paran, em fins do sculo passado, 
observava o visconde de Taunay que "esses imensos carroes" faziam "todo o movimento comercial do interior para Curitiba".
Lcio de Castro Soares  Carroas Coloniais do Sul in "Tipos e Aspectos do Brasil"  Rio de Janeiro 1963 pg. 330.

Diferenas entre uma chcara de imigrante italiano e polons do incio do sculo XX nos arredores de Curitiba:
 muito fcil disse o nosso cicerone, saber se o ncleo  habitado por polonses ou italianos.
 Como assim?
 O  que predomina na lavoura do polons  o centeio; a videira  o que mais se v na lavoura do italiano.
Realmente, fomos verificando isso mesmo: ora se atravessa largo trecho de terra onde a verde e alta gramnea que d o to substancial po negro era o que mais se 
via, ora uma zona de extensos tendais em que se emaranhavam as parreiras, infelizmente sem cachos e pouco vistosas por aquela poca.
 Alm do centeio, perguntei, que mais plantam os polonses? 
 Plantam o milho  no est vendo? O feijo, a  batata inglesa a batara doce, a  ervilha, o sarraceno (a que do o nome de tatarka), a  aveia, a cevada).
 E alm da vinha, o que cultivam os italianos?
 O italiano, alm da uva, cuida de outras frutas, em contraste com o polons, que s abre exceo para o pssego e para a laranja. H ainda outros "caractersticos 
que distinguem os dois colonos entre si: por exemplo, o italiano planta a ervilha em horta, para vend-la verde ainda nas vagens; o polons planta na lavoura para 
vender o gro seco e em maiores quantidades. O italiano planta em horta verduras diversas, que vende depois ao mercado; o polons, as verduras que planta, como a 
cebola, o repolho a couve, so quase que s para uso...
Nestor Victor, in "A Terra do Futuro"
Rio de Janeiro, 1913 pgs. 225 e 226
Pg. 120

UNIDADE III
PARN REPUBLICANO
12
A Republica no Paran e a Revoluo Federaliusta
     Os meios polticos paranaenses no se entusiasmaram desde o incio pela idia repu-
blicana. O manifesto de 1870 em prol da Repblica, divulgado em So Paulo , no teve grande repercusso na provncia do Paran.
      Os ideais republicanos somente tomaram forte impulso em 1888, quando o prestigioso
lder local, Vicente Machado,aderiu com grande estardalhao  causa republicana, pregando a necessidade de descentralizar a administrao do governo, para proporcionar
maior autonomia s provncias. Os veculos de difuso das idias republicanas foram Clubes Republicanos de Curitiba e Paranagu, fundados respectivamente em 1885 
e1887.
     Vrios fatores facilitaram a difuso das idias republicanas: a velhice do monarca, o isolamento da monarquia brasileira, que era a nica na Amrica do Sul, 
e a indiferena com que os grandes proprietrios de terras passaram a tratar a monarquia aps 13 de maio de 1888, quando a abolio da escravatura os prejudicou 
sensivelmente.
     Por estas razes, explica-se o fato de no existir, praticamente, qualquer reao da populao ao novo regime; o povo paranaense permaneceu indiferente, recebendo 
a repblica sem manifestaes, e alheio s transformaes polticas que se seguiram.
Pg. 121

A SITUAO NO PARAN
O Paran contava, em 1889, com apenas um deputado republicano dos 20 que compunham a Assemblia Legislativa.
       Os dois maiores partidos existentes no tempo do imprio, o liberal e o conservador, adaptaram-se s novas circunstncias. O partido Conservador, liderado 
pelo baro de Serro Azul, era, na realidade, com o consentimento do baro, chefiado por Vicente Machado; transformou-se no Partido Republicano Federal, e os antigos 
liberais, chefiados agora por Generoso Marques dos Santos, formaram o Partido Republicano Paranaense. Os antigos liberais, alijados do governo em 1889 com a proclamao 
da Repblica, voltaram ao poder com s eleies de 1891, eleito que foi para a presidncia do Estado o Dr. Generoso Marques dos Santos, em substituio e junta governativa 
que dirigia o Estado desde 15 de novembro. Porm seu governo foi efmero, devido a mudana ocorrida na poltica nacional, quando da renncia do Marechal Deodoro, 
aps seu malogrado golpe de estado*. Em todo caso, este curto governo sancionou a primeira constituio paranaense, em 1891.       

A REVIRAVOLTA FLORIANISTA
      O Marechal Floriano Peixoto, assumindo a presidncia do Brasil, como Vice-Presidente que era, afastou do poder todos os governadores e Assemblias Legislativas 
que haviam dado apoio ao golpe de estado de Deodoro. O Paran foi novamente governado por uma junta militar. Esta convocou novas eleies sob um novo regulamento 
eleitoral com caractersticas acentuadamente republicanas:
a  As mesas eleitorais seriam fiscalizadas pelos partidos interessados.
b  o chefe do executivo seria eleito por votao direta.
c  As minorias teriam representao na Assemblia Legislativa atravs de 13 dos deputados etc.
O novo governo, tanto executivo como legislativo, foi empossado em fevereiro de 1892. 
    Desta forma, sobe ao poder o partido Republicano Federal, sendo eleito governador o Dr. Francisco Xavier da Silva e fendo como Vice o Dr. Vicente Machado, este 
o mais prestigioso lder poltico estadual da poca.
Pg. 122

OS FEDERALISTAS NO RIO GRANDE DO SUL 
O Marechal Floriano suspeitava das tendncias polticas monrquicas e parlamentaristas* de Silveira Martins, lder poltico gacho. Por esta razo, Floriano aproximou-se 
de Jlio de Castilhos na luta comum contra Silveira Martins, apesar de Castilhos ter apoiado o Marechal Deodoro.             
Nas eleies  para governador do Estado, saiu vitorioso Jlio de Castilhos. Os federalistas, partidrios de Silveira Martins, inconformados com a derrota, procederam 
 invaso do Estado em1893, com tropas procedentes do territrio uruguaio onde se haviam organizado.
Teve incio, ento, a mais brbara das revolues brasileiras,ensanguentando por longo tempo vrios Estados do pas.
Imagem: Foto de Gumercindo Saraiva, um dos principais chefes militares da revoluo federalista


PICA-PAUS X MARAGATOS
Desde o incio da revoluo, ambos os grupos beligerantes receberam apelidos populares, pelos quais passaram a ser conhecidos. Os florianistas, que eram os legalistas, 
ficaram conhecidos por "pica-paus", devido ao tipo de armamento que possuam. Os federalistas receberam a alcunha de "maragatos", que  um termo pejorativo de origem 
castelhana e que significa "pessoa desqualificada".
Os  chefes dos "maragatos" nunca tiveram unidade de ao e nem ao menos, os mesmos objetivos polticos. Suas tendncias eram as mais variadas possveis desde as 
monrquicas do Almirante Saldanha da Gama, das republicanas de Custrio de Mello,
Pg. 123
at as separatistas de Gumercindo Saraiva. Este pretendia criar uma nova nao, formada pelo sul do Brasil e pelo Uruguai, sem falar nos caudilhos*, que aderiram 
 revoluo para satisfazerem suas aspiraes polticas e ambies de mando, como o conhecido "Juc Tigre", Joo Francisco e outros.
Esta falta de objetivos comuns dos mais prestigiosos chefes federalistas fez com que nunca houvesse um comando realmente unificado e, em consequncia, grande foi 
a disperso de sua fora.
Entretanto, nem todas as foras do exrcito, sediadas no Rio Grande do Sul, aderiram  revoluo. O senador Pinheiro Machado se ps  frente das toras que permaneceram 
fiis ao governo do Rio de Janeiro. Organizou, no interior rio-grandense, a famosa Diviso do Norte, que iria fustigar continuamente, e pela retaguarda, os federalistas.
Em setembro de 1893, a esquadra que era chefiada pelo Almirante Custdio de Mello, sublevou-se na baa da Guanabara, recebendo pouco aps o apoio do prestigioso 
Almirante Saldanha da Gama. Com a sublevao instalada na Marinha, a revoluo adquiria, repentinamente, mbito nacional. A situao de Floriano tornou-se crtica, 
pois no poderia mais abastecer por mar suas tropas no sul, e teria que manter, na capital da Repblica, poderosa fora militar, para impedir um desembarque no Rio 
da Janeiro. Custdio de Mello, que sara da baa da Guanabara com alguns vasos de guerra, tomou o litoral de Santa Catarina, inclusive Desterro (Florianpolis) e 
ali organizou um governo provisrio da Repblica sob sua chefia, com o nico propsito de forar a neutralidade das naes estrangeiras, procurando desta forma impedir 
o fornecimento de armas ao governo legal do Marechal Floriano. 
Aps uma ocupao relativamente fcil de Santa Catarina, os revolucionrios conceberam um plano audacioso, qual seja, o de invadir e ocupar o Paran. Consistia em 
atacar o Estado do Paran por trs frentes: Paranagu, Tijucas e Lapa, concentrando-se
aps em Curitiba, antes de tentarem a conquista de So Paulo.

TOMADA DE PARANAGU

      Enquanto o interior paranaense era ameaado pelas tropas dos maragatos, no litoral a esquadra de Custdio de Mello realizava o bloqueio dos portos. Paranagu, 
ponto final da estrada de ferro, que ia do litoral ao planalto, e principal porto exportador do Estado, era o lugar visado.
Pg.124 
     Os legalistas tomaram todas as medidas a seu alcance para a defesa da cidade.  preciso salientar que era grande o nmero de simpatizantes com que os federalistas 
contavam, no s em Paranagu mas em todo o Estado, inclusive entre polticos prestigiosos. Em Paranagu, os federalistas paranaenses organizaram um movimento de 
sublevao para facilitar a tomada da cidade, porm este falhou e as prises encheram-se de presos polticos e soldados sublevados. A invaso da baa de Paranagu 
deu-se em janeiro de 1894, com vasos de guerra poderosamente armados.Face ao poderio de togo demonstrado pelos navios que foravam a barra de Paranagu, a velha 
e histrica fortaleza da barra rendeu-se, desguarnecendo ento a defesa da cidade.
    Nestas circunstncias, a resistncia foi fraca e o desembarque procedeu-se sem grandes combates.
    Estava ocupado o litoral paranaense pelos revolucionrios, aps a queda de seu principal centro.

Imagem: Caricatura da imprensa da poca, com a seguinte legenda: "Quem escapa do Joo Francisco, cai na faca do Aparcio", referindo-se a dois chefes federalistas. 
Tal era o esprito que prevalecia na sangrenta revolta do sul.

TOMADA DE TIJUCAS

    Gumercindo Saraiva comandava as foras maragatas provindas de Santa Catarina, que atacaram Tijucas. A resistncia, desta vez imposta pelos "pica-paus", foi denodada, 
conseguindo impor aos maragatos" .inmeras vezes, pesados reveses. Os dias 15,16 e 17 de janeiro de 1894 foram de contnuos combates. Mas como era impossvel uma 
retirada, por se acharem os legalistas cercados e
Pg. 125 
sem cavalaria, a munio escasseando, a alimentao e a gua difceis de se conseguirem, renderam-se, face  impossibilidade de continuar a resistncia, mesmo porque 
Paranagu j havia sidoocupada e o governo paranaense, chefiado pelo vice-govemador Vicente Machado, havia j abandonado Curitiba e se instalado provisoriamente 
em Castro.                          

CERCO DA LAPA

      O Coronel Gomes Carneiro, aps receber o comando do General Argollo, teve como preocupao mxima a organizao da defesa da cidade. A 14 de janeiro, as foras 
do Coronel Carneiro foram atacadas, depois de algumas escaramuas, por contingentes agrupados e chefiados por Gumercindo Saraiva, Aparcio Saraiva, Jaques Ouriques, 
"Juc Tigre", e outros.
     Gomes Carneiro, cercado na Lapa, pediu auxlio a Curitiba e  Diviso do Norte de Pinheiro Machado, mas ningum lhe respondeu. A nica soluo encontrada pelo 
bravo militar foi a resistncia total. A cidade foi violentamente bombardeada pela artilharia federalista. Foram rechaadas todas as propostas de rendio formuldas 
pelos federalistas. Dia a dia, o cerco da cidade aumentava e os combates j se travavam corpo a corpo pelas ruas e escombros da cidade. 
    A eficiente e pertinaz resistncia oferecida por Carneiro irritava o adversrio, que apertou ainda mais o cerco. A 7 de fevereiro, recebeu um ferimento mortal, 
e dois dias depois veio a falecer, rodeado por aqueles que comandava, em meio  consternao geral.A fome e a falta de munio instalaram-se entre os sitiados. No 
chegava nenhum auxlio. A continuao da resistncia seria completamente intil.

OS FEDERALISTAS EM CURITIBA
Ao ser invadido o Estado do Paran, em janeiro de 1894, eram inmeros os boatos e notcias verdicas que circulavam sobre as vitrias dos tederalistas, entre a populao 
curitibana.
        Era ento comandante das tropas legais, sediadas no Paran, o General Pgo Jnior.
Pg.126
O vice-governador do Paran, Dr. Vicente Machado, na Iminncia de se ver privado de qualquer segurana militar para o governo, resolveu transferir a capital, de 
Curitiba para Castro, que realmente aconteceu. O general e o vice-govemador no deixaram fora policial alguma em Curitiba, para garantir a ordem e a segurana da 
populao, em dias nos quais a exaltao dos nimos era intensa. Em dificuldades, a populao solicitou  Junta do Comrcio que organizasse uma guarda policial improvisada, 
para oferecer ao menos um mnimo de segurana  populao.
        Quando Gumercindo Saraiva entrou em Curitiba com suas foras, por sinal sem nenhuma resistncia, foi com a Junta do Comrcio, presidida pelo homem de maior 
prestgio na cidade, Ildefonso Pereira Correia, o Baro do Serro Azul, que os maragatos trataram da obteno de avultada quantia em dinheiro, sob ameaa de saque 
da cidade.
Era um difcil e perigoso encargo. Seu principal objetivo foi salvar a populao curitibana, notadamente o comrcio, de um saque de consequncias imprevisveis, 
por parte dos maragatos.
O Baro tratou do pagamento desta quantia com o chefe do novo governo civil provisrio que se instalara em Curitiba, Dr. Menezes Dria, nomeado pelos federalistas.
Imagem:"Juc Tigre", um dos principais comandantes federalistas. Sua ferocidade em combate tornou-se legendria no sul do pas.

A populao de Curitiba viveu dias de constrangimento, e no teve outra alternativa seno a de pagar os impostos exigidos, porm sempre sem completar, propositadamente, 
as quotas estipuladas.
Pg. 127
Os federalistas ficaram em Curitiba durante dois meses, passando-os em festas, espetculos e diverses. No concretizaram seu plano inicial de invadir So Paulo; 
deram-se apenas ao trabalho de ocupar Ponta Grossa e mandar contingentes de reconhecimento a Castro, donde Vicente Machado j se tinha transferido para o Rio de 
Janeiro, e a Pira, cidades estas que no contavam com nenhuma possibilidade de resistncia.

VOLTA A LEGALIDADE
Enquanto os maragatos conquistavam o Paran, o Marechal Floriano organizava tro-pas em So Paulo, para contra-atac-los; ao mesmo tempo, conseguira adquirir e aparelhar 
nos Estados Unidos, uma frota de guerra, a qual, sob o comando do Almirante Jernimo Gonalves, a 13 de maro de 1894, mudou a mar da guerra, vencendo as foras 
de Saldanha da Gama no mar e afastando desta maneira o perigo de desembarque dos revolucionrios no Rio de Janeiro ou em Niteri. Essa vitria naval, alm do pnico 
que estabeleceu nas hostes dos maragatos, facultou a Floriano o envio para o sul de numerosa tropa e abundante material de guerra, at ento retido no Rio, necessrio 
que fora para a defesa da capital da Repblica.
O governador federalista provisrio, Menezes Dria, percebendo a iminncia de um violento contra-ataque florianista, deixou o cargo juntamente com outros chefes 
fderalistas, que se aperceberam do perigo. A situao tornou-se de pnico, entre os maragatos.

Imagem: A revoluo federa-lista foi a mais sanguinria das                 revolues brasileiras. Na foto um federalista"sangra" um prisioneiro republicano.
pg. 128

Foi neste momento, quando a revoluo mais precisava de um comando que real-mente unificasse seus chefes, que se fez sentir essa falha. Suas tropas, divididas e 
sem uma coordenao central, estraalharam a revoluo numa debandada para os pampas, onde pretendiam oferecer sria resistncia.  
Curitiba, Lapa e Paranagu foram evacuadas pelos maragatos temerosos da aproximao das tropas legalistas provenientes de So Paulo, que nenhuma resistncia sria 
encontraram no Paran.
As foras revolucionrias foram continuamente batidas em Santa Catarina e Rio Gran-de do Sul.
A morte de Gumercindo Saraiva trouxe completo desnimo as tropas federalistas. Aparcio Saraiva, que ainda lutava no Rio Grande do Sul, acossado por todos os lados, 
fugiu tambm para a Argentina.
Imagem: Violenta foi a vingana das tropas republicanas no Paran. Na capital, vrios homens de destaque foram fuzilados  beira das covas por terem colaborado com 
os federalistas por ocasio da ocupao da cidade.

ATROCIDADES COMETIDAS
No foram as milhares de pessoas que perderam a vida, nem os avultados prejuzos materiais causados  nao, que caracteri-
Pg. 129
zaram  revoluo federalista, e sim sua crueldade e barbrie. De ambos os lados, inmeras foram as atrocidades cometidas.Houve degolamentos realizados por ambas 
as partes, assaltos e destruio de hospitais, massacre de prisioneiros que se rendiam com promessas de vida e garantias, sendo depois impiedosamente exterminados,s 
centenas.                            
    Depois da retirada de Gumercindo Saraiva de Curitiba, as tropas comandadas pelo General Ewerton Quadros ocuparam a capital. Iniciou-se ento a vingana dos legalistas. 
Os polticos presos eram levados ao cemitrio, obrigados a cavar suas prprias covas,e cruelmente  fuzilados.
   A cadeia pblica era insuficiente para conter a grande quantidade de prisioneiros. Utilizou-se ento o teatro, como priso improvisada. Porm o crime que iria 
abalar a nao seria perpetrado  no km 65 da estrada de ferro Curitiba a Paranagu, onde o Baro do Serro Azul, juntamente com mais cinco companheiros foram barbaramente 
trucidados.
   No s no Paran, mas tambm nos outros Estados, foram inmeros os crimes cometidos por vingana.

O PAPEL DO PARAN NA REVOLUO FEDERALISTA
O Paran desempenhou um papel decisivo e de relevo nesta revoluo sangrenta. Proporcionou ao governo central do Marechal Floriano, na poca o smbolo da Repblica 
e da legalidade, o tempo suficiente para a aquisio no estrangeiro de uma esquadra, bem como para a organizao, em So Paulo, das foras necessrias para deter 
e repelir o avano federalista. A prolongada resistncia da Lapa foi decisiva na concretizao destes planos e impediu o ataque ao Estado de So Paulo, o qual desta 
forma teve sos-sego e o tempo necessrio para mobilizar-se.
Imagem:Monumento ao Cel.Gomes  Carneiro, existente na cidade da Lapa. No fundo, a igreja local. construda em 1784
pg. 130

SNTESE
1  A Proclamao da Repblica no entusiasmou a populao, nem os polticos no Paran. Os partidos polticos existentes facilmente adaptaram-se ao novo regime, 
permanecendo praticamente os mesmos chefes polticos.
2  Dos desentendimentos entre os chefes que proclamaram a Repblica e ainda por questes polticas regionais no Rio Grandedo sul, surgir a revoluo federansta.
3  Os legalistas ou pica-paus eram os partidrios do Marechal Floriano, que havia assumido a presidncia da Repblica com a renncia de Deodoro. Os revolucionrios 
eram os chamados federalistas.
4  A revoluo adquiriu propores nacionais com a adeso da armada comandada pelo Almirante Custdio de Melo.
5  O Paran foi invadido por trs frentes: Paranagu, Tijucas e Lapa. A maior resistncia foi oferecida na cidade da Lapa, chefiada pelo Coronel Gomes Carneiro.
6  Os federalistas em Curitiba obrigaram ao comrcio e  indstria a contriburem para a revoluo com grandes somas em dinheiro.
7  Por este motivo, quando do restabelecimento da legalidade na cidade, foram inmeros os crimes de vingana praticados: fuzilamentos no cemitrio da cidade, e 
o brbaro assassnio no km 65, da estrada de ferro Curitiba-Paranagu, onde perdeu a vida o Baro do Serro Azul, com vrios companheiros.
8  O papel desempenhado pelo Paran, na represso  revoluo, foi decisivo, pois enquanto a Lapa resistia, o Marechal Floriano teve o tempo suficiente para equipar 
uma nova esquadra e organizar em S. Paulo o contra ataque.
Pg. 131

VOCABULRIO
Golpe de Estado ..........  uma ao, sempre ilegal e quase sempre violenta, tomada por um grupo de indivduos, para chegar ao poder.
Parlamentarista................indivduo partidrio de um regime poltico em que os ministros de Estado so responsveis perante o parlamento.
Caudilho......................chefe militar que dirige um bando ou faco.

LEITURAS E DOCUMENTOS
ATA DA CAPITULAO DA LAPA
[... ] os oficiais abaixo assinados, pertencentes s referidas brigadas por eles foi convencionada a capitulao da Praa da Lapa, sob as seguines condies:
Os trs generais, como representantes do Governo Provisrio da Repblica dos Estados Unidos do Brasil, aceitam a capitulao, concedendo aos comandantes e mais oficiais 
da guarnio, todas as honras de guerra, atendendo  forma herica por que defenderam a praa, rendendo-se apenas por circunstncias especiais [...] Aos oficiais 
 concedida plena liberdade e meios de transportes dentro do Estado, para seus bagageiros tomarem o destino que lhes convenha, sob a condio de no mais tomarem 
armas contra a revoluo [...]  do mesmo modo garantida a liberdade, vida e propriedade de todos os civis, que se acharem em armas e que no queiram aderir  nossa 
causa, devendo tambm fazer entrega de armas e munies. E por se acharem todos conforme, lavrou-se a presente ata, que assinaram: Gumercindo Saraiva. Antonio C. 
da Silva Piragibe [...] Coronel Julio A. Serra Martins, Coronel Joaquim Lacerda etc.

O papel da resistncia da Lapa
A Lapa seria a barreira que os revolucionrios deveriam encontrar em sua invaso. Nela deveriam morrer as derradeiras marretas da revoluo, ante o desnimo que 
se apossaria dos vencedores de encontros anteriores. Carneiro chumbou seu destino ao da cidade mrtir. L se deixou ficar como um foco de resistncia cumprindo a 
incumbncia trazida do Rio de Janeiro de no deixar passar a revoluo por aquela cidade, onde se jogou
Pg. 132
a sorte da revoluo e da Repblica Floriano sabia que estava exigindo de Carneiro um extremo sacrifcio. O que visava com a resistncia da Lapa, era evitar a invaso 
de So Paulo.
Cel. Cordolino Azevedo
in "Anais do Primeiro Congresso de Histria da Revoluo de 1894".

A Revoluo Federalista
A Revoluo Federalista de 1893 e 1895, que atingiu o Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Santa Catarina e o Paran, foi, no h dvida, a mais negra pgina da nossa 
histria.
Nunca em movimento armado no Brasil, dos mais remotos aos mais recentes, houve a intensa criminalidade que foi registrada, de parte a parte. O dio maior era contra 
Gumercindo Saraiva. Por que? No o sabemos ao certo [... ] As foras criminais foram parelhas de ambos os lados. Mas isso nunca ser motivo para se apodar "bandidos" 
as figuras brilhantes de Pinheiro Machado, Jlio de Castilhos, Silveira Martins ou Gumercindo Saraiva. Ou ento, so todos igualmente bandidos, porque foram de suas 
parcialidades os perpetradores dos crimes verificados.
"Nunca, em movimento armado no Brasil, dos mais remotos aos mais recentes, houve a intensa criminalidade que foi registrada, de parte a parte, no movimento de 1893-1895.
A srie de depoimentos e memrias de um e outro lado, que compulsamos, lemos e examinamos as notcias de jornais da poca, o vasto documentrio indito que consultamos, 
de fonte oficial, legal e em mos de particulares o que pertencia aos federalistas provam asss o dio intenso que movia os republicanos (pica-paus contra os rebeldes, 
federalistas ou maragatos).
Walter Spalding in "Anais do Primeiro Congresso de Histria da Revoluo de 1894" pgs. 295 e 296.

Telegrama resumido que o Cel. Lacerda conseguiu enviar a Floriano, quando fugiu de Paranagu aps a rendio da Lapa, prestando valiosas informaes.

[...] Custdio seguiu para Destrro [...] para receber foras e tentar com 7 vapores golpear [...] Rio Grande com 2.000 homens. Gumercindo com 2.000 homens em Ponta 
Grossa. Guarnio Curitiba e Morretes pequenas [...] Levaram toda artilharia para concentrar esforos Rio Grande. Fugiram Rio da Prata Dria, Piragibe [...] Ourique 
[...] e outros. Desarmonia entre os Chefes  constante. Gumercindo seguir por terra.
Pg. 133

UNIDADE III
Paran Republicano 
13
O Progresso do Estado
No inicio do regime republicano, j era o caf o esteio da economia brasileira. O Paran, na ocasio, aparecia como um pequeno produtor da rubicea; longe estava 
ainda de se tornar o maior produtor brasileiro. A base da economia paranaense continuava sendo o pinho e a erva mate, apesar das crises sucessivas que enfrentava 
no seu instvel mercado. Em 1902, o mate representava ainda 31% do oramento do Estado.
A industria de manufaturas dava seus primeiros passos. As maiores fbricas do Estado eram de fsforos de excelente qualidade, de sabo e velas, massas alimentcias 
e cermica, nos arredores da Capital.

CICLO DO PINHO
O pinheiro  nativo no sul do Brasil. Cresce juntamente com outras rvores, como a imbua, cedros, erva mate, canelas etc. Sua madeira  geralmente branca, leve 
e fcil de aplicaes: tboas, caixas, laminados e compensados, celulose para papel, pasta mecnica, palitos, fsforos, objetos de decorao etc.
Apesar destas qualidades, foi pouco explorado como mercadoria de exportao at o
Pg. 134
sculo XX. Era utilizado somente na prpria regio de seu habitat*, para construes de casas, cercas etc.
Sua explorao econmica no se realizava devido  concorrncia da madeira importada, sobretudo do pinheiro de Riga*. Inexplicavelmente, dava-se preferncia a esta 
madeira importada, em detrimento da nacional, que  de qualidade bem superior.
O grande estmulo para a exportao do pinheiro paranaense surgiu com a primeira Guerra Mundial (1914-1918). Impossibilitada a importao do similar estrangeiro 
para o Brasil, por causa do conflito blico, houve intensa procura do pinho. No s foi abastecido o mercado interno, como conquistado o de Buenos Aires, que rapidamente 
deu preferncia  madeira do Paran, devido as suas qualidades superiores. Multiplicaram-se as serrarias, de preferncia do longo da estrada de ferro, recentemente 
aberta, ligando So Paulo ao Rio Grande do Sul.
Imagem: A ferrovia foi inicialmente o meio mais eficiente de transporte para tboas de pinho. Surgiram ento centenas de serrarias ao longo do leito das estradas 
de ferro.
Imagem: O surgimento do caminho  facilitou ainda mais a penetrao das serrarias para o interior do Estado.

Pg. 135
A exportao do pinho, nova atividade econmica paranaense, rapidamente ultrapassou em importncia a erva mate, como fonte principal de arrecadao do Estado. 
Com o desenvolvimento do transporte feito por caminho, sobretudo aps 1930, libertou-se a indstria madeireira da dependncia exclusiva da estrada de ferro, penetrando 
desta forma, cada vez mais, no interior.
A indstria do pinho atraiu boa parte da mo de obra excedente do mate, que estava em crise. As serrarias, sempre a procurar vastos pinheirais, acentuaram sua penetrao 
para oeste e sudoeste, regies detentoras de vastas florestas de pinheiro nativo.
Sendo a serraria uma atividade nmade, no se integra na regio em que est estabelecida. Esgotada a floresta, a serraria  transferida para outro lugar e forma, 
em torno de si, um ncleo populacional caracterstico, com dezenas de casas para operrios, mercado, farmcia etc., tudo pertencendo  companhia exploradora. Caracterizam-se 
os seus trabalhadores pelo baixo nvel de vida, fruto deste sistema. Por se encontrarem, na maioria, as serrarias na "boca do serto", 20 ou 50 km distantes de um 
centro populacional regularmente desenvolvido, os salrios, a segurana do trabalho, as horas extras etc., esto longe da fiscalizao do Ministrio do Trabalho, 
ocorrendo frequentemente a explorao desumana de sua mo de obra.
A serraria deixa, por onde passa, uma regio, devastada, sem ter contribudo para a fixao duradoura da populao.
Calculava-se, em 1920, que o Paran teria reservas florestais de pinheiros para 370 anos. Puro engano. Dos 200.000 km2 da superfcie do Estado, 76.000 estavam cobertos 
por matas de pinheiro. Em 1960, esta rea estava restrita a apenas 23.000 km2. Baseando-se nestes dados, chega-se  triste concluso de que o ciclo do pinho no Paran 
vai encerrar-se dentro de alguns anos, porque o pinheiro, levando cerca de 60 anos para tornar-se adulto e, em consequncia, apto para o corte, toma impossvel um 
reflorestamento intensivo e eficiente, a curto prazo. A falta de mentalidade bem formada da populao provocou, em poucos anos, o esgotamento das reservas.
Estudos realizados revelam que, para evitar uma crise social com o colapso da economia madeireira, a soluo seria plantar em grande escala o chamado "pinus elliotti", 
pinheiro de origem estrangeira, que leva menos anos para o crescimento, embora sua madeira seja inferior em resistncia.
Visando estudar e aprimorar o conhecimento das florestas, mantm o governo paranaense reservas florestais no Estado, sendo as principais as de:
Pg. 136
Vila Velha, no municpio de Ponta Grossa;
Caxambu, no municpio de Castro;
Vila Rica, no municpio de Fnix;
Capivari, no municpio de Bocaiuva do Sul;
Guara, no municpio de Guara;
Jurema, no municpio de Amapor.

A principal finalidade destes parques  distribuir mudas para o reflorestamento e proporcionar orientao tcnica para os interessados. Entretanto, sua atividade 
no  suficiente, pois o Paran precisa reflorestar anualmente 16.000.000 de pinheiros, para futuro abastecimento regular da indstria madeireira.
Grandes esperanas deposita o Paran na Escola Nacional de Florestas, recentemente transferida de Viosas (Minas Gerais) para Curitiba e incorporada  Universidade 
Federal do Paran. Formar engenheiros florestais, de que tanto o Paran necessita, para poder recuperar as imensas florestas perdidas, empenhando-se na formao 
de florestas artificiais.

CRIAO DA UNIVERSIDADE DO PARAN
Uma das maiores realizaes paranaenses, em seu perodo republicano, foi a criao da primeira universidade brasileira. Sua atuao passou a influir decisivamente 
na formao dos dirigentes locais, e ao mesmo tempo atraiu dos estados vizinhos grande nmero de jovens, a ponto de Curitiba receber o ttulo de Cidade Universitria. 
Foi a universidade um elemento importante no impulso do progresso paranaense. Colaborou decisivamente para que o Paran pleiteasse um lugar de destaque entre os 
mais prsperos estados brasileiros, transformando sua capital num dos maiores centros culturais do pas.

Aqui tem uma gravura do Lanamento da pedra fundamental do primeiro edifcio da Universidade do Paran, na Praa Santos Andrade, em 1912.
Pg. 137

Em 1911, a reforma do ensino, atravs da lei Rivadvia, permitiu o ensino livre, no oficial, no pas. Foi ento que um punhado de idealistas paranaenses, liderados 
por Vitor do Amaral e Nilo Cairo, tornaram a resoluo de criar em Curitiba uma Universidade, antigo sonho do notvel paranaense Rocha Pombo.
Seus idealizadores venceram todos os obstculos, inclusive o descrdito, e, em 19 de dezembro de 1912, foi lanada a pedra fundamental do edifcio que abrigaria 
a Universidade do Paran. O governo paranaense da poca, chefiado pelo governador Carlos Cavalcanti, deu irrestrito apoio  iniciativa.
Em 24 de maro de 1913, a Universidade iniciou o seu funcionamento num prdio alugado  rua Comendador Arajo, com um corpo de 26 professores e 96 alunos.
Este acontecimento foi um marco decisivo na histria paranaense. O governo do Estado logo reconheceu a Universidade e )assou a auxili-la, na medida de suas possibilidades.
Curitiba, ento, contava com pouco mais de 60.000 habitantes, io passando de uma cidade pacata, com ares provincianos.

Aqui tem duas gravuras, na primeira: Fachada do primeiro edifcio da Universidade do Paran, concludo em 1913.
Na segunda gravura: Curitiba em 1960, vendo-se no centro o edifcio da Universidade quase diludo entre os arranha-cus.
Pg. 138

Em 1915, houve nova reforma na legislao federal do ensino: a chamada Reforma Maximiliano, que novamente oficializou o ensino superior no pas e s permitiu a existncia 
de cursos superiores em cidades de mais de 100.000 habitantes: Isto significava a extino da Universidade. Foi a que todos os paranaenses uniram se numa s voz 
para salvar a Universidade do Paran: governo, professores, autoridades, alunos e o povo. Foi um gigantesco esforo para sobreviver.
O reconhecimento da Universidade foi negado por parte do governo federal, mas conseguiu-se a revogao da exigncia dos 100.000 habitantes para sede de ensino superior.
Os dirigentes da Universidade, com o intuito de salvar o que j havia sido realizado, solicitaram o reconhecimento de suas Faculdades, isoladamente: Direito, com 
os cursos jurdico e comercial; Engenharia: civil e agronmica; Medicina, compreendendo cirurgia, farmcia, odontologia, obstetrcia e veterinria. A Universidade, 
entretanto, no desapareceu. Da fachada do seu edifcio,  praa Santos Andrade, nunca desapareceu a inscrio "Universidade do Paran".
Em 1922 e em 1927, ocorreram novas tentativas para ligar em Universidades as Faculdades dispersas. Mas foi somente a 6 de junho de 1946, que houve a restaurao 
da Universidade do Paran, graas  luta sem trguas do interventor, prof. Brasil Pinheiro Machado, da bancada federal do Paran e do Ministro da Educao, Ernesto 
Souza Campos.
Foi eleito como reito* a figura veneranda de Vtor do Amaral, pioneiro de 1912 enquanto que para vice-reitor um dos lderes da restaurao, o prof. Macedo Filho. 
A reconduo de Vitor do Amaral ao cargo de reitor foi uma demonstrao eloqente de que ela continuava a ser a mesma universidade fundada em 1912.
Por ocasio de sua restaurao, a universidade contava com 2.033 alunos e havia titulado, pelos diversos cursos, 3.085 profissionais.
Em 1950, quando era reitor o prof. Flvio Suplicy de Lacerda, a Universidade do Paran foi federalizada, no mais perdendo o Paran o jubiloso ttulo de sede da 
mais antiga universidade do Brasil.

REVOLUO DE 1930
Na dcada de 1920, o progresso no Paran era notvel, sobretudo na agricultura, dominada pela imigrao europia e por seus descendentes, localizados preferencialmente 
no sul do Estado.
Pg. 139
Porm, o descontentamento dominava o Estado e o pas devido  situao econmica e poltica da nao. Todas as candidaturas  presidncia da Repblica, indicadas 
pela situao, ganhavam as eleies, porque:

a  Havia corrupo eleitoral; era comum, por exemplo, o voto dos eleitores defuntos.
b  Os eleitores no interior eram controlados por chefes polticos chamados de "coronis", que os intimidavam inclusive  mo armada.
c  O voto no era secreto.

Os descontentes desta situao organizaram movimentos armados no pas, em 1922 e 1924. Em 1926, surgiu em S. Paulo, o Partido Democrtico, que iria atrair todos 
os descontentes, recebendo a solidariedade de muitos partidos regionais que tinham os mesmos ideais.
Paralela  crise poltica, havia no Estado e no pas uma profunda crise social. No Paran, desde a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), ocorriam manifestaes pblicas 
de inspirao social. A situao do operariado, surgida como conseqncia do incio da industrializao, era dificlima. Havia no pas somente uma lei social: a 
do seguro ferrovirio; trabalhava-se de 14 a 16 horas por dia; e no 8 horas como acontece hoje, quando at o sbado comea a no ter expediente; para os operrios 
no havia domingos, nem feriados  eram obrigados a fazer, nestes dias, a limpeza nas instalaes da fbrica; no havia estabilidade no emprego e nem salrio mnimo; 
as mulheres e as crianas eram preferidas aos homens, por receberem salrio menor e executarem a mesma tarefa. Esta situao agravou-se ainda mais com a crise mundial 
de 1929, quando o Brasil viu-se com um excesso de caf estocado, de valor superior  moeda circulante no pas.

Aqui tem uma foto de uma greve, em 1917, onde aparecem vrias pessoas: Como conseqncia da profunda crise social pela qual passou Curitiba na segunda dcada do 
sculo XX, surgiram na cidade os primeiros movimentos grevistas de importncia. 
Pg. 140
Foi no ambiente desta situao calamitosa, que se realizaram as eleies para presidente da Repblica. Concorreram Getlio Vargas, pela oposio, e Jlio Prestes, 
pelo governo. Era certa a vitria do candidato Getlio Vargas, porm o governo controlando as eleies, proclamou eleito Jlio Prestes.
A revoluo irrompeu a 3 de outubro de 1930, e j a 24 do mesmo ms o presidente Washington Lus foi deposto, assumindo Getlio Vargas a presidncia da Repblica.
O Paran era governado na ocasio pelo governador Afonso Alves de Camargo, deposto dia 5 de outubro pelo Major Plnio Alves Monteiro Tourinho, assumindo o posto 
de governador o general Mrio Tourinho. Em 1932, o General Tourinho entregou o governo ao interventor nomeado por Getlio Vargas: Manoel Ribas.

A INTERVENO: 1932-45
Ocupou o governo paranaense, por 13 anos consecutivos, o interventor Manoel Ribas. Devido a seu modo prtico de governar, tornou-se rapidamente muito popular, apesar 
de ser por vezes rspido; porm nunca deixou de ser excelente administrador.
Foi no seu governo que instalou-se a Companhia de Terras Norte do Paran. A maior ocupao e colonizao do setentrio trouxe rapidamente a supremacia econmica 
do Estado para o caf, que encontrou ali seu habitat ideal.
Em 1943, quando o Brasil estava sob o domnio da ditadura do Estado Novo* e em plena Segunda Guerra Mundial, o chefe do governo brasileiro, Getlio Vargas, resolveu 
criar novos territrios federais, nas regies de ronteira, alegando a necessidade de fortalecer as mesmas e acelerar o progresso nos territrios limtrofes, para 
maior segurana nacional.
So criados ento os territrios federais do Amap, Rio Branco (atual Roraima), Guapor (atual Rondnia), Fernando de Noronha, Ponta-Por e Iguau.
O territrio do Iguau foi criado em superfcie subtrada ao Paran e a Santa Catarina. O Paran perdeu cerca de 1/4 de sua superfcie, ou seja 47.000 km2, e Santa 
Catarina 14.400 km2. Abrangia, esta nova unidade federativa, os territrios situados a oeste do Estado, ao sul do rio I vai, e a oeste de Santa Catarina.
Com a redemocratizao do pas em 1945 e a queda do Estado Novo, houve a convocao de uma Assemblia Constituinte; o Paran, mediante ingentes esforos de seus 
representantes, conseguiu extinguir o territrio do Iguau, voltando os 47.000 km2 a se integrarem ao Estado.
Pg. 141

SNTESE
1  Ao iniciar-se o regime republicano, a base da economia paranaense continuava sendo a explorao da erva mate. A produo de caf ainda era mnima e a indstria 
manufatureira dava os seus primeiros passos.
2  A explorao em grande escala do pinho iniciou-se no sculo XX, sobretudo aps a Primeira Guerra Mundial, conquistando facilmente o mercado platino.
3  A explorao indiscriminada do pinheiro provocou o rpido desflorestamento do Estado, a tal ponto que o ciclo do pinho no Paran est condenado a uma profunda 
crise.
4  Extraordinria iniciativa tiveram os paranaenses quando em 1912 fundaram a Universidade do Paran, a primeira no Brasil. Foram seus principais fundadores Vitor 
do Amaral e Nilo Cairo.
5  A revoluo de 1930, chefiada por Getlio Vargas, deps o governador Afonso Alves de Camargo e nomeou interventor a Manoel Ribas.
6  Durante o longo governo de Manoel Ribas, foi criado o Territrio Federal do Iguau, com superfcie subtrada dos Estados do Paran e Santa Catarina. Por ocasio 
da constituinte de 1946, o territrio do Iguau voltou a incorporar-se aos Estados a que antes pertencer.

VOCABULRIO
Habitat..............: lugar prprio de um ser vivo onde ele nasce, cresce e vive naturalmente.
Riga .................: capital de Letnia, regio situada nas margens do mar Bltico, atualmente pertencente  Unio Sovitica.
Reitor ..............: aquele que rege, diretor. A mais alta autoridade universitria.
Estado Novo...: nome que leva o regime ditatorial, inaugurado no Brasil por Getlio Vargas, com o golpe de estado de 10 de novembro de 1937.
Pg. 142

LEITURAS E DOCUMENTOS
Assim o jornal governamental "A Repblica" explicou o estranho afastamento do governador Francisco Xavier da Silva do seu posto, nas vsperas da ocupao do Paran 
pelas tropas maragatas.

"Sem apparatos, sem ostentao, sem rudos, embarcou hontem com destino ao Estado de So Paulo o preclaro cidado Dr. Francisco Xavier da Silva, digno e honrado 
Governador deste Estado.
A nenhum motivo de ordem poltica se deve atribuir a ausncia temporria do ilustre cidado, que por mais de um anno, atravessando perodos delicados e melindrosos, 
soube conservar illeso o seu nome, impolluta a sua reputao,  frente dos destinos da Ptria Paranaense, que ele honra pelas suas virtudes cvicas e pelos seus 
talentos.
S. Excia. vai repousar dos labores do alto e espinhoso cargo a que foi elevado pela confiana do eleitorado do Paran, e fal-o guardando a mais inquebrantvel harmonia 
de vistas com seus amigos, e merecendo do grande partido republicano paranaenses a estima e a considerao a que tem incontestvel direito..."
A Repblica de 13/4/1893.


Trecho da Ata da Assemblia que criou a Universidade do Paran
"Aos dezenove dias do ms de dezembro de 1912, no recinto do Congresso legislativo, na cidade de Curitiba, reunidos todos os lentes catedrticos e substitutos da 
Universidade do Paran, [...] tomou a palavra o Snr. Victor Ferreira do Amaral para explicar os motivos da reunio e disse que, na qualidade de presidente da comisso 
organizadora da Universidade, cumpria-lhe expor aos colegas o assunto que ali os congregava. H muito falou o orador, fazia-se em nosso prspero Estado a necessidade 
da fundao de escolas superiores, pois no somente j  hoje elevado o nmero dos patrcios estudiosos que buscam em outros Estados as academias superiorees, mas 
tambm  grande o de talentos que, por falta de recursos pecunirios suficientes para fazerem como os outros, aqui ficam estiolando-se e lamentando a falta dessas 
escolas onde desejariam aperfeioar a sua cultura. Deste estado de cousas, h muito surgiu a lembrana da fundao de uma Universidade no Estado, tendo tido a primeira 
idia o Snr. Rocha Pombo, cujo projeto prematuro no pde vingar. Depois dele pensaram na hiptese o orador e o Snr. Panphilo de Assunpo; e, aps os ingentes esforos 
da comisso da qual agora faz parte, o orador, como os do infatigvel colega Dr. Nilo Cairo, parece, enfim, chegado o momento de vermos realizado o dourado sonho..."
Pg. 143

Reivindicaes sociais
Em 1917 ocorreram as primeiras manifestaes e reivindicaes sociais de rua, em Curitiba. A classe operria, ento surgindo no Paran, estava inquieta. O feijo 
subira 20 mil ris o cargueiro, a banha subira de 1$300 para dezesseis mil ris o quilo, a farinha de trigo, racionada era difcil de ser encontrada. As emoes 
da Primeira Guerra Mundial, o afundamento de vrios navios brasileiros por submarinos alemes e a soluo pouco favorvel para o Paran no caso do Contestado traz 
os nimos esquentados. Os operrios curitibanos decidem ir  greve, at ser aceita, pela classe patronal, a relao das reivindicaes:
1  Jornada de oito horas de trabalho.
2  Abolio completa de multas.
3  Proibio do trabalho de menores de 14 anos.
4  Proibio do trabalho feminino para menores de 21 anos.
5  Aviso prvio de 18 dias, com uma hora de folga para procurar outro emprego em caso de dispensa.
6  Baixa do preo dos gneros alimentcios, sobretudo da farinha de trigo e do acar.

Muitas foram as agitaes de rua realizadas pelos grevistas como a paralisao total dos coletivos, o boicote da luz para a cidade etc.
O movimento operrio em Curitiba no conseguiu o atendimento de suas reivindicaes, a no ser alguns trabalhadores, isoladamente, em acordos diretos com seus patres.
Pg. 144

UNIDADE III
Paran Republicano
14
O Contestado

Na primeira metade do sculo XIX, a provncia de So Paulo estendia-se na sua parte meridional at o Rio Uruguai, o qual a limitava com a Provncia de So Pedro 
do Rio Grande do Sul.
Em 1853, a quinta comarca de So Paulo veio a constituir a Provncia do Paran. Seus limites meridionais mantiveram-se os mesmos, sem alterao, uma vez que o Paran 
passou a ser o legtimo herdeiro dos direitos paulistas no sul. Seu limite com a Provncia de Santa Catarina iniciava-se ento na barra do rio Sa-Guau, no Oceano 
Atlntico; seguia por este at encontrar as nascentes do rio Negro; da at seu afluente, o rio Preto, at suas nascentes na Escarpa Geral; pelo divisor de guas 
desta, at as nascentes do rio Marombas; por este, at o rio Canoas, afluente do rio Uruguai; e pelo Uruguai, fazendo j ento fronteira com o Rio Grande do Sul, 
at encontrar o limite com a Argentina, formado pelos rios Peperi-Guau e Santo Antnio.
Desta forma, o Paran, em 1853, estendia-se at o Rio Grande do Sul, s margens do Rio Uruguai, porm no havia ainda um acordo de fronteiras entre o Paran e Santa 
Catarina.
Pg. 145
O TERRITRIO DO CONTESTADO
O problema fronteirio entre os dois Estados vizinhos continuou a ser debatido por vezes nos parlamentos dos respectivos Estados, at 1901. Neste ano, colhendo de 
surpresa o Estado do Paran, Santa Catarina apresentou no Supremo Tribunal Federal uma ao judicial, reivindicando a fronteira com o Paran pelos rios Sa-Guau, 
Negro e Iguau.
Pg. 146
Uma tal pretenso por parte de Santa Catarina sempre pareceu ao Paran to absurda que seus dirigentes, polticos e juristas, nunca se preocuparam com seriedade 
a respeito do assunto. Esta negligncia, por parte dos homens pblicos paranaenses, vinha do fato de a constituio federal de 1891 prever que os casos de fronteira 
entre os Estados seriam resolvidos politicamente, e no juridicamente. Logo, as fronteiras estaduais s poderiam ser alteradas mediante a aquiescncia das duas Assemblias 
legislativas interessadas.
O Supremo Tribunal Federal, simptico  causa catarinense, chamou a si, ilegalmente, uma causa poltica, o que no era de sua competncia. Os interessados paranaenses 
foram defendidos pelo Conselheiro Joaquiam da Costa Barradas, que, apesar de sua extraordinria argumentao, foi vencido pelo argumento de que Santa Catarina "tinha 
o direito de possuir limites naturais", i.., ter como limites com o Paran os rios Sa-Guau, Negro e Iguau.
O territrio em disputa pelos dois estados ficou conhecido como Contestado e compreendia uma rea de aproximadamente 48.000 km2, superfcie esta superior  de vrios 
estados da federao. Excluindo-se a parte j ocupada por Santa Catarina, compreendia o Contestado o territrio limitado pelos rios: do Peixe, Uruguai, Peperi-Guau, 
Santo Antnio, Iguau, Negro e Preto, at suas nascentes; seguia ento pelo divisor de guas da Escarpa Geral at as nascentes do Rio Canoinhas, afluente do Iguau, 
e da pelo divisor de guas da Escarpa do Espigo, at as nascentes do rio do Peixe.
Apesar dos dois embargos* impostos pelo Paran  deciso do Supremo Tribunal Federal a 6 de julho de 1904, a Suprema Corte confirmou a 25 de julho de 1910, a linha 
demarcatria baseada nos rios Peperi-Guau, Negro e Iguau. Esta deciso arbitrria nunca chegou a ser executada, em virtude de o juiz federal de Curitiba, Joo 
Batista da Costa Carvalho, aceitar a alegao paranaense de que a execuo da deciso da Suprema Corte s poderia ser realizada mediante lei federal. Enquanto se 
discutia a questo, os nimos se inflamaram nos dois Estados, atingindo mesmo ao mais pacato cidado. Este litgio somente foi resolvido posteriormente, em 1916, 
graas  interveno do Presidente Wenceslau Braz, quando o Paran contentou-se com 20.000 km2 e Santa Catarina com 28.000 km2.

PROBLEMA SOCIAL DO CONTESTADO
Abandonada que foi a regio pelas autoridades paranaenses, faltava a estas populaes qualquer tipo de assistncia governamental
Pg. 147
e espiritual, vivendo seus habitantes na marginalidade. Sua densa populao cabocla vivia no mais completo abandono, ingnua que era, dominada por crenas fetichistas*, 
ligadas a devoes catlicas. Ao mesmo tempo impulsiva, agitava-se com a questo do Contestado, cujo territrio habitava.
Dominava economicamente a regio a propriedade latifundiria, que agrupava em tomo de si um grande nmero de tropeiros, agregados*, foreiros* e desocupados, os quais 
viviam  mngua.
Estas enormes fazendas absorviam tudo. At as vilas existentes viviam em funo destes latifndios. Tal tipo de propriedade impedia o progresso e asfixiava a pequena 
propriedade.
Nesta poca, 1910-1911, construa-se na regio do Contestado 'a estrada de ferro So Paulo-Rio Grande. Aproveitavam muitos a oportunidade para adquirirem, a preos 
baixos, as terras marginais ao leito da ferrovia, face a sua certa valorizao, uma vez concluda a estrada de ferro. Este fato fez surgir milhares de posseiros*, 
que ocupavam h muito tempo as terras vendidas, sem entretanto, possuir o ttulo legal de posse.
Aqui tem uma gravura: Os governos estaduais e federal em vez de solucionarem o problema social surgido no contestado, enviaram foras policiais e militares para 
exterminarem os sertanejos.
Pg. 148
Neste interim, deu-se a paralisao das obras da estrada de ferro, o que veio a aumentar, na zona litigiosa, a multido dos descontentes, com os milhares de desempregados. 
Revoltava e indignava ainda os sertanejos, o fato de o governo federal vender extensas regies em lotes, a preos acessveis, a imigrantes europeus que ali se fixavam, 
nada cabendo aos primeiros. Tal situao era completamente adversa  populao sertaneja. Julgavam-se cercados de inimigos: o governo federal, os proprietrios, 
os capangas dos "coronis" e a polcia catarinense e paranaense, que surgia por vezes para expuls-los de suas terras. Fcil era, em tal estado de tenso, o surgimento 
de um lder que os conduzisse  revolta. Este lder era esperado e desejado pelos sertanejos. E surgiu, na pessoa de Miguel Lucena, que se intitulava o "monge" Jos 
Maria de Agostinho.

OS MONGES
Os estados sulinos, Paran, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, eram percorridos desde os meados do sculo XIX at 1912, por figuras exticas que a populao dos 
nossos sertes chamava de "monges". Viviam mais na floresta, dormiam em grutas, possuam barba crescida e cerrada, sandlias feitas de couro cru, na cabea um barrete 
de pele de ona, um bordo na mo e um tero pendurado no pescoo. A aparncia de tais figuras msticas impressionava as mentes dos sertanejos. Os chamados "monges" 
foram, na realidade, trs.
O primeiro foi Joo Maria d'Agostini, imigrante italiano, chegado ao Brasil em 1844. Ao que parece, foi realmente um frei da ordem de Sto. Agostinho, pois pregou 
na matriz da Lapa, em 1845. Percorria os estados do sul, exortando os homens  prtica das virtudes e do bem, receitava ervas como remdio a quem solicitasse, dava 
conselhos aos aflitos que o procuravam e plantava cruzes nos caminhos. Morreu no se sabe como, nem quando. Os caboclos atribuam-lhe milagres e passaram a cham-lo 
"So Joo Maria. Para eles, no era possvel que um homem to bom e santo pudesse desaparecer. Neste ambiente de expectativa, surgir o segundo "monge", na pessoa 
de Anasts Marcaf, o qual chegou  cidade da Lapa com as tropas de Gumercindo Saraiva, durante a revoluo federalista. em 1894. Conheceu pessoalmente a Joo Maria 
d'Agostni e ouvia suas pregaes. Imitou-o em tudo: no traje, no barrete, no modo de vida etc. Intitulava-se Joo Maria de Jesus. Era de ndole pacfica e nunca 
fez mal a ningum, nem procurou afastar qualquer pessoa do catolicismo, porm seguia
Pg. 149
sua prpria orientao. Solicitado que foi, numa ocasio, por frei )grio, a assistir a uma missa retrucou asperamente: "Minha reza vale tanto quanto uma missa"; 
e no assistiu.
Dos trs monges existentes, foi o que mais influncia deixou o que mais se perpetrou na lembrana da populao sertaneja. Morreu, ao que parece, nos sertes de Santa 
Catarina, em 1906.

Aqui tem uma gravura: O segundo "monge", Joo Maria de Jesus, na pessoa de Anastas Marcaf.

Seu desaparecimento foi um desconsolo para os sertanejos. Onde estava o seu saudoso guia e mestre? O conselheiro, o mdico o confidente?
A tenso poltica e social aumentava o furor e os desmandos da polcia catarinense e paranaense atemorizavam as populaes sertanejas. Era necessrio um lder, um 
guia que chefiasse uma revolta. E ele apareceu na figura do terceiro "monge" que era na realidade Miguel Lucena, desertor da polcia paranaense. Aproveitou-se, este 
elemento, da tenso poltico-social existente no contestado, arvorando-se em "monge", nome de to gratas recordaes aos sertanejos.
Aliciou ao seu redor os descontentes, os injustiados, os perseguidos, os desajustados, os desempregados, os bandidos e os facvoras, e deu-lhes instruo militar, 
armando-os com espadas, faes, pica-paus e garruchas. Este foi o "monge" guerreiro. Surgiu nos sertes de Campos Novos, chamando-se Jos Maria de Agostinho
Pg. 150
e dizendo-se irmo do falecido primeiro monge. Usava as qualidades de persuao do primeiro, e realizava "milagres" e rezas, em comum com os caboclos. Tomou-se seu 
chefe e guia. Organizou na regio uma resistncia contra as investidas policiais, defendendo os desprotegidos matutos. Criou os chamados "quadros santos" que eramprodutos 
de resistncia. Ao mesmo tempo, comps uma guarda especial, de 24 sertanejos, a quem chamou de "os doze pares de Frana", por influncia de um livro que lera.

Aqui tem duas gravuras, na primeira: O terceiro e ltimo "monge", Jos Maria de Agostinho, na realidade Miguel Lucena, fugitivo da polcia paranaense.
Na segunda gravura: Sertanejos armados de pistolas, espingardas e espadas, fotografados em seu reduto de Caraguat.
Pg. 151
Entretanto, sua ordem era clara: no atacar, mas resistir". Sua reivindicao bsica era a soluo do problema de terras. O nmero de seus adeptos cresceu rapidamente. 
O pretexto para a guerra surgiu quando o monge recusou-se a atender a um doente da famlia do Coronel Albuquerque, grande proprietrio dos sertes catarinenses e 
presidente da Assemblia Legislativa barriga verde". A polcia catarinense procurou dispersar os sertanejos, no o conseguindo. Porm, com diplomacia, convenceu 
Jos Maria a transpor o rio do Peixe, entrando desta forma em territrio paranaense. Para as autoridades paranaenses, Jos Maria no passava de um invasor catarinense, 
de um chefe de fanticos, como passaram a ser conhecidos os seus adeptos.

A SUBLEVAO DO CONTESTADO
Os fanticos de Jos Maria instalaram-se no Paran, nos campos de Irani (hoje territrio catarinense). A polcia paranaense tratou-os como usurpadores. A primeira 
expedio policial foi rechaadas pelas hostes* de Jos Maria. A segunda, bem armada, foi comandada pelo Coronel Joo Gualberto, o qual, chegando aos campos de Irani, 
intimou o "monge" a comparecer com urgncia  sua presena, e explicar o motivo de tanta gente armada. Em caso contrrio, seriam atacados. No foi atendido. Mesmo 
desaconselhado pelos seus oficiais; Joo Gualberto resolveu atacar. De ora em diante, cada sertanejo tornou-se uma fera, matando qualquer pessoa que fosse adversria. 
Jos Maria preparou-lhe uma emboscada. Atacaram os soldados, dentro da mata, numa luta corpo a corpo, feroz e cruel; cercaram-nos e os aniquilaram, um a um. Durante 
a luta, o Coronel Joo Gualberto reconheceu o monge e atacou-o a tiros, tirando-lhe a vida; porm foi igualmente ferido de morte pelo monge, que lhe desfechara alguns 
golpes de faco na cabea. A vitria dos fanticos em Irani armou-os com aprecivel material blico apreendido. Sem o seu chefe, abandonaram o territrio paranaense, 
voltando para a regio de Campos Novos. Sua ao restringiu-se ento a algumas escaramuas, at o surgimento de um novo lder: Eusbio Ferreira dos Santos. Chefiados 
por este, organizaram forte resistncia em Taquaruu. A memria de So Joo Maria era frequentemente invocada. A neta de Eusbio Ferreira jurava ter visto vrias 
vezes Jos Maria, que lhe aparecera e ordenara que continuassem a luta. Eusbio passara a dar ordens em nome de "So" Jos Maria.
Pg. 152
TAQUARAU  CARAGUATA E STA. MARIA
O reduto de Taquaruu foi preparado para a guerra; localizava-se ento no municpio de Curitibanos. Uma nova fora militar federal foi providenciada para desbaratar 
os fanticos. Mas estes aperceberam-se dos movimentos das tropas, infringindo-lhes um novo desastre e apoderando-se tambm do precioso material militar. As autoridades 
militares, surpreendidas, organizaram ento uma forte expedio, inclusive com seco de artilharia, a qual atacou Taquaruu com violento bombardeio e fogo de metralhadoras. 
Os fanticos recuaram, fortificando-se desta feita em Caraguat.
Nesta altura dos acontecimentos, a luta perdeu toda a sua caracterstica religiosa e o fanatismo, aliado ao banditismo, superou qualquer misticismo. O nome de Jos 
Maria deixou de ser lembrado, os amotinados tornaram se simplesmente jagunos, salteadores e facnoras, que lutavam para saquear e roubar, no tendo um objetivo 
definido. A fome e o tifo grassavam em suas fileiras. A partir de 1914, j no esperavam ser atacados, mas se adiantavam na ao. Ocuparam Papanduva e Itaipolis, 
ameaando diretamente Mafra e Rio Negro. Surgiram dentre eles vrios lderes: Afonso Voland, Carneirinho, Gregrio etc. Transferiram seu estado maior de Caraguat, 
onde eram pssimas as condies higinicas, para Santa Maria.
Pg. 153


O FIM DA LUTA
O governo federal percebera que estava desperdiando tempo, homens e munies, ao organizar pequenas expedies. Resolveu ento realizar uma campanha de envergadura, 
com todo um equipamento militar. Cercaram a zona conflagrada, pelos quatro lados, estreitando cada vez mais o cerco.
Sucederam-se rpidas vitrias das tropas legalistas, destacando-se na ao o capito Potiguara. Com o estrangulamento lento do cerco, concentraram-se os jagunos 
em Sta. Maria. Ali, entre os fanticos em desespero, e como ltima esperana, renasce o misticismo, aliado ao banditismo. Esperavam a ressurreio de algum "monge", 
que haveria de dar-lhes a felicidade e a fartura. Bombardeados continuamente, inclusive com o auxlio de quatro avies, o ltimo reduto dos fanticos cedeu, depois 
de uma luta violenta  e desesperada. Os fanticos que conseguiram fugir, nunca mais tentaram reagrupar-se.
Foram necessrias 13 expedies ao todo, para se conseguir desbaratar os fanticos, perdendo-se milhares de vidas entre oficiais, soldados e caboclos.

IDIAS POLTICAS DOS FANTICOS
Quando Jos Maria e o Cel. Joo Gualberto iniciaram a guerra nos campos de Irani, os fanticos no tinham idias polticas formadas, mesmo com relao ao Contestado. 
No tomavam partido nem pr nem contra qualquer Estado. Se as autoridades de qualquer um desses Estados soubessem aproveitar a fora que esses fanticos representavam, 
solucionando-lhes seu principal problema, qual seja, dando-lhes terras e alguma assistncia, teria garantido para seu lado a posse de todo o contestado.
As idias monrquicas de Jos Maria iriam encontrar nos sertanejos um campo propcio. A monarquia, abolida recentemente, parecia-lhes um regime de paz, durante o 
qual no haviam sido atacados nem explorados. A repblica parecia-lhes um regime de terror, que impedia suas rezas em comum, dispersava-os  bala e, no satisfeita, 
ainda procura expuls-los de suas terras. O velho e barbudo D. Pedro II lhes parecia ser um governante ideal.
Com o desenvolvimento da luta, firmou-se entre os sertanejos a idia de uma monarquia sul-brasileira, que compreenderia os Estados do Paran, Santa Catarina, Rio 
Grande do Sul e o Uruguai. Afirmam inclusive alguns historiadores que o rico e influente
Pg. 154
fazendeiro catarinense Manoel Alves de Assuno Rocha, que possua grande ascendncia sobre os jagunos, fora aclamado imperador da monarquia sul-brasileira, em 
Taquaruu. Todas estas idias monrquicas desmoronaram em 1915, com a queda de seu ltimo reduto: Santa Maria.

SNTESE
1  Em 1853, no ano da emancipao do Paran da Provncia de So Paulo, seu limite meridional estendia-se at o Rio Grande do Sul.
2  O problema fronteirio com Santa Catarina ainda no havia sido resolvido, reivindicando, este ltimo Estado, vasta extenso de terras que sempre estiveram sob 
a administrao paulista e, posteriormente, paranaense.
3  Em 1901, Santa Catarina levou o problema fronteirio para o Supremo Tribunal, reivindicando a fronteira com o Paran pela linha que passa pelos rios Sai-Guau, 
Negro e Iguau.
40 territrio disputado ficou conhecido como "Contestado", possuindo aproximadamente 48.000 km2
5  O abandono da regio, por parte das autoridades dos dois Estados, fez surgir um grave problema social, com a populao sertaneja abandonada, sem qualquer resistncia, 
posta na marginalidade e asfixiada pelas grandes propriedades que dominavam a regio.
6  Desde o sculo XIX, o sul do Brasil foi percorrido por figuras exticas, que a populao chamava de "monges". Ao todo, os monges" foram trs.
7  O descontentamento desta populao veio a ser explorada por um desertor da polcia, Miguel Lucena, o qual se tomou conhecido pelo nome de Jos Maria de Agostinho.
8  Miguel Lucena organizou na regio uma resistncia. Criou os chamados "quadros santos" e uma guarda, os "12 pares de Frana".
Pg. 155

9  Organizou o governo paranaense, contra esse grupo, uma expedio policial. Apesar de Miguel Lucena sair morto no combate travado, os sertanejos, levados por 
uma fria de vingana, espalharam-se por uma vasta regio, assaltando, matando e sequeando.
10  Os Fanticos do Contestado, como ficaram conhecidos, somente foram dominados com o emprego de foras do exrcito, aps fracassarem vrias expedies formadas 
para desbarat-los.
11 As autoridades do Paran e Santa Catarina no souberam explorar esta enorme fora de milhares de sertanejos em p de guerra. O Estado que lhes desse terras e 
alguma assistncia os teria atrado e garantido a posse de todo o Contestado.
12  Os fanticos chegaram a pensar num governo monrquico, que abrangesse o Paran, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e o Uruguai.

VOCABULRIO
Embargo.........: estrvo, atravanco, obstculo, empecilho.
Fetichista........: pessoa que cultua fetiches, supersticiosa.
Latifndio.......: grande propriedade agrcola.
Agregado........: pessoa associada  propriedade. O agregado no  proprietrio.
Foreiro..............: aquele que paga fro (aluguel) ao dono de uma propriedade rural, para poder explor-la.
Posseiro...........: aquele que ocupa uma propriedade, sem ttulo legal e legtimo.
Hostes..............: bandos, tropas.

A ausncia na regio do contestado de autoridades catarinenses e paranaenses,  levou a sua populao a uma triste situao:

Fatores ponderveis concorreram para o desencadeamento de uma decadncia geral em todos os sentidos. Era a falta de tudo. O isolamento. O abandono completo. Na 
ausncia de comrcio estabelecido, havia o "caixeiro" ambulante, o mascate; em lugar da notcia do jornal ou do rdio,
Pag:156

        
corria o boato; o Charlato, o curandeiro ou o benzedor substituam o mdico, o sanitarista. o farmacutico, e, enquanto no aparecia o sacerdote, qualquer impostor 
taumaturgo ou profeta extico penetrava nos lares e at nos coraes dos mais ignorantes.
Neste terreno, foi fcil aos monges fazerem proselitismo e encontrarem receptividade para as suas pregaes. Uma situao da qual, entretanto, s o ltimo deles 
prevaleceu-se [...] para obter vantagens pessoais, no s de prestgio mas tambm de ordem material",
Revista "Panorama"
N. 139 de dezembro de 1963 pg. 34

A expedio de Joo Gualberlo

A 12 de outubro de 1912,Gualberto chegou a Unio da Vitria e no dia seguinte tomou o caminho do serto, estacionando o grosso do contingente na paragem denominada 
Cardosinho, de onde enviou um ultimato a Jos Maria, "intimando-o a comparecer com urgncia ao acampamento a fim de explicar os motivos da reunio de tanta gente 
armada naquela zona, sob pena de, em caso de no atendida a intimao abrir combate de ex-termnio, a fim de tazer voltar  zona o regime da ordem e da lei.
O "monge" no atendeu  intimao nem compareceu ao encontro. E preparou uma emboscada para a tropa legal, enquanto Joo Gualberto desfechava seu ataque na madrugada 
de 22 de outubro. A caminho do Irani, para a luta com os sertanejos, a metralhadora "Maxim" que a expedio levava, caiu na agua descuidando-se os soldados de fazer 
escorrer a agua, num desleixo que posteriormente custaria caro. Avistando trs casas, que supunham ser as dos caboclos, os soldados se aproximaram sem grandes cuidados 
 estavam quase certos de que a rendio seria imediata  e foram recebidos pelo fogo concentrado de uma coluna de sertanejos. Mesmo assim ocuparam as casas, onde 
s encontraram mulheres e crianas, tendo sido Informados de que os homens se achavam no acampamento do "monge". Nesse instante, 50 homens a cavalo, acompanhados 
de 200 outros, a p, entraram na clareira e tirotearam a tropa primeiramente, engajados depois do combate corpo-a-corpo, armados de faces, foices e machados.
A luta foi cruel. Sem quartel. Perdas sensveis verificaram-se, de lado a lado. A fora legal, em menor nmero, foi forada a recuar. A metralhadora, que seria decisiva, 
enguiou na hora em que seria mais decisiva.Os soldados foram cercados e aniquilados um a um. Joo Gualberto reconheceu o "monge pelo barrete de pelo de ona e o 
atacou matando-o a tiros, e sucumbindo logo depois nas mos de um grupo de fanticos que o despedaou a faco.
Foi assim, com um desastre dessas propores, que praticamente se
inciou a Campanha do Contestado

Revista "O Cruzeiro", de 11 de julho de 1964. pg. 26 
Pag:157

Atividades dos sertanejos:
Aps o combate do Irani, "sucederam-se as contendas, com carter de guerrilhas, em que os "pelados" (assim eram chamados os rebelados), valendo-se de ciladas, tocaias, 
sortidas, deram combate a foras militares do Exrcito da Polcia, e as dos coronis e das companhias, formadas por capangas. Durante quatro anos, desde setembro 
de 1912, dominaram a regio, dispersos pelos redutos, pela mata. Atacavam fazendas, cidades e povoados em piquetes; investiam a faco contra as tropas tomadas de 
surpresa que atraiam para o terreno inspito, cercando-as, caando-as camuflados pelos ramos, metidos em troncos de imbua, trepados em copas de pinheiro. Surgiam 
de sbito, levando o pnico  soldadesca [...] Jamais se expunham a ataque geral de guerra regular; fazian guerra de movimento, em grupos, e provocavam rpidos entreveros. 
No eram percebidos pelos soldados, os quais, em jornada, recebiam tiros certeiros sem saber de onde..."
Revista Panorama, N 143, de abril de 1964, pg. 25.
Pag:158
UNIDADE III 15
O Fabuloso Norte do Paran

Conhecido no mundo inteiro h aproximadamente 30 anos, o norte paranaense permaneceu incgnito at a dcada de 1930. Sua extraordinria fertilidade permaneceu inexplorada 
pelo bandeirante paulista, que em suas terras destruiu as redues espanholas, no despertou a ateno dos mineradores de ouro do planalto de Curitiba e do vale 
do rio Ribeira, no sculo XVII; os tropeiros que faziam o comrcio entre So Paulo e o Rio Grande do Sul, no sculo XVIII, tambm no lhe divisaram a fertilidade, 
nem tam-pouco o governo imperial ou estadual.
Aps as destruiles das redues jesuticas, localizadas na regio, o lendrio ban-deirante Ferno Dias Paes Leme, percorreu o vale do rio Tibagi, em 1661,  procura 
de ouro e diamantes. Reinavam ento ali 3 poderosos caciques,ciosos de sua independncia e poder: Sond, Gravata e Tombu. Ferno Dias Paes Leme conseguiu convencer 
os trs caciques a aceitarem a doutrina da Igreja, e conduziu os ndios, em nmero de 5.000, para So Paulo.
No sculo XVIII, a regio foi vasculhada pelo Tenente  Coronel Afonso Botelho 
Pag:159
Sampaio e Souza, procurando riquezas minerais, bem como seu maior conhecimento. Infelizmente, da expedio de Afonso, nenhum povoado estvel se formou.

PEQUENO INCIO: COLNIA DE JATA
O Baro de Antonina, em meados do sculo XIX, visando a abertura de uma estrada que comunicasse os Campos Gerais paranaenses com a Provncia de Mato Grosso, fundou 
uma colnia militar. Foi ento, em 1855, erigida a colnia, localizada  margem direita do rio Tibagi, num de seus trechos navegveis: o Porto de Jata. Essa colnia 
militar, apesar de seu grande isolamento continuou existindo, devido a sua localizao estratgica, prxima da Provncia de Mato Grosso, sobre a qual pairava a ameaa 
de invaso por parte do Paraguai. Ainda sob a direo do Baro de Antonina, fundaram-se dois aldeamentos indgenas: o de So Pedro de Alcntara, em frente  colnia 
do Jata, na margem oposta do Tibagi, por Joaquim Francisco Lopes, sertanista que havia, feito o trabalho de desbravamento da regio, bem como o de So Jernimo, 
s margens do rio do Tigre, afluente do Tibagi. O aldeamento de So Pedro de Alcntara ficou a cargo do frei capuchinho Timtheo de Castel Nuevo, que  considerado 
fundador de Jataizinho. Apesar da sua localizao estratgica, porm isolada, a colnia militar de Jata no se desenvolveu satisfatoriamente. Foi no entanto, o 
primeiro ncleo de povoamento permanente no norte do Estado, juntamente com os dois aldeamentos indgenas. Essa colnia militar denomina-se hoje Jataizinho, e foi 
elevada  categoria de vila em 1872.

FAMLIAS COLONIZADORAS
Em 1867, deslocava-se de Itajuba, Minas Gerais, a numerosa famlia patriarcal do Major Toms Pereira da Silva, composta de 200 indivduos, aproximadamente. Trouxe 
todos os instrumentos agrrios necessrios, alimentos e escravos. Estabeleceu-se s margens do rio das Cinzas e iniciou o cultivo das terras, que achou timas. No 
local, existe hoje o municpio de Tomazina.
Pag:160
Expanso do povoamento no norte do Paran: 1 at 1850; 2  De
1850 a 1900; 3  De 1900 a 1920;4 De 1920 a 1940; 5De 1940 a
1950; 6  Aps 1950. As setas indicam direes do povoamento. Clich
A. Frana
Por volta de 1886, veio a famlia do fluminense Antnio Calixto. Em 1888, a famlia mineira doa Alcntara, com grande comitiva, estabelecia-se na regio, e deu origem, 
juntamente com a famlia Calixto, j ali estabelecida. & atual cidade de Jacarezinho.
A notcia da fertilidade das terras logo se espalhou e apesar das dificuldades existentes  falta de estradas, de recursos e o isolamento  inmeras famlias, mineiras 
e paulistas, ali vieram estabelecer-se. Surgem em seguida, no nordeste do Estado, novas povoaes como Ribeiro Claro. S. Antnio da Platina, Carlpolis, Siqueira 
Campos etc. Grande nmero de seus povoadores provinham da Provncia de Minas Gerais, como atesta o antigo nome de Siqueira Campos: Colnia Mineira.

A porta de entrada para o povoamento do nordeste do Estado,foi Ourinhos, localizada no Estado de S. Paulo. Por ali entrou a maioria dos colonizadores. Enquanto ainda 
se colonizava essa rea, nova frente de colonizadores abriu-se ao norte, pelo Paranapanema, independente de Ourinhos. Mas a espantosa obra de colonizao, de rapidez 
sem precedentes no mundo, ainda no comeara. Seu incio deve-se a

COMPANHIA DE TERRAS NORTE DO PARAN

Possua uma companhia inglesa, a "Paran  Plantation",vastos cafezais na regio de Cambar. Para transportar sua produo
Pg:161 
produo, vai ser construda a estrada de ferro "So Paulo-Paran", ligando Ourinhos a Cambar. Com essa estrada de ferro, estava definitivamente ligado o norte 
do Paran aos centros consumidores, como So Paulo, e exportadores, como Santos. Mas, ainda no estava colonizado, nem conhecido. Resolveram ento, os ingleses da 
"Paran Plantation", colonizar a regio. Nunca poderiam ter adivinhado, nem sequer sonhado, o esplndido futuro da regio que se propunham a colonizar. A "Paran 
Plantation", desdobrou-se em duas companhias: a "Companhia de Terras Norte do Paran", e a "Companhia Ferroviria So Paulo-Paran. A primeira tinha por finalidade 
lotear e revender em pequenas propriedades os 12.643 km2, de terras devolutas* adquiridas do governo do Estado. Estas terras, vendidas pelo governo  "Paran Plantation", 
 razo de 19$360 rs, o alqueire*, eram consideradas as mais baratas do Estado por estarem localizadas a grande distncia de Curitiba e sem nenhuma via de transporte.
A segunda teria a funo de continuar os trilhos de Cambar, at o local do loteamento.
A lord Lovat, Mr. Thomas, Willie Davids e a outros, deve-se esta esplndida iniciativa. Foi escolhido o local da cidade que seria a sede das atividades da Companhia, 
bem como o centro da colonizao. Recebeu o nome de Londrina, em homenagem a Londres.
pag:162
dres. Este centro urbano  cognominado hoje de "Cidade Milagre".

Aqui h uma fotografia da cidade de Londrina: Um ano aps  a sua fundao (1934). Notamos uma grande atividade construtora na rua Maranho, hoje em pleno centro 
da cidade. Foto Jubileu de Prata.A imagem mostra uma rua que parece ser de terra, podemos perceber que paralelamente h casas sendo construidas, e que algumas 
pessoas circulam por esta rua..

Em 1931, j se registrava a venda de 3.000 alqueires. Os compradores acorreram em grande nmero, atrados pelos preos e pela propaganda da Companhia. Paulistas, 
mineiros, baianos, catarinenses, paranaenses, estrangeiros  os japoneses formam grande parte da cidade de Assa, os alemes fundaram Camb (antiga Nova Dantzig) 
os tchecos fundaram Nova Vlast (hoje inexistente). os poloneses fundaram Varta, e ainda italianos, portugueses, espanhis etc.
Aqui h outra foto de da mesma rua de Londrina, com data de nove  anos aps a anterior(1943), com as casa j construidas,mas a rua continua de terra.Londrina: rua 
Maranho em 1943.Foto Jubileu de Prata.


Os lotes eram traados em forma de longos retngulos, tendo quase todos frente para uma estrada e fundos para um regato ourio. Desta forma, a estrada sempre passa 
nas regies mais elevadas e todos os lotes ficam inclinados. O tamanho dos lotes varia em mdia de 10 a 15 alqueires, mas todos dentro do limite da pequena propriedade.

Pag:163
A estrada de ferro sempre acompanhou s penetrao do loteamento da Companhia. Atingiu Jataizinho em 1931, Londrina em 1935, Apucarana em 1937 e finalmente Maring.
Durante a segunda Guerra Mundial, foi a estrada de ferro incorporada  Rede Viao Paran Santa Catarina, e a Companhia de Terras Norte cio Paran vendida a capitalistas 
paulistas.
Foram cidades fundadas pela Companhia de Terras Norte do Paran: Londrina, Camb, Rolndia, Arapongas, Mandaguari, Apucarana, Jandaia, Maring, Cianorte etc. Estas 
cidades distam uma da outra cerca de 15 a 18 km. formando um verdadeiro colar, interligado por estrada de rodagem ou de ferro. Todas estas cidades fundadas pela 
Companhia foram planejadas antecipadamente. Possuem aspecto de cidades modernas, bem traadas geometricamente, e de aparncia agradvel.
Era desejo da Companhia de Terras adquirir novas reas devolutas para estender ainda mais sua colonizao, mas no foi possvel um acordo com o governo do Estado. 
Aplicou ento a Companhia seu capital em investimentos industriais no Paran e em So Paulo. Como tais Inverses estavam fora do nico objetivo da Companhia, qual 
seja, a colonizao, acarretaram a mudana de nome em 1951. e hoje  conhecida pelo nome de "Companhia. Melhoramentos Norte do Paran".
Pag:164
COLONIZAO OFICIAL

Entusiasmado com o xito da Companhia de Terras Norte do Paran, o governo do Estado resolveu lotear as terras que ainda lhe pertenciam. Surgiram ento vrias colnias 
oficiais: Jaguapit,Iara e Centenrio, nas margens do rio Bandeirantes do Norte,afluente do Pirap. Das colnias oficiais, a que mais prosperou e adquiriu grande 
importncia foi Paranava, localizada a Oeste das terras da Companhia, estendendo-se at as barrancas do rio Paran.
Alm da Companhia Melhoramentos Norte do Paran, e da colonizao oficial, dezenas de imobilirias particulares operaram e ainda esto operando com loteamentos menores.

MIGRAO PARA O NORTE

A grande maioria da populao do Norte do Paran provm de outros Estados, tornando a regio um grande centro de atrao das migraes internas no Brasil. Sua populao, 
de maneira geral, estava assim constituda:

45 % de paulistas
20 % de mineiros
10% de nordestinos
10% de catarinenses
10% de paranaenses
  5% de estrangeiros e outros.


Pag:165
As principais "portas" de entrada desses migrantes no norte do Estado foram:
1   Ourinhos, por onde entraram 3/4 da populao que ali chegou.
2  As estradas paulistas que terminam nas margens do Paranapanema.
3  O Porto de Paranagu, subindo para o norte por rodovia.
4  O sudoeste do Estado, para populaes vindas do Sul do pas.

O CAF
Depois de dominar no vale do Paraba e penetrar em S. Paulo, onde forneceu o capital suficiente para possibilitar a industrializao daquele Estado, o caf passou 
ao Paran, encontrando a as melhores terras do mundo para o seu plantio. Na famosa terra roxa do norte, o rendimento do cafezal atingiu o mais elevado ndice do 
mundo.                      
O caf  o rei da produo do norte. Em 1946, era o Paran o 7 produtor do Brasil. Em 1950, j era o 3. Atualmente,  o maior produtor desta rubicea, no Brasil 
e no mundo, com a produo bsica de 16.000.000 sacas anualmente.

SNTESE
1  No fim do sculo XIX, as famlias mineiras e paulistas fixaram-se na regio dando origem a Tomazina, Jacarezinho, Ribeiro Claro, S. Antnio da Platina. Siqueira 
Campos etc. Porm o Norte do Paran permaneceu inexplorado at 1930.
2  A grande colonizao iniciou-se somente com a Companhia de Terras Norte do Paran, de capital ingls.
3  Surgiram inmeras cidades planejadas prximas umas das outras: Londrina, Camb, Arapongas, Apucarana, Maring, Cianorte etc.
4  Foram feitos planos oficiais de colonizao bem como de outras imobilirias particulares.
5  Tornou-se o norte grande centro das migraes internas.
6O caf veio a ser o "rei" absoluta da produo. Ali encontrou o seu habitat ideal, tornando o Paran o maior produtor da rubicea no Brasil e no mundo.
Pag: 166

VOCABULRIO
Terras devoluta..........................:  as que voltaram para a propriedade do                                                             governo. Adquirido 
por devoluo.

Alqueire .....................................:   antiga medida agrria, que corresponde a         24                                                        m2. 
Varia porm, de um Estado para outro.

Migrao ................................... :   deslocamento, de um pais para outro, ou de                                                       uma regio para 
outra, de grande nmero de                                                       habitantes. Estes deslocamentos podem ser                                       
peridicos e irregulares.

LEITURAS E DOCUMENTOS

Quem fez o famoso norte do Paran

a - A Companhia de Terras Norte do Paran: foi ela a iniciadora, Idealizadora e a                realizadora de mais de 50% do Norte atual...
b - As diversas Imobilirias e a iniciativa oficial...
             c - O brao do homem: tanto dos nortistas como dos sulistas, estrangeiros ou                        nacionais, patres ou agregados...
d - As terras roxas: condio sem a qual todas as precedentes ficariam
     sem razo de ser. "Terra  sempre terra"...
            e - O Caf:  ele a alavanca de tudo. Ele e quem anima, compra, paga pe no                   banco,faz a prosperidade.
                                                        
                                                V. Barroso in
                                                "O Fabuloso Norte doParan"pg.65 

Norte: Velho, novo e novssimo

NORTE VELHO: Convecionou- se denominar de norte "velho ou pioneiro'', a regio localizada a nordeste do Estado, que, uma vez ocupada,abriu as portas para um esplendoroso 
futuro. Sua ocupao procedeu-se principalmente nas primeiras dcadas do sculo XX. Compreende a regio de Jacarezinho, Cambar, Bandeirantes, Cornlio Procpio, 
Ira etc. Predomina nesta regio o regime da grande propriedade, como ocorre em So Paulo e Minas Gerais, donde provieram a maioria de seus colonizadores.Nesta regio, 
o caf no  o dono absoluto da economia, pois aparecem com destaque a cana de acar e a criao de gado. 
pag:167

NORTE NOVO: Compreende as terras colonizadas principalmente pela Cia. de Terras Norte do Paran, Vai do Rio Tibagi at as proximidades de Maring.  aqui que se 
localizam as melhores terras roxas, hoje inteiramente cultivadas. Possue dezenas de cidades em franco florescimento, como Londrina, Apucarana, Mandaguari, Maring 
e muitas outras. Toda esta vasta regio foi ocupada entra 1934 e 1947.
NORTE NOVSSIMO: compreende o territrio que se estende das proximidades de Maring at as barrancas do rio Paran. Nesta regio predominam as colnias organizadas 
pelo Estado e pelas imobilirias particulares. A cidade de Paranava tornou-se desde o incio o centro da regio e hoje  uma cidade em tranco desenvolvimento. Nota-se 
nesta regio o surgimento de novos produtos agrcolas de grande importncia econmica alem do caf, como o algodo, por ex. Seus principais centros urbanos, alm 
de Paranava, so Nova Esperana, Nova Londrina etc.

O que nos chama ao norte do Paran
1  A FAMA. O norte j "correu o mundo". Londrina e Maring so nomes convidativos. Porque no ver de perto essa tal fama?
2  O GANHO FCIL. Assim pensam muitos. Vero, infelizmente, que para os residentes nas cidades, tal esperana  grande iluso, visto que em geral, gasta-se mais 
do que se ganha [...]
3  AS TERRAS ROXAS. Verdadeira fanatizao para os lavradores. Estas terras valem ouro e so disputadas palmo a palmo [...]
4  0 ALTO PREO DO CAF, pelo menos at agora. H sintomas de sua decadncia, tanto na produo, quanto na exportao. Mas, por enquanto, este vale mais do que 
as outras culturas reunidas [...]
5  ALTOS NEGCIOS [...] Estes ocorrem no norte com uma extraordinria facilidade e em grande nmero...
V. Barroso
In "o Fabuloso Norte do Paran" pg. 11

Londrina, a ''cidade menina"
"De forma geral a urbanizao do Norte do Paran tem sido surpreendentemente rpida [...] Desse florescente conjunto urbano se salienta, no apenas por sua populao, 
a cidade de Londrina, a mais importante da regio [...] O desenvolvimento de Londrina, extremamente rpido, s encontra rival em territrio paulista, na cidade de 
Marlia [...]. Na constituio da populao de Londrina aparecem os principais elementos do povoamento do prprio Norte do Paran como se olhssemos para uma amostra: 
92,1% de brasileiros e 7,9 de estrangeiros. Na colonizao nacional, 70% de paulistas, 15% de mineiros, 10% de paranaenses [...] Verdadeira capital do Norte do Paran, 
Londrina  hoje seu maior centro industrial, financeiro e comercial".
Ary Frana in "A Marcha do Caf e as Frentes Pioneiras"  1960, pgs. 239-241.
pag:168

Paran atual  

Nos ltimos vinte e cinco anos vem ocorrendo no Paran um fenmeno de crescimento sem precedentes no Brasil. Ocorreu uma verdadeira corrida para o Paran. As terras 
do norte e do sudoeste paranaense transformaram-se num novo cana: atrairam gente de todos os quadrantes do pas e at do estrangeiro. Em 1940, a populao do Paran 
era de 1.230.000 habitantes; o recenseamento de 1950 j indicava a cifra  2.115.000, em 1960, 4.277,000, e em 1970, 6.929,868, estimando-se para 1980, 10.450.000 
habitantes.   o Paran o Estado que apresentou a maior taxa populacional de crescimento nos ltimos vinte anos. 
Este extraordinrio desenvolvimento criou uma situao que rapidamente avolumou os problemas de todas as ordens, quer sociais, polticos, administrativos, econmicos 
etc. O governo tudo tem feito para satisfazer estas exigncias:                                                   

No setor rodovirio:
O Paran, com 200.000 km2 de superfcie, possue varias regies naturais com caractersticas prprias. Assim o Iitoral  quente e mido, o centro  temperado e pastoril, 
o norte  sub-tropical, tendo a sua atividade alicerada em produtos tropicais, preferencialmente o caf; o sudoeste  temperado, chegando a apresentar nevascas 
no inverno.
Estas regies permaneciam como que isoladas e estanques entre si, no s por falta de vias de comunicao rpidas e eficientes, mais inclusive devido ao meio geogrfico, 
cheio de escarpas abruptas e vazios demogrficos, que estimulavam e despertavam sentimentos autonomistas e de auto suficincia. Era preciso integrar estas regies 
na vida do Estado, como um s todo. Esta  a funo das trs rodovias bsicas do sistema estadual da transporte;
A Rodovia do Caf, que liga o porto de Paranagu a Paranava, com 500 quilmetros de asfalto.
A Rodovia do Sudoeste, ligando Paranagu a Barraco, na fronteira com a Argentina.
A Rodovia Paranagu a Foz do Iguau, ligando inclusive a capitai com todo o oeste paranaense e o Paraguai.

No setor energtico
O Paran alicera ainda sua economia no caf, Em 1950, a arrecadao do Estado dependia deste produto em mais  50%. Felizmente esta cifra j baixou para 35%.  O 
Estado no pode depender de um s produto. A queda do preo do caf no mercado internacional, ou uma geada algo mais forte, poderia causar um colapso da economia 
estadual. S existe uma soluo acertada: Industrializar-se. Mas para tanto  preciso energia. E  isto que o governo espera com a construo da Grande usina Capivari-Cachoeira 
que  a pea  bsica do programa estadual de eletrificao, com 230.000 km, havendo j multas outras projetadas em todo o territorial paranaense.
Pag169

No setor industrial
Enquanto no chega a energia abundante e barata, realizam o governo e a iniciativa particular gigantesco esforo no setor industrial.
Da surgirem no Estado centenas de novas indstrias anualmente, auxiliadas e financiadas em grande parte por uma Companhia especialmente criada para este fim: A 
CODEPAR (Companhia de Desenvolvimento Econmico do Paran), a qual tem conseguido verdadeiros milagres na implantao de indstrias de base em territrio paranaense, 
destacando-se a de pasta mecnica, papel e papelo, celulose, leos vegetais, frigorficos, fiao e tecelagem, metalurgia etc.
O grande objetivo atual do Estado  a implantao no seu territrio de uma refinaria de petrleo e de uma usina siderrgica alm da concluso da usina de industrializao 
do xisto, j em fase de construo em S. Mateus do Sul, pela Petrobrs.

No setor porturio
Mas para escoar toda esta produo agrcola, pastoril e industrial, precisa o Estado de um porto martimo  altura deste gigantesco progresso. Para tanto, foi aparelhado 
o porto de Paranagu e em pouco tempo tornou-se o maior porto exportador de caf do mundo. Continuam as obras de sua ampliao, para satisfazer s futuras exigncias.
O porto de Antonina tambm est sendo aparelhado, devendo contar em breve com um cais de minrios, produto este que o Paran vai comear tambm a exportar.
Graas a este gigantesco esforo de conjunto,  hoje o Paran o maior produtor de: caf, feijo, rami, amendoim e menta; o segundo em algodo, milho e soja, e o 
terceiro em trigo e batata inglesa.
Possuindo apenas 2,3% do territrio nacional, produz no entanto 12% da produo agrria nacional.
Pg. 170

UNIDADE III
Paran Republicano
16
A Arte do Paran
Sendo a arte uma expresso do esprito humano, no poderia deixar de se manifestar em territrio paranaense, onde encontrou campo frtil na inteligncia de sua populao.

PINTURA:
 nesta arte que os paranaenses tm manifestado, de preferncia, sua grande capacidade criadora, com o aparecimento de verdadeiros mestres do pincel, que honram 
a arte no Estado e no Brasil.
O primeiro pintor que aqui se evidenciou no  paranaense e sim prussiano de nascimento: Frederico Virmond, miniaturista, desenhista e aquarelista de grandes dotes; 
legou-nos varias obras de grande sensibilidade. Os poucos alunos que possuiu no foram suficientes para organizarem uma verdadeira escola.
Em meados do sculo passado, surgira em Paranagu D. Iria Correia, considerada a primeira pintora verdadeiramente paranaense, sem grande tcnica, porm de profunda 
sensibilidade as coisas belas. Aprendeu a desenhar com duas pintoras norte-americanas, que se fixaram em Paranagu.
Ao que tudo indica,  foi D. Iria Correia "a mulher paranaense mais ilustrada de seu tempo pode ser considerada, no Brasil todo, como a 
Pag.171
precursora da pintura feminina brasileira. Sendo a primeira pintora feminina paranaense, cabe-lhe um lugar de destaque na histria da arte em nosso Estado.
Surgem ainda mais alguns pintores estrangeiros como Michaud, pintor suo que nos legou inmeros trabalhos e Joo Henrique Elliot, norte-americano, notvel aquarelista, 
os quais, pintaram motivos paranaenses. Em 1886, fundou-se em Curitiba uma Escola Particular de Belas Artes, iniciativa do pintor portugus Mariano de Lima, o qual, 
com esta atividade, por mais plida que fosse, no deixou perecer o ideal das belas artes entre nossa gente.

ALFREDO ANDERSEN
De origem norueguesa, fixou-se definitivamente em Curitiba em 1903, j com grande experincia e vencedor de vrios sales. Estava encantado com a terra e com as 
cores que a paisagem paranaense oferecia. Legou ao Paran uma obra monumental. Pode-se dizer que a histria da pintura paranaense divide-se em duas pocas: antes 
de Andersen e depois de Andersen. "Tudo o que ele fazia era bem feito"; porm "faltou-lhe uma frtil imaginao, para equiparar-se aos maiores pintores brasileiros, 
como Pedro Amrico ou Vitor Meirelles".

Aqui tem uma gravura do Alfredo Andersen, notvel artista noruegus, que formou no Paran uma verdadeira legio de notveis pintores.
Pg. 172
Entre seus discpulos, destacam-se: Frederico Lange, Curt Ftreyeseleben, Estanislau Traple e Theodoro De Bonna, um dos mais vigorosos pintores do Paran e do Brasil, 
que se caracteriza como grande colorista, revelando suas telas a cor num sentido de poesia, de inspirao magnfica.
Guido Viaro:  um dos mais fecundos mestres anuais, no Estado.
Imagem: pobreza de Guido Viaro.
A Artur Nsio: famoso por suas pinturas de animais e naturezas mortas.
Joo Woiski: notvel paisagista e decorador, fixou preferencialmente temas praeiros, tpicos do Paran, em que revela os costumes litorneos.
Imagem: O Galinhetiro de Artur Nisio. 
Pg. 173 
Poty Lazarotto: de grande talento, tem satisfeito aos meios artsticos mais exigentes, realizando trabalhos de grande vigor e dramaticidade.

ESCULTURA
Tal qual a pintura, possui esta arte nomes de excepcional valor. O primeiro, em ordem cronolgica,  Jan Zak, de ascendncia polonesa, o qual, por ser um elemento 
paranaense, no cenrio artstico nacional, ficou mais conhecido por Joo Zaco Paran.
No havia no Estado preparao tcnica suficiente para a formao de escultores. De Curitiba, seguiu Zaco para a Europa, onde aprimorou sua tcnica: Bruxelas, Paris 
etc. Voltando para Curitiba, no encontrou ambiente para desenvolver sua arte, passando a trabalhar e lecionar na Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro. 
Suas principais obras so "O Semeador"; obra considerada pelos entendidos como das melhores da escultura brasileira "Progresso", de tamanho monumental, existente 
no Rio de Janeiro, o busto do pintor Eliseu Visconti etc. Seu estilo  caracterstico e suas obras tornaram-se inconfundveis, demonstrando excepcional talento e 
destacando-o como um dos maiores escultores do Brasil.

Aqui tem duas gravuras, a primeira: O Semeador", obra prima de Zaco Paran, considerada das melhores da escultura brasileira.
A segunda: O escultor Zaco Paran, ao lado de sua obra monumental intitulada Progresso".
pag:174
Joo Turim: de origem italiana, desde cedo manifestou sua arte, fazendo trabalhos de madeira. Aps seus primeiros estudos em Curitiba, estudou tambm em Bruxelas 
e Paris. Homem de grande talento, tem seus trabalhos espalhados pelo Paran: vrios bustos nas praas pblicas de Curitiba, como o de Tradentes, Carlos Gomes, Benjamim 
Constant.; os heris do Panteon da Lapa; alguns crticos consideranrt"0 Tigre" sua obra prima. Foi premiado vrias vezes, por apresentarem suas obras "muito vigor" 
e um esprito preocupado em revelar a firmeza, as emoes altas e chocantes". 
Imagem:"O Tigre" de Joo Turim, considerado por muitos crticos como sua obra prima.
Imagem: Tiradentes de Turim
Pg. 175
Encontram-se, ainda, na escultura, Erbo Stenzel, possuidor de grande talento, e Osvaldo Lopes, que tambm se destaca em suas criaes.
Indiscutivelmente, a pintura e a escultura so as duas artes que mais se desenvolveram no Paran e o projetaram no cenrio artstico nacional.

MSICA
Esta arte foi cultivada pelos paranaenses desde muito tempos quando os pianos eram transportados pelas picadas da Escarpa do Mar para o planalto. Distinguem-se entre 
seus primeiros cultivadores, Frederico Virmond, que, alm de ser cientista e pintor, "fazia msica e reunia gente de talento em sertes magnficos", Jernimo Durski, 
organista e professor de msica, que, a partir de 1880, lesionava a arte aos filhos das famlias curitibanas bem situadas; Braslio Itiber da Cunha, autor de belas 
pginas como " Sertaneja", Bento de Menezes etc.
No inicio do sculo, surgir o "Grmio Musical Carlos Gomes" e o "Conservatrio de Msica do Paran". Grande atividade didtica exerceram os Irmos Mensing, que 
ensinaram msica a vrias geraes no "Instituto de Msica do Paran". Marcou poca na histria da msica em Curitiba, a apresentao da pera, composta por Augusto 
Stresser, "Sidria", a qual foi apresentada no antigo Teatro Guara.
Em 1944, criou-se a Sociedade de Cultura Artstica Braslio Itiber (SCABI), destinada a promover e desenvolver o intercmbio musical no Estado.
Marco importante na msica, bem como das demais artes no Estado, foi a criao, em 1948, da Escola de Belas Artes.
Entre os nomes contemporneos, distinguem-se os de Bento Mossurunga, grande apreciador de temas folclricos, e que tem legado pginas de rara beleza, inclusive o 
"Hino do Paran" e o "Hino do Colgio Estadual do Paran".
Com o desenvolvimento de centros urbanos no interior do Estado, a msica, bem como outras artes, j ali tem encontrado cultuadores de relevo, como em Ponta Grossa, 
Londrina etc.

LITERATURA
No pacato ambiente paranaense, antes de sua emancipao poltica, viveu seu primeiro poeta, o parnanguara Fernando Amaro, nascido em 1831. Pertenceu  corrente do 
romantismo, como no
Pg. 176
poderia deixar de ser, pois esta foi a poca .de seu maior domnio na literatura. Seguiu-lhe a notvel poetisa Jlia da Costa, que, alm de duas obras que publicou, 
colaborou intensivamente em jornais e revistas paranaenses.
Desde ento, surgiram vrios nomes de ilustres literatos, co.mo Tetilo Soares Gomes, fundador da literatura, dramtica no Paran.
Uma profunda renovao nas letras do Paran ocorreu nos fins do sculo XIX e inicio do XX, quando surgiram nomes que plojetaram Curitiba como um dos principais centros 
literrios do Brasil. Inicia-se um longo perodo naturalista*  parnasiano*, com vultos como Lencio Correa, considerado o "patriarca da literatura paranaense, 
poeta, crtico, jornalistico e o teatrlogo. Deixou obras poticas como Flores Agreste e Em Derredor da Vida; peas teatrais como a Boemia do Meu Tempo, Manh 
de Amor, Talento de Ouro, etc.
Imagem: Nestor Victor, Lencio Correia e Emiliano Perneta.

Emlio de Menezes: projetou a literatura paranaense no mbito nacional. Foi um dos maiores literatos brasileiros da poca. Notvel satrico*, membro da Academia 
Brasileira de Letras.
Obras: "Os Deuses de Ceroulas", "Ultimas Rimas", "Marcha Fnebre" etc.
Emiliano Perneta: Um dos nomes mais representativos da literatura paranaense.
Pg. 177

Aqui tem duas gravuras, a primeira: Emiliano Perneta, ardente intrprete da poesia Paran.
A segunda: Tasso da Silveira.

Sua poesia de grande sensibilidade deixou obras como "Msicas". "Pena de Talio", "Iluso", "Setembro" e muitas outras. Foi um dos melhores intrpretes da paisagem 
paranaense.
De grande importncia para a literatura paranaense, foi a criao da revista "O Cenculo" que implantou o movimento Simbolista* no Paran. Compunha-se o grupo dirigente 
de vultos de renome como Jlio Perneta, Antnio Braga, Dario Velloso e Silveira Neto.
A partir de 1913, formar-se- no Paran um movimento chamado de "Campanha dos novssimos", que foi um reflexo do ambiente nacional, onde a literatura de "pura criao" 
deslocara-se para o terreno da luta ideolgica. No Paran, este movimento foi liderado por Tarso da Silveira e Andrade Muricy. Imprimiu  literatura um cunho mais 
espiritualista, de viso catlica da vida. Paralelamente desenvolveu-se em torno da revista "O Cenculo" um outro grupo, liderado por Dario Velloso. Ao grupo dos 
"novssimos" ligaram-se anda Lacerda Pinto, Lenidas Loiola, Acir Guimares e outros.
A partir de 1922, atingir o Paran a renovao modernista*, composta sobretudo pelo grupo dos "novssimos"; estes contribuiro de maneira decisiva para fixar o 
movimento, no s no Paran como Tasso da Silveira, Andrade Muricy, Helena Kolody e muitos outros.
Pg. 178

SNTESE
1  Foi a partir do sculo XIX que surgiram no Paran as primeiras manifestaes artsticas: Frederico Virmond, D. Iria Correia, a primeira pintora verdadeiramente 
paranaense, Elliot, Michaad. etc.
2  No Inicio do sculo XX surgir o pintor Alfredo Andersen, legando uma obra monumental, a ponto de a histria da pintura Paran dividir-se em antes e depois de 
Andersen.
3  Aps, surgir uma pliade de Dotveis pintores, muitos dos quais foram discpulos de Andersen: Frederico Lange, Curt Freyesleben, Theodoro De Bona, Guido Viaro, 
Artur Nisio etc.
4  Na escultura, pontificam os nomes de Zaco Paran e Joo  Turim, autores de obras classificadas como das melhores do pas.
5  Depois de surgirem os pioneiros paranaenses no campo da musica, quando se destacaram Braslio Itiber e Bento Menezes, criar-se-o vrias entidades patrocinadoras 
e difusoras desta arte: Conservatrio de Msica do Paran, Instituto de Msica do Paran, Sociedade de Cultura Artstica Braslio Itiber (SCABI).
6  A literatura propriamente dita, iniciou-se no Paran com Fernando Amaro e Jlia da Costa profunda renovao das letras ocorrer nos fins do sculo XIX e inicio 
do XX, quando predominar a correntr naturalista parnasiana em oposio  romnfica, sua precedente. Destacar-se-o vultos como Lencio Correia, Emlio de Menezes, 
um dos maiores literatos brasileiros da poca, Emiliano Perneta, bem como o grupo da revista "O Cenculo" que implantou no Estado o movimento slimbolista: Jlio 
Perneta, Dario Velloso, Antnio Braga e Silveira Neto.
7  A partir de 1913, a literatura no Paran, adquiriu  um carter mais lgico, surgindo uma corrente chamada de "os novssimos", de cunho mais espiritualista, em 
oposio ao grupo de Dario Velloso.
8    frtil e promissora a renovao de valores atualmente em processamento em nossa literatura, tudo indicando que os frutos sero profcuos e abundantes.
Pg.179

VOCABULRIO
Prussiano ............: natural ou habitante da Prssia (Alemanha).
Aquarela .............: pintura de tinta diluda em gua.
Miniaturista............: pessoa que faz miniaturas.
Romantismo...........: corrente de escritores e artistas romnticos; em suas obras predomina a imaginao e o sentimentalismo.
Naturalismo...........: corrente artstica que procura reproduzir a natureza assim como ela , sem excluir seus aspectos menos agradveis.
Parnasiano..............: adepto de uma escola literria que reagiu contra o romantismo lrico e cultivou uma literatura mais objetiva.
Satrico.....................: que satiriza, mordaz.
Simbolista..................: escola literria oriunda na Frana nos fins do sculo XIX. Foi uma reao contra o domnio do parnasianismo. Caracteriza-se pela maneira 
vaga, impreciosa de expressar os sentimentos.
Modernista..................: pessoa que aceita inovaes ou idias ainda no consagradas pelo uso. Movimento literrio que possue o mesmo sentido.

LEITURAS E DOCUMENTOS
Uma poesia do primeiro poeta paranaense: Fernando Amaro
DESCRENA E CRENA  A Nossa Senhora do Rocio

Males pungiam-me a alma
Em que vos fui visitar,
Na manh fagueira e calma,
Na vossa santa ermidinha
Do Rocio,  beira-mar.

dio, Senhora, eu no tinha
Mgoa sim, mas no horror,
Daqueles que me feriram,
Daqueles que me trairam,
Em paga de um puro amor.

Dos homens j nada espero,
Que me foi o mundo fero.
A parca estende-me um vu...
Pobre de mim, me do cu!

Tende pena destas dores,
Que acerba minha sorte.
Se a vida s me deu pranto,
Enxugai no vosso manto
Meus olhos, depois da morte.
Pg. 180

"A fixao de um grupo heterogneo num territrio implica, como tem sido o caso brasileiro, em problemas iniciais de sobrevivncla  e a primeira luta, bem o sabemos, 
aps a conquista,  contra a natureza inspita.
As populaes colonizadoras, salvo rarssimas excesses, so constitudas por almas rudes, afeitas ao trato da terra, preocupadas, todas elas, por tendncia ou por 
contingncia, com o desbravamento a agricultura, a pecuria etc. Somente aps a formao de uma unidade bastante caracterizada, e somente aps um desenvolvimento 
conseguido atravs de lutas incessantes e rduas, pode o grupo social formar e realizar os seus pendores artsticos...
Texto extrado de As Artes Plsticas e a Msica no Paran", de Nelson Luz, 1 Centenrio da Emancipao Poltica do Paran" pg. 51.                           


"A arte que aqui brotou teve, ao que parece ao menos no seu incio, algo de inspirao estrangeira. E  justo que se considere assim. Se a glria nos cabe,  a de 
havermos absorvido a lio dos dvenas, colhido nas instrues e seu estimulo e conseguindo, com os elementos proporcionados pela natureza belssima e pelo talento 
de nossos homens, a ralizao de uma arte autnoma, que por inmeras vezes tem empolgado os mais requintados ambientes estrangeiros",

Idem texto de Nelson Luz.

CARROA DE TOLDA
Cedo, a carroa
J vai na estrada.
Vai a parelha
Bem ajaezada:
Franja de guizos
Pela testada...
Parece, a tolda,
Leno de lona.
De leno branco
Vai a colona
Pelo arvoredo
Ha uma neblina,
Que  um alvo leno
De musselina
Mo calejada.
Guia a colona
Rosto curtido,
Lenta e calada.
Geme a carroa,
To carregada!
Cantam os guizos
Na madrugada.,.

Helena Kolody
in "Vida Breve" 
Pg.:181

NDICE
UNIDADE I
Pr-histria e colonizao
pg.
1  O indgena paranaense ................................................................................1
Os amerndios no Paran.............................................................................2
Diferenas entre tupis e js..........................................................................3
Diviso do trabalho.......................................................................................4 
O que devemos ao nosso indgena.............................................................5
Sambaquis.....................................................................................................7
Datao...........................................................................................................8
Sntese............................................................................................................8 
Vocabulrio....................................................................................................9
Leituras e documentos.................................................................................9
 
2  As redues indo-crists no Guair..........................................................12
Ciudad Real e Vila Rica...............................................................................12
Adelantados e Encomiendas......................................................................13 
Os Jesutas...................................................................................................14 
As redues.................................................................................................14 
Organizao.................................................................................................15 
Ensino, Urbanismo e Justia......................................................................16
A destruio.................................................................................................17 
Preao de ndios........................................................................................18 
Conseqncias............................................................................................20
Sntese..........................................................................................................21
Vocabulrio..................................................................................................21 
Leituras e documentos...............................................................................22 

3  Povoamento do Litoral................................................................................24
Origem e fundao de Paranagu..............................................................25 
Antonina.......................................................................................................27 
Morretes........................................................................................................27 
Sntese..........................................................................................................29 
Vocabulrio..................................................................................................29
Leituras e documentos...............................................................................30 

4  A Explorao do Ouro.................................................................................33
Penetrao no serto...................................................................................34
Localizao das minas.................................................................................35
Os arraias......................................................................................................36 
Decadncia das minas.................................................................................36 
Conseqncias do cclo da minerao......................................................37
Sntese..........................................................................................................CR
Vocabulrio...................................................................................................38
Leituras e documentos................................................................................39
Pg. 182


5  Origem e fundao de Curitiba ..................................................................41
Primrdios....................................................................................................41
Ereo do Pelourinho e elelo das primeiras autoridades ..................44
Fundao definitiva.....................................................................................45
O meio geagrfico de Curitiba...................................................................46
Sntese .........................................................................................................48
Leitura e documentos.................................................................................49 

6  Ocupoo do oeste do Paran...................................................................53
Defesa do litoral...........................................................................................54 
Fortaleza de Paran.....................................................................................54
Fundao de Guaratuba.............................................................................54
Desbravamento do serto .........................................................................55
Bandeiras de Afonso Botelho ...................................................................56
Os campos de Guarapuava .......................................................................57
Diogo Pinto de Azevedo Portugal..............................................................58
Pe. Francisco Chagas Lima........................................................................60
Sntese..........................................................................................................61
Vocabulrio..................................................................................................62
Leituras e documentos...............................................................................62

7  Os caminhos e o tropeirismo.....................................................................65
O Peabiru......................................................................................................65
Caminho da Graciosa .................................................................................67
Caminho do Itupava.....................................................................................69
Contrato das canoas....................................................................................70
Caminho do Arraial......................................................................................70
Estrada da Mata............................................................................................71
O tropeiro e o tropelrismo...........................................................................72
A tropa ..........................................................................................................73
Inconvenientes do transporte de tropas ..................................................74
Papel desempenhado pelo tropeiro ..........................................................75
Sntese .........................................................................................................75
Vocabulrio ..................................................................................................76
Leituras e documentos ...............................................................................76

UNIDADE II
Paran Provncia
Emancipao poltica do Paran.......................................................................79
Primeiras tentativas ...........................................................................................79
Conjuntura separatista.......................................................................................80 
A lula continua.....................................................................................................81
Revoluo literal de 1842...................................................................................82
A luta parlamentar ..............................................................................................83
Vitria final ..........................................................................................................84
Sntese..................................................................................................................86
Vocubulrio .........................................................................................................87
Leituras e documentos.......................................................................................87
Pg. 83
9  Evoluo  poltica e econmica provincial................................................89
Mate: esteio acnmico da provncia...........................................................95 
Qualidades mate...........................................................................................97
Sntese...........................................................................................................97vocabulrio.....................................................


..............................................98
 Leitura documentos....................................................................................98
10 O regime escravocrata..............................................................................101
  No Brasil....................................................................................................101
  No Paran..................................................................................................102
 Interveno Inglsa no Paran: Cormorant.............................................103  
A campanha abolicionista no Paran ......................................................104 
Substituio do escravo ...........................................................................105
Sntese ........................................................................................................105
Vocabulrio.................................................................................................106
Leituras e docomentos .............................................................................107
11 Imigrao no Paran .................................................................................109
Assungui.....................................................................................................110  
Novas colnias ..........................................................................................111 
Vida inicial do imigrante............................................................................112 
Principais grupos tnicos.........................................................................113  
Grupo alemo.............................................................................................113
Grupo polons ...........................................................................................114
Grupo Italliano ...........................................................................................115
Grupo ucraniano.........................................................................................116
Outros grupos.............................................................................................117 
Imjgrao moderna....................................................................................117
Sntese.........................................................................................................118 
Vocabulrio.................................................................................................119  
Leituras e documentos..............................................................................119 

UNIDADE II
Paran republicano
12   Repblica no Paran e a Revoluo Federalista................................121
A situao no Paran.................................................................................122  
A reviravolta florianista..............................................................................122
os federalistas no Rio Grande do Sul.......................................................123 
Pica-paus x Maragatos...............................................................................123 
Tomada de Paranagu...............................................................................124 
Tomada de Tijucas.....................................................................................125   
Cerco da Lapa.............................................................................................126 
Os federalistas em Curitiba.......................................................................126 
Volta  legalidade.......................................................................................128  
Atrocidades cometidas..............................................................................129 
O papel do Paran na Revoluo Federalista..........................................130
Sntese.........................................................................................................131  
Vocabulrio.................................................................................................132
Leituras e  documentos.............................................................................132 
Pg. 184
13   O progresso do Estado .........................................................................134
Ciclo do pinho............................................................................................134
Criao da Universidade do Paran........................................................137
Revoluo de 1930....................................................................................139
A Interveno: 1932-45..............................................................................141
Sntese........................................................................................................142
Vocabulrio................................................................................................142
Leituras e documentos.............................................................................143

14  O Contestado...........................................................................................146
O territrio do Contestado .......................................................................147
O problema social do Contestado ..........................................................148
Os monges.................................................................................................152
A subIevao do Contestado ..................................................................153
Taquarau  Caraguat e Sta. Maria......................................................154
O fim da luta...............................................................................................155 
Idias polticas dos fanticos ..................................................................155
Sntese .......................................................................................................156
Vocabulrio................................................................................................157
Leituras e documentos ............................................................................157


15   O fabuloso norte do Paran ..................................................................159
Pequeno incio: colnia do Jata..............................................................160
Famlias colonizadoras ............................................................................160
Companhia de terras norte do Paran.....................................................161
Colonizao oficial ...................................................................................163
Migrao para o norte ..............................................................................165
O caf .........................................................................................................165
Sntese .......................................................................................................166
Vocabulrio ...............................................................................................167
Leituras e documentos.............................................................................167


16  A arte no Paran......................................................................................171
Pintura .......................................................................................................171
Alfredo Andersen......................................................................................172
Escultura ...................................................................................................174
Msica .......................................................................................................176
Literatura....................................................................................................176
Sntese........................................................................................................179
Vocabulrio................................................................................................180
Leituras e documentos.............................................................................181
ndice..........................................................................................................182
Pg. 185
